“ A finalidade do mentiroso é simplesmente fascinar, deliciar, proporcionar regozijo. Ele é o fundamento da sociedade civilizada. ”

BBB é legal sim!

A internet é decididamente um fenômeno inovador. Só através dela mesmo para encontrarmos pessoas incríveis e outras que não nos fariam falta alguma. Aqui e ali eu encontro os supostos bambambans da blogosfera e também do jornalismo, criticando a programação televisiva e dizendo que é coisa do povão e que não acrescenta nada, etc, etc. São os mesmos que assistem aos programas para ter do que reclamar, principalmente no twitter. O BBB é um deles.

Eu assisti às primeiras edições do BBB e depois enjoei. Fiquei sem ver nada nos últimos anos. Mas neste ano, com a participação da Tessália, polêmica twiteira, passei a acompanhar novamente. E apesar do jogo estar super interessante e atrativo, eu fico aqui raciocinando sozinho:

Esse povo que tanto critica o Big Brother, porque só tem bundas e músculos, bla bla bla… E se eles fossem escolhidos? Em quê tornariam o programa assim tãããão mais interessante? Quem quer saber de questões culturais ou políticas? E quanto as pessoas realmente bonitas (mesmo que externamente, tema discutível), que mal há de usufruirem de sua beleza ao serem escolhidas pra aparecer na TV? Meu gosto é meio peculiar nesse sentido. Não gosto muito desses programas que se prevalecem da miséria e da bizarrice humana… Se eu ligo a televisão, quero ver coisas, lugares ou pessoas bonitas. Nesses momentos a última coisa que eu quero é acompanhar uma discussão sobre o futuro da internet, da erradicação da fome no mundo ou os descaminhos do governo Lula.

Aquelas pessoas que participam da casa do BBB são pessoas absolutamente como eu ou você, as vezes amáveis, as vezes odiosas, as vezes decididas, as vezes perdidas e ainda, muitas vezes espertas, outras tolas. Ninguém, mas ninguém mesmo poderia estar ali no meio e fazer melhor, ou promover um aumento do nível cultural da população. É um jogo, um entretenimento, um lugar onde os nervos afloram, onde o lado humano se mostra escancarado.

O que eu quero dizer é que muita gente que participa da blogosfera e do twitter fica “meio assim” em dizer que gosta da programação televisiva, se desculpando dizendo que tem um lado “povão” que fala mais forte, etc, etc. Tipo, se você não gosta de séries americanas chatas, você não é legal. Se você gosta de BBB ou assiste à novelas então você é do “povão” e tem gosto popularesco. Como nos preocupamos e tentamos nos encaixar na opinião alheia, hein? Nossa reputação deve ser preservada… Mas que reputação? Quem são os outros para definirem o que devo ou não gostar? Meio demais isso, não? Parecemos adolescentes repetindo os gestos do bando para ganharmos a simpatia dos “líderes”.

Mesma coisa acontece no sentido espiritual. Pra ser levado minimamente a sério na blogosfera, você deve ser ateu e gostar de bobagens e inutilidades bizarras dessas que a internet oferece aos montes. Já vi blogueiros sérios medindo palavras ou se esquivando de certas posturas ao falar em espiritualidade, em temas voltados à auto-ajuda ou equilíbrio mental e espiritual. Legal é ser cético e citar Darwin quando vemos alguém se dar melhor que outros.

Mas como eu disse no começo, tudo isso não me fazia falta alguma até a bem pouco tempo atrás. Não preciso diminuir os outros pra me sentir bem comigo mesmo. Muito pelo contrário, quanto mais eu consigo “conciliar” e aceitar as coisas da vida como naturais, por mais injustas que pareçam, melhor tenho me sentido.

Ronaud Pereira

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O valor dos gestos de amor

Recebi este texto por email e achei interessante compartilhar aqui:

Um garoto pobre, com cerca de doze anos de idade, vestido e calçado de forma humilde, entra na loja, escolhe um sabonete comum e pede ao proprietário que embrulhe para presente.

 ”É para minha mãe”, diz com orgulho.

 O dono da loja ficou comovido diante da singeleza daquele presente. Olhou com piedade para o seu freguês e, sentindo uma grande compaixão, teve vontade de ajudá-lo.

Pensou que poderia embrulhar, junto com o sabonete comum, algum artigo mais significativo. Entretanto, ficou indeciso: ora olhava para o garoto, ora para os artigos que tinha em sua loja.

Devia ou não fazer? O coração dizia sim, a mente dizia não.

O garoto, notando a indecisão do homem, pensou que ele estivesse duvidando de sua capacidade de pagar.

Colocou a mão no bolso, retirou as moedinhas que dispunha e as colocou sobre o balcão.

O homem ficou ainda mais comovido quando viu as moedas, de valor tão insignificante. Continuava seu conflito mental. Em sua intimidade concluíra que, se o garoto pudesse, ele compraria algo bem melhor para sua mãe.

Lembrou de sua própria mãe. Fora pobre e muitas vezes, em sua infância e adolescência, também desejara presentear sua mãe. Quando conseguiu emprego, ela já havia partido deste mundo. O garoto, com aquele gesto, estava mexendo nas profundezas dos seus sentimentos.

Do outro lado do balcão, o menino começou a ficar ansioso. Alguma coisa parecia estar errada. Por que o homem não embrulhava logo o sabonete?

Ele já escolhera, pedira para embrulhar e até tinha mostrado as moedas para o pagamento. Por que a demora? Qual o problema?

No campo da emoção, dois sentimentos se entreolhavam: a compaixão do lado do homem, a desconfiança por parte do garoto.

Impaciente, ele perguntou: “Moço, está faltando alguma coisa?”

“Não”, respondeu o proprietário da loja. “é que de repente me lembrei de minha mãe. Ela morreu quando eu ainda era muito jovem. Sempre quis dar um presente para ela, mas, desempregado, nunca consegui comprar nada.”

Na espontaneidade de seus doze anos, perguntou o menino: “Nem um sabonete?”

O homem se calou. Refletiu um pouco e desistiu da idéia de melhorar o presente do garoto. Embrulhou o sabonete com o melhor papel que tinha na loja, colocou uma fita e despachou o freguês sem responder mais nada.

A sós, pôs-se a pensar. Como é que nunca pensara em dar algo pequeno e simples para sua mãe? Sempre entendera que presente tinha que ser alguma coisa significativa, tanto assim que, minutos antes, sentira piedade da singela compra e pensara em melhorar o presente adquirido.

Comovido, entendeu que naquele dia tinha recebido uma grande lição. Junto com o sabonete do menino, seguia algo muito mais importante e grandioso, o melhor de todos os presentes: o gesto de amor!

Autor desconhecido

O que mais me chamou a atenção na mensagem foi a impressão errada que o dono da loja tinha do que era presentear. Isso acontece muito conosco. Vivemos tempos e tempos com certos conceitos das coisas e quando vemos, todo aquele drama que imaginávamos nem era tão dramático assim. No caso do texto o vendedor achava que para se presentear tinha que ser algo de valor. E quando menos esperava viu que o valor real mesmo, está no gesto. O que de mais valor há atualmente é o que de mais escasso há: A atenção sincera e despretensiosa!

1 Opinião

Do pó vieste… e ao pó voltarás?

Tão ou mais constrangedor do que um crente nos querendo converter ao seu modelo de mundo, quase sempre limitado por se embasar em mitos, é ler um ateu fazendo questão de dizer que é ateu com seus raciocínios lógicos querendo nos fazer pensar, quando na verdade, a pessoa que prefere crer em algo, assim o prefere porque lhe poupa esforço mental em tentar solucionar questões existenciais sem solução. Não é que aos crentes lhes seja difícil pensar, como gostam de aludir. É que a questão simplesmente não lhes importa e preferem crer em alguma idéia pré-concebida. Nem todos nascem para a filosofia. Ninguém tem obrigação de conhecer o darwinismo, por mais esclarecedora que seja esta teoria. Sabe, não tem importância prática para a MAIORIA das pessoas. Então não adianta muito se orgulhar por tal conhecimento. Aliás se orgulhar por conhecimento prova que o conhecimento adquirido pouco efeito promoveu.

As pessoas preferem acreditar naquilo que elas preferem que se seja verdade.

Um crente sem noção até vai. É da própria natureza das religiões divulgar sua mensagem e “atrair mais fiéis”. Estão sujeitos a se equivocarem querendo nos convencer de algo, mais por motivação alheia do que por motivação própria. Agora um ateu sem noção, me poupe. O ateu sem noção não percebe que sofre do mesmo mal de seu companheiro religioso, e não percebe justamente porque desenvolveu demais o intelecto, mas não desenvolveu o tato para entender como as pessoas funcionam (ou preferem funcionar).

Aonde levará a crítica às religiões como se fossem um mal ao mundo, ou dispensáveis? Eu não sei viu, mas acho ainda, que sem as religiões para oferecerem ao povo certos princípios e comportamentos, a sociedade seria “imprópria para o convívio”. Não vamos confundir e ver alguns grupos exaltados como grupos religiosos, porque nesse caso, extrapolam. Assumo aqui religião como um grupo de idéias que promovam a boa convivência entre as pessoas e uma explicação consoladora para as agruras da existência, mesmo que imaginárias.

Minha filosofia de vida me levou a perceber que tudo está certo do jeito que está. Não mexe que vai feder. Por mais que a moral e a religião sejam raízes da hipocrisia social sob a qual vivemos, acredite, é melhor assim. O mecanismo de fingir que certas coisas não existem (e que outras existem) aliviam nossa carga existencial. Então porque criticar ferrenhamente. Há alguma solução melhor?

Muita gente não consegue viver bem sob certos conceitos de vida. Eu sou uma delas. Viver como se o ser humano (ou a primeira ameba a habitar este planeta) tenha surgido espontaneamente do nada, de arranjos moleculares súbitos dos tais aminoácidos imersos sob a sopa primordial, e que ao nada voltaremos um dia, me causa um sentimento de despropósito, niilista. Sem contar todos os sofrimentos e as injustiças do mundo. É preciso ser muito isento e frio para admití-los como parte da natureza, enfim. (E pra falar bem a verdade, não estamos nem aí para as injustiças do mundo, conquanto que não nos atinjam. Você sabe, pimenta no … dos outros é refresco)

Meu modelo de mundo, bastante compartilhado aqui neste site com quem o visita, se deve muito por observação. Como muitos, passei por momentos de sofrimento insuportável durante a adolescência, e esse fato desencadeou em mim uma curiosidade muito grande por entender a vida (não poderia ser de outra forma). Dessa forma, observo forte propósito para a vida humana quando vista sob o viés da evolução, do progresso, do aprendizado constante e infindo, tendo no sofrimento o alicerce para se alcançar estágios pessoais de maior desenvolvimento. Atire a primeira pedra quem nunca saiu fortalecido de uma dificuldade. Como se saem melhor as pessoas que assumem os obstáculos da vida como exercícios para o auto-desenvolvimento!

Sempre digo que uma das provas mais interessantes de algo (o que chamam de Deus) além do que podemos enxergar é a própria matemática. É a verdadeira linguagem universal, a linguagem da natureza, e não foi o homem que a criou. As relações matemáticas sempre existiram na natureza muito antes de o homem habitar este planeta. Ele apenas a descobriu com esforço e estudo, ao longo dos séculos. E me diga, não é sensacional encontrar valores e poder modificar a natureza com certas regrinhas de raciocínio?

Para mim, Deus não é aquele deus originado das crenças monoteístas. A própria onisciência, onipresença e onipotência de Deus, proposta por algumas teologias, sugere que Deus não seja um ser único e delimitado, mas sim, que ele seja TUDO o que nos envolve. Deus é a VIDA que anima todas as células vivas deste mundo. Ou será que se algum cientista pudesse, teoricamente, “montar” uma célula, átomo por átomo, ao final do posicionamento da última partícula, ela, a célula artificial, sairia trocando fluidos com o ambiente e se reproduzindo a torto e a direito? Não né!!!

Ronaud Pereira

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