Preso em Casa

Preso em Casa

O texto abaixo é uma união de vários pensamentos sobre a esta trágica pandemia que estamos vivendo.

Como o assunto é saúde, não quero que minha posição soe partidarizada. Quem concorda com o que compartilho a seguir, que bom!

Quem não concorda, tudo bem, estou torcendo por você também.

Sempre Contra a Corrente

Simplesmente não consigo ficar junto da maioria.

Concordo e muito com o evitamento de se sair as ruas, e da intensificação das práticas de higiene. Especialmente dos mais velhos, os quais estão quase sempre aposentados e realmente, não precisam ir as ruas.

Fechar escolas, proibir cultos religiosos e shows?

Vá lá.

Mas proibir comércios de abrir, bloquear entradas de cidades, não me desce.

Abaixo algumas considerações sobre o que tenho percebido ao longo desse caos hollywoodiano.

Autoritarismo

Governos Estaduais e Municipais fecham divisas e bloqueiam entradas das cidades.

Forçam a estadia das pessoas em casa, e fiscais da liberdade alheia expõe através de auto-falantes as pessoas que estão exercendo seu direito de ir e vir.

Mais do mesmo.

Do ponto de vista político-ideológico, estamos vendo um show de autoritarismo explícito, como sempre, tolhendo a liberdade das pessoas; como sempre, por uma “boa causa”.

Os fiscais da virtude alheia

Os camponeses virtuais com suas tochas e foices digitais dizem que protestam pela saúde das pessoas.

Sim, e não. São pessoas que têm sua renda / salário garantido, boa parte agentes públicos.

Eles NÃO SUPORTAM o trabalho, a rotina, o horário, as tarefas maçantes.

Que delícia salvar o mundo ficando em casa.

A grande tara dos SJW, os justiceiros sociais, de salvar o mundo, nunca foi tão fácil.

Eles olham as pessoas indo pra rua mesmo assim e não acreditam: Como pode eles não quererem salvar o mundo também? E dá-lhe tachá-los de irresponsáveis, expô-los ao ridículo.

Eles são apenas livres, e os justiceiros sociais juram mesmo que prezam pela saúde das pessoas.

Que nada. No máximo, das pessoas próximas. Apenas não suportam o mundo. Só querem curtir essas feriazinhas compulsivas em casa, sem fazer nada.

As pessoas que continuam afrontando o Estado exercendo sua liberdade deslegitimam os SJW, deixam-os desconfortáveis.

E tem também os fiscais da liberdade alheia:

“Se eu não posso sair as ruas, então ninguém pode.”

Pimenta nos olhos dos outros é refresco

Embora concorde com a razoabilidade das pessoas ficarem em casa, uma coisa é verdade:

Se este isolamento social afetasse diretamente os rendimentos dos agentes públicos (e dos jornalistas) engajados nesta “campanha de conscientização”, como vai afetar o dos comerciantes, autônomos e milhares de trabalhadores que perderão o emprego nas próximas semanas, não teríamos nem 10% de tamanho engajamento.

Tanta passionalidade pela defesa da saúde das pessoas não me convence.

Não existe altruísmo, o que existe é egos que não precisam defender a própria sobrevivência.

Hidroxicloroquina

Há vários episódios nos hospitais em que médicos desesperados estão medicando pacientes com a tal Hidroxicloroquina, obtendo resultados efetivos contra o Coronga-vírus (sic).

Pensa a tristeza que os justiceiros sociais sentem diante da iminente cura do corona.

‘cabou-se feriazinhas compulsivas.

(Helio Beltrão tem compartilhado várias coisas a esse respeito. Siga!)

Saúde x Economia

Há uma falsa simetria entre o dilema “vida dos entes queridos” e “economia”, porque a economia é um sistema social vivo que permite justamente que nos mantenhamos vivos.

Tudo, TUDO que usamos e que torna a nossa vida possível vem de algum processo econômico.

Uma recessão como a que se avizinha também vai matar, porém de outras causas e de forma não tão mensurável: doenças psicossomáticas, aumento da criminalidade e as consequências gerais do agravamento da miséria. Só em Baln. Camboriú, cidade vizinha aqui, ontem, teve 3 tentativas de suicídio.

O esforço deve ser conjunto, e não um cabo de guerra: a retomada gradual do comércio com medidas drásticas de higiene e distanciamento entre as pessoas, deixando as aglomerações como jogos de futebol, cultos religiosos e semelhantes por último.

Mais, aqui.

A Itália

Me viram defender a “economia”, sem entender que ao defender a economia estou defendendo a manutenção da vída já miserável dos mais pobres, e me perguntaram:

Você não está vendo o que está acontecendo na Itália?

Sim, estou vendo. Vejo aquela sequência de caixões nos salões e não me acredito.

É trágico e é triste.

Mas o Brasil não é a Itália.

A Itália tem uma renda per capita 3 vezes maior que a nossa e uma população quatro vezes menor.

É um país rico, se os italianos quiserem podem ficar um ano sem trabalhar.

Igualzinho a situação do brasileiro médio que ganha 1000 reais por mês e paga metade de aluguel, né?

Você sabe que não.

Já faltando comida na mesa de muitos, motivo mais que suficiente para entendermos que economia é o sistema dos vivos; que mantém vivo quem está vivo.

O santo dos santos disse em alguma ocasião: “Quem tem fome, tem pressa!”

Na situação miserável em que se encontra, por causa em grande parte dos políticos que mentem defendê-los, o brasileiro terá que enfrentar o vírus de frente.

Números

Os números são a melhor lente para se enxergar a realidade.

O coronavírus matou cerca de 15000 pessoas até agora, ao longo das últimas semanas. Não deu 60 dias ainda.

Cerca de 17,5 milhões de pessoas morrem anualmente no mundo, de problemas do coração, o que dá cerca de 47.945 mil mortes diárias.

Isso mesmo, só hoje, no mundo, cerca de 48 mil pessoas vão morrer de ataque cardíaco e afins.

Aconteceu dias atrás com o ex-ministro Bebiano, vindo a falecer aos 56 anos.

Pouco se fala a respeito.

Lave as mãos, evite tocar nos olhos, nariz e boca.

Mas não esqueça de cuidar do seu coração.