Dias atrás eu caí na besteira de discutir com dois ~ católicos ~ no twitter.

No final, eu lembrei de uma frase já antiga da Madeleine Lacsko:

É impressionante o esforço monumental que a Igreja Católica faz para todo mundo virar evangélico.

Eu diria talvez nem “virar evangélico”, e sim, que em MUITAS OCASIÕES, católicos e evangélicos, cada qual a seu modo, fazem um esforço monumental para fazer as pessoas verem o cristianismo com a desconfiança que não merece ser visto. De fato, eu conheço algumas pessoas que sentem ojeriza por qualquer coisa que cheire ao cristianismo, e ontem entendi um pouco melhor a origem desta aversão; que é, evidentemente, uma reação à inflexível (e burra) intransigência cristã contra quem não se alinha com seus modelos mentais.

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Eu acho o cristianismo uma religião linda, rica, venerável. E me dei conta que eu penso assim porque eu não convivo com cristãos fervorosos, que são, na verdade, fanáticos insuportavelmente sectários, e costumam agir de modo contrário ao que Jesus aconselhava; não percebem esta contradição, e se sentem em condição superior. É a postura Batoré, de quem acha que é bonito ser feio.

Católicos Malucos

Católicos Malucos? Temos!

Como no print acima, que tirei do perfil de um dos católicos. Durante a discussão, ele ficou convicto que sou muito burro, mas acredita piamente que ele, que rejeita de forma arrogante qualquer um que não pense como ele, está unindo os homens. Sim, está unindo… contra eles.

É uma lástima. Jesus, esteja onde estiver, deve ficar desgostoso com tanta incoerência e soberba intelectual e, também, tendo sido alguém que acolhia a todos, deve ficar frustrado ao ver seus SEGUIDORES rejeitando qualquer um que não aceite um determinado modelo teológico, limitado, como tudo que é humano.

A primeira dificuldade de alguns católicos é se dar conta da diferença entre (1) a adesão intelectual ao ideário bíblico, e (2) as ações PRÁTICAS e constantes sugeridas neste ideário, que o(a) tornam um(a) verdadeiro(a) cristã(o). A fé sem obras é morta.

No final da discussão comentada no início deste texto, eu disse que “a Teologia não tem a menor importância no contexto geral das coisas”, pois o que importava para Jesus (e ele deixou isso muito claro), é o Perdão e o Amor Fraternal ao próximo.

Ao que o digníssimo discordante, que fez questão de citar as pomposas e difíceis palavras hermenêutica e exegese umas tantas vezes, me pergunta: “Como você quer ser salvo se desobedece a Cristo?” provando que sequer é capaz de ler cuidadosamente um mero twitt, em que deixo subentendido de forma bastante clara que devo ser salvo praticando O PERDÃO E O AMOR FRATERNAL AO PRÓXIMO.

Citar a exegese é fácil, difícil é aplicá-la.

Para o cerebrozinho de ervilha, obedecer a Cristo significa aderir mentalmente a um modelo teológico, pouco importa se ficará julgando desconhecidos de “analfabeto funcional” ou “palpiteiro de twitter”, ou de…

HEREGES

Sim, amigos, ontem ganhei o rótulo de herege. Os caras ainda vivem na idade média.

Quando Jesus salvou uma mulher do apedrejamento, não perguntou a ela ou aos homens ali presentes se alguns deles tinham “preparo intelectual”, ou o que sabiam sobre teologia, e sim, sugeriu que atirasse a primeira pedra quem não tivesse pecado.

Cristianismo é prática, é a decisão que você toma diante da opção entre agredir ou acolher seu semelhante.

Ironicamente, diante de qualquer questionamento, muitos cristãos não hesitam em queimar as pessoas em suas fogueiras verbais.

Diante de questionamentos lógicos básicos, que Cristo – detentor da própria inteligência divina – compreenderia perfeitamente, cristãos alegam um conhecimento teológico maior e mais profundo que, por desconhecermos, segundo eles que se consideram ungidos, sequer temos legitimidade para questionar.

Sem legenda, para não ofender ninguém

Sem legenda, para não ofender ninguém

Os cristãos reduzem a mente de Cristo ao minúsculo tamanho de suas próprias mentes, eles realmente acham que Jesus pensa como eles, em vez de tentarem, apenas TENTAR enxergar o mundo sob a visão ampla do próprio Deus.

Ora, teologia é uma masturbação intelectual, em que homens com bastante tempo livre ficam em busca de entendimentos sutis nas escrituras, inacessíveis ao leigo, para que o leigo se sinta ignorante e o teólogo, superior. Ao final, têm em mãos um corpo teológico complexo, incompreensível, mais um entre várias teologias divergentes, e que só serve para embasar julgamentos àqueles que não o aceitam, ou que, pelos motivos mais óbvios, tem aquela desconfiança salutar de que nenhuma palavra humana seja capaz de explanar qualquer coisa próxima do que seja a divindade.

Crer que está “obedecendo a Cristo” e ter a certeza da própria salvação, por conhecer bem a Teologia, por seguir à risca certos versículos bíblicos – às vezes sem sentido prático – enquanto despreza, diminui e expulsa do convívio as pessoas que a desconhecem ou entendem que a existência é muito mais complexa que qualquer jogo de palavras teologais, é de uma limitação vergonhosa, e incoerente em relação à mensagem de Cristo sobre o amor ao próximo.

A parte boa de confrontar pessoas limitadas assim, é que elas nos ensinam a não ser igual a elas.

Se eu já achava a Teologia inútil antes, agora peguei aversão. É esse tipo de gente grosseira que fica a cargo da Teologia?

Quero distância.

E continuarei fazendo cada vez mais questão de dar esmolas a quem pedir, ajudar a quem me solicita uma mão solidária, e exercitar a paciência e o entendimento com as limitações das pessoas com as quais convivo, esperando humildemente que também elas tenham paciência e entendimento para com minhas evidentes limitações.

A Discussão

Adorar é Venerar, que é Idolatrar, que é Adorar

Adorar é Venerar, que é Idolatrar, que é Adorar

O fulano havia dito que idolatria é uma coisa, que a adoração a Cristo é outra, e que a Veneração aos Santos é outra.

Eu disse que, na prática, são sinônimos.

Alegam que a Teologia os distingue. E que olhar dicionários é coisa de leigo ignorante.

(Ok, da próxima vez vou procurar o significado das palavras na bula do primeiro remédio que encontrar)

Veja bem: Alguém que tenha tempo livre pode criar um livro de 100 páginas alegando que matar é diferente de assassinar.

Os países podem declarar guerra por essa diferença.

Mas na prática – e eu citei a prática na minha alegação inicial – na prática, matar é assassinar, e assassinar é matar.

A prática, esta situação que cristãos desconhecem amplamente.

Meus amigos discordantes podem espernear o quanto quiserem, podem dormir agarrados em suas teologias, mas no final das contas…

…na prática, idolatrar é adorar, adorar é venerar, e venerar é idolatrar.

No final, tudo se resume a para quem você baixa a cabeça, à espera do seu milagre de ocasião.

E cabe lembrar que a palavra veneração, que o fulano atribuía à postura adequada aos santos, é uma palavra de origem pagã:

Do Latim VENERARI, “adorar, reverenciar”, de VENUS, a deusa cujo nome queria dizer “amor, desejo sexual, beleza, encanto”, de uma base Indo-Europeia WEN-, “querer, desejar, satisfazer-se, ir atrás”.

Venerar: Venera: Vênus.

Ou seja, a incensada teologia sugere uma postura originalmente pagã diante dos santos católicos.

Bem natural, uma vez que os muitos santos católicos têm origem justamente nos muitos deuses romanos.

Sim, NA PRÁTICA, muitos católicos idolatram santos.

E tudo bem, porque isso não tem a menor importância no contexto geral da existência.

Você acha mesmo que Jesus se importa com isso? Tenho certeza que ele tem coisas mais importantes para se ocupar neste momento.

Inclusive, os muitos milagres alcançados sob a adoração aos santos (classificados sobre uma manobra retórica chamada “intercessão”) comprovam esta tese. Em Hebreus 11 diz-se que “a fé é a certeza de coisas que não se veem”, pouco importa exatamente quais sejam estas “coisas”.

Um protestante que se importe com esta “idolatria” também está gastando energia à toa.

Porque Jesus se importa mesmo é com o quanto você é capaz de Perdoar e o quanto é capaz de Amar ao Próximo.

E nesta tarefa, muitos católicos e protestantes deixam a desejar.

Talvez por isso mesmo se agarrem tanto a abstrações teológicas.

Aliás, perdoar e ajudar dá trabalho; bem mais fácil ficarem mascando esse chiclete mental debruçados sobre livros no conforto de casa, do que sair para as ruas levar alimento aos pobres.

Está explicado porque Jesus não volta. Imagina ter se sacrificado para ensinar o Perdão e o Amor ao Próximo, contrariando a natureza humana egoísta e autocentrada, e encontrar um bando de malucos cultuando minúcias bíblicas, interpretações irrelevantes e regras idiotas.

É impressionante que quando presumimos a discordância óbvia de Jesus diante de atos e posturas católicas ou protestantes bizarras, das quais Jesus sentiria vergonha, os cristãos ficam profundamente irritados. Não se permitem questionar e não gostam que questionem.

Vivem aprisionados na prisão mental do dogmatismo.

Não se permitem abstrair – meramente ABSTRAIR – suposições e conjecturas.

E ficam irritados quando alguém se atreve a fazer questionamentos elementares.

Se Cristo ensinou algo com sua passagem neste plano material miserável, foi o sacrifício do próprio ego: Sacrificou o próprio.

Está aí algo que, de fato, os cristãos precisam muito.

E Jesus [..] disse-lhes: Os sãos não necessitam de médico, mas, sim, os que estão doentes; eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores ao arrependimento. Marcos 2:17