A crise do jornalismo tem solução?

A imprensa mente vertiginosamente, desde sempre.

Desde o surgimento da internet, o jornalismo vem vivendo uma prolongada crise.

Primeiramente, uma crise financeira.

A internet possibilitou o barateamento da publicação de notícias e também proporcionou uma disseminação imediata da informação jamais sonhada pelos jornalistas do século XX. Logo, ninguém mais precisa ficar comprando ou assinando jornais e revistas que se acumulam sem utilidade nos cantos das nossas casas. Mesmo as assinaturas online, hoje mais baratas, são dispensáveis, seja porque há portais que compartilham essas notícias gratuitamente, financiados por publicidade, seja porque na verdade a overdose de notícias das mídias digitais atuais não são tão interessantes.

Caetano Veloso, num momento de surpreende lucidez, perguntava décadas atrás, na música Alegria, alegria: Quem lê tanta notícia?

You Are Fake News

Depois, vem uma crise muito pior, que é a crise de credibilidade; a grande turbulência que o jornalismo enfrenta atualmente. Porque a internet mostrou para as pessoas o quanto a imprensa mente descaradamente, despudoradamente, o tempo todo.

Antigamente somente os poderosos questionavam a credibilidade dos jornais.

Abaixo, Silvio Santos explica porque não confia em jornalistas:

E abaixo, a partir da metade do vídeo, Orestes Quércia expressa sua indignação com o jornal Estadão.

Abaixo, o General Newton Cruz relata que já em fins da década de 70, mesmo apesar de todo o rigor censório do Regime Militar, a imprensa propagava narrativas, e não, fatos.

A verdade é que nem o exército dava conta da Imprensa…

[…]

Hoje o povo também questiona, graças a internet, que permite ver outros ângulos da notícia, se aprofundar sobre o assunto, e principalmente, ouvir outras vozes dissonantes e, com algum senso crítico, se dar conta que…

A IMPRENSA MENTE

Até o ano 2000 a imprensa detinha o monopólio da “verdade”.

Li recentemente a biografia do Chateaubriand, o grande empresário das comunicações brasileiras do início do século passado, o qual nada mais foi do que um déspota do jornalismo das décadas de 30 a 50. Qualquer um que despertasse a ira do Chatô tinha sua reputação destruída através dos artigos mais tendenciosos.

Trump cunhou recentemente o termo fake-news e disse que a imprensa é inimiga do povo.

O assunto é complexo, a liberdade de expressão é um princípio sagrado, mas jornalistas se prevalecem desse princípio.

A verdade é a seguinte: Nenhum de nós temos noção do quanto jornalistas mentem, manipulam, dissimulam, filtram e publicam o que bem entendem para militar sobre seus interesses financeiros e ideologias.

Eu já tive a oportunidade de ler por três vezes, notícias que falavam de eventos que aconteceram próximos a mim, dos quais eu sabia detalhes.

Hoje, mais consciente da questão, lembro como me chamava a atenção o fato de, nestas “notícias”, os nomes dos envolvidos virem sempre errados, dos fatos em si serem superficialmente narrados, sempre com erros, aumentos, omissões ou inverdades, e a noção de que tive, à época, de que o jornalista não cumpriu seu trabalho devidamente.

Hoje sei que isso é corriqueiro. Jornalista é um fofoqueiro por natureza, e fofoca… você sabe: É um diz que me disse que no final das contas, a lagartixa vira jacaré, a verdade sai vilipendiada, ruborizada de tanta vergonha. Parafraseando Nelson Rubens, hoje sabemos que jornalistas aumentam E inventam.

A imprensa mente porque não há na maioria das redações, um compromisso com a verdade. Lotadas de estagiários e jornalistas (mal) formados nestas nossas infelizes universidades progressistas (esquerda), só fazem filtrar as “notícias” que condizem com seu entendimento ideológico da realidade…

…ou com os interesses dos donos dos jornais, os quais estão relacionados com dinheiro e poder.

A imprensa mente

A imprensa mente

A imprensa mente

A imprensa mente

Às vezes, dinheiro DO poder. Acima, a desfaçatez do jornal que alterou o título da mesma matéria, utilizando um termo pejorativo para associá-lo ao governo Bolsonaro – orçamento secreto -, e usando um termo técnico – emenda de relator – imediatamente após as eleições ao perceber que o governo Lula usará do mesmo expediente.

Leia também: Sobre Fake-news

***

No caso do Brasil, atualmente, até bem pouco tempo atrás, veículos jornalísticos ganhavam polpudas remunerações por publicidades governamentais.

Eis que o governo Bolsonaro reduziu essas verbas drasticamente.

Ideologia

No caso da ideologia, aqui a coisa pega. As redações dos maiores veículos atuais mais parecem antros em que zumbis narram as notícias baseados em seus critérios ideológicos em como as coisas deviam ser e que fazem juízo sobre notícias que relatam a realidade não atendendo esses critérios.

Boa parte dos jornalistas contemporâneos desprezam os fatos, e publicam seus pontos de vista do quanto a realidade está errada em não seguir a cartilha ideológica que aprenderam na faculdade.

Jornalistas acham que tem a sublime missão de tornar o mundo melhor. Assim foram doutrinados, nas universidades, convencidos de que seriam a partir de então Agentes de Transformação Social. Se assim querem, que se tornem militantes declarados, agentes sociais etc Observe, atualmente as notícias giram em ações que foram feitas por uma mulher, por um negro, por um gay, por um pobre. Notícias sentimentais que mostram o quanto o mundo é injusto e o quanto o leitor – a pessoa comum – é responsável por o mundo ser como é devido aos seus preconceitos.

Se querem ser jornalistas, então que narrem o mundo do jeito cão que ele é, sem juízos de como ele deveria ser, ou do que nós podemos fazer para torná-lo melhor.

Pandemia, ou fraudemia?

A pandemia do corona-vírus é um capítulo à parte sobre o descrédito da imprensa.

É bem verdade que a imprensa é refém das notícias ruins, pois notícia boa não vende.

Imagine o que significou, para uma imprensa sôfrega e esquecida, uma pandemia em que todos de repente se sentiram vulneráveis à morte iminente?

O jornalismo se agarrou como pôde a esse tronco perdido na correnteza, e se engajou explicitamente na disseminação do pânico e do medo.

George Orwell

Orwell é conhecido como autor de livros em que a verdade oficial é manipulada por governos para alinhar a opinião pública ao encontro de seus interesses.

Certamente sua “ficção” era inspirada em observações de fatos reais. Percebeu o quanto a imprensa mente através de sua presença na Guerra Civil Espanhola:

Desde jovem percebi que nenhum acontecimento é relatado corretamente pelos jornais, mas foi na Espanha, pela primeira vez, que vi reportagens de jornais que não tinham qualquer relação com os fatos, nem mesmo a relação que está implícita numa mentira comum.

Vi relatos de grandes batalhas onde não houve combate e um silêncio completo onde centenas de homens foram mortos. Vi soldados que lutaram bravamente denunciados como covardes e traidores, e outros que nunca tinham visto um tiro aclamados como heróis de vitórias imaginárias e vi jornais em Londres divulgando essas mentiras e intelectuais afoitos construindo superestruturas emocionais sobre eventos que nunca ocorreram.

Vi a história ser escrita não pelo que aconteceu, mas pelo que deveria ter acontecido de acordo com várias ‘linhas partidárias’.

George Orwell, “Looking Back on the Spanish War” [1942] – Citação de Adaubam Pires, no twitter.

A crise do jornalismo tem solução?

Qual será o futuro do jornalismo? Taí uma questão cuja resposta ainda está em formação.

Para o jornalismo sobreviver à crise pela qual passa, devo dizer – ciente do clichê – que ele precisa se reinventar.

Primeiramente, deixar a ideologia, e portanto, a insanidade, de lado, e se atentar aos fatos, à realidade, à lógica.

Abster-se de fazer juízo, a não ser de forma esclarecida, quando o objetivo é mesmo o jornalista dar sua opinião.

Jornalistas precisam ter noção de mundo, noção de lógica básica.

Bom senso, racionalidade, cautela, sem histeria, sem cientificismo, sem politização.

Eu poderia dizer mais, mas prefiro passar a palavra ao Mestre: