Desde o surgimento da internet, o jornalismo vem vivendo uma crise.

Primeiramente, uma crise financeira.

A internet possibilitou o barateamento da publicação de notícias e também proporcionou uma disseminação imediata da informação jamais sonhada pelos jornalistas do século XX. Logo, ninguém mais precisa ficar comprando ou assinando jornais e revistas que se acumulam sem utilidade nos cantos das nossas casas. Mesmo as assinaturas online, hoje mais baratas, são dispensáveis, seja porque há portais que compartilham essas notícias gratuitamente, financiados por publicidade, seja porque na verdade as notícias atuais não são tão interessantes.

Caetano Veloso, num momento de surpreende lucidez, perguntava décadas atrás, na música Alegria, alegria: Quem lê tanta notícia?

You Are Fake News

Depois, vem uma crise muito pior que é a crise de credibilidade; é a crise que o jornalismo enfrenta atualmente.

Antigamente somente os poderosos questionavam a credibilidade dos jornais.

Abaixo, Silvio Santos explica porque não confia em jornalistas:

E abaixo, a partir da metade do vídeo, Orestes Quércia expressa sua indignação com o jornal Estadão.

Hoje o povo também questiona, graças a internet, que permite ver outros ângulos da notícia, se aprofundar sobre o assunto, e principalmente, ouvir outra vozes dissonantes.

Até o ano 2000 a imprensa detinha o monopólio da “verdade”.

Eu estou lendo a biografia do Chateaubriand, que nada mais foi do que um déspota do jornalismo das décadas de 30 a 50.

Trump cunhou recentemente o termo fake-news e disse que a imprensa é inimiga do povo.

O assunto é complexo, a liberdade de expressão é um princípio sagrado, mas jornalistas se prevalecem desse princípio.

A verdade é a seguinte: Nenhum de nós temos noção do quanto jornalistas mentem, manipulam, dissimulam e publicam o que bem entendem para militar sobre seus interesses e ideologias.

Eu já tive a oportunidade de ler por três vezes, notícias que falavam de eventos que aconteceram próximos a mim, dos quais eu sabia detalhes.

Hoje, mais consciente da questão, lembro como me chamava a atenção o fato de, nestas “notícias”, os nomes dos envolvidos virem sempre errados, dos fatos em si serem superficialmente descritos, sempre com erros, aumentos, omissões ou inverdades, e a noção de que tive, à época, de que o jornalista não cumpriu seu trabalho devidamente.

Hoje sei que isso é corriqueiro. Jornalista é um fofoqueiro por natureza, e fofoca… você sabe: É um diz que me disse que no final das contas, a verdade sai vilipendiada, ruborizada de tanta vergonha. Parafraseando Nelson Rubens, hoje sabemos que jornalistas aumentam e inventam.

Não há na maioria das redações, um compromisso com a verdade. Lotadas de estagiários e jornalistas (mal) formados nestas nossas infelizes universidades progressistas (esquerda), só fazem filtrar as “notícias” que condizem com a narrativa…

…ou com os interesses dos donos dos jornais, os quais estão relacionados ou com dinheiro, ou com poder, quase sempre com os dois.

No caso do Brasil, atualmente, até bem pouco tempo atrás, veículos jornalísticos ganhavam polpudas remunerações por publicidades governamentais.

Eis que o governo Bolsonaro reduziu essas verbas drasticamente.

Ideologia

No caso da ideologia, aqui a coisa pega. As redações dos maiores veículos atuais mais parecem antros em que zumbis narram as notícias baseados em seus critérios ideológicos em como as coisas deviam ser e que fazem juízo sobre notícias que relatam a realidade não atendendo esses critérios.

Boa parte dos jornalistas contemporâneos desprezam os fatos, e publicam seus pontos de vista do quanto a realidade está errada em não seguir a cartilha ideológica que aprenderam na faculdade.

Jornalistas acham que tem a sublime missão de tornar o mundo melhor. Assim foram doutrinados, nas universidades, convencidos de que seriam a partir de então Agentes de Transformação Social. Se assim querem, que se tornem militantes declarados, agentes sociais etc Observe, atualmente as notícias giram em ações que foram feitas por uma mulher, por um negro, por um gay, por um pobre. Notícias sentimentais que mostram o quanto o mundo é injusto e o quanto o leitor – a pessoa comum – é responsável por o mundo ser como é devido aos seus preconceitos.

Se querem ser jornalistas, então que narrem o mundo do jeito cão que ele é, sem juízos de como ele deveria ser, ou do que nós podemos fazer para torná-lo melhor.

Pandemia, ou fraudemia?

A pandemia do corona-vírus é um capítulo à parte sobre o descrédito da imprensa.

É bem verdade que a imprensa é refém das notícias ruins, pois notícia boa não vende.

Imagine o que significou, para uma imprensa sôfrega e esquecida, uma pandemia em que todos de repente se sentiram vulneráveis à morte iminente?

O jornalismo se agarrou como pôde a esse tronco perdido na correnteza, e se engajou explicitamente na disseminação do pânico e do medo.

A saída para o jornalismo

Para o jornalismo sobreviver à crise pela qual passa, devo dizer – ciente do clichê – que ele precisa se reinventar.

Primeiramente, deixar a ideologia, e portanto, a insanidade, de lado, e se atentar aos fatos, à realidade, à lógica.

Abster-se de fazer juízo, a não ser de forma esclarecida, quando o objetivo é mesmo o jornalista dar sua opinião.

Jornalistas precisam ter noção de mundo, noção de lógica básica.

Bom senso, racionalidade, cautela, sem histeria, sem cientificismo, sem politização.

Eu poderia dizer mais, mas prefiro passar a palavra ao Mestre: