Não sei exatamente como é em outros países, mas sabemos que no Brasil há um hiper-estímulo aos jovens para “estudarem”. São comuns as seguintes frases dirigidas a eles: Fazer faculdade, ser “doutor”, passar em concurso público… para passar o resto da vida trancado numa sala exercendo tarefas burocráticas ou intelectuais, fazer umas viagens padrão pelo mundo, pôr a foto com a Torre Eiffel de fundo no perfil do FB e esperar a morte chegar.

Estudando a paisagem

Mas ultimamente, tenho visto uns vídeos de “motivação” em inglês, principalmente do canal VideoAdvice, com o intuito de treinar a audição de inglês, uma vez que as falas dos vídeos são ritmadas, e venho percebendo, que o tema de motivação NUNCA tem como exemplo ficar trancado numa sala, diante de uma tela de computador, exercendo atividades “intelectuais”.

Ao contrário, as cenas dos vídeos estimulam a superar seus limites físicos e seus talentos “3D”. Cenas de pessoas correndo, nadando, fazendo trilha, velejando, esquiando, escalando, saltando de para-quedas, pilotando aviões, carros, motos, dançando, atuando ou cantando em palcos são as mais comuns.

Alguém disse (e você acreditou) que ser feliz é ser bem-sucedido naquele emprego no escritório, no qual você é promovido se fizer um MBA e pode tomar um nespresso servido pela copeira da empresa.

Desencana dessa teoria.

De fato, a vida acontece porta afora. Trabalho há mais de dezesseis anos diante de uma tela de computador desenvolvendo sites para a web. Há dois anos iniciei um projeto de transformar um imóvel comercial em habitações para moradia de aluguel, e paralelamente tenho dirigido como parceiro Uber.

O fato é que tenho muito mais histórias pra contar desses dois últimos anos, do que os 14 anos anteriores que passei trancado no meu escritório diante do computador.

Tenho uma amiga com uma história interessante. Ela trabalhava como garçonete num restaurante em Londres quando finalmente conseguiu a cidadania européia. Assim fez o que a maioria das pessoas faz: procurou um “emprego melhor” e conseguiu. Foi trabalhar num escritório. Dois meses depois ela estava tão entediada que para conseguir gastar sua energia acumulada começou a correr todos os dias 7 km depois do trabalho. Não satisfeita com a sua nova vida, voltou a trabalhar de garçonete no mesmo restaurante.

As citações deste post são de Amanda Noventa, retirados desse texto, cuja leitura recomendo: A lenda do bom emprego