Observando a noite na frente de casa, ouvia de longe algumas vozes bêbadas.

Depois de alguns instantes, percebe que era uma vizinhança em fins de churrasco e em começo de ressacas.

As vozes se confundiam, ora cochichando segredos, ora exaltando certezas, e ele pouco entendia. Subitamente o fluxo sonoro se alinhou e entendeu três palavras.

Riu sozinho.

O bêbado, desabafando certamente alguma frustração, em tom chateado e descrente, concluiu:

…não ADIANTA(!) falar…

Riu porque se identificou com o bêbado chegando à conclusão com a qual ele mesmo vinha pautando suas decisões, desde alguns anos quando ouviu aquela frase iluminadora e definitiva; aquele proceder que evita muitos desgostos, decepções e gastos de energia à toa; conclusão que às vezes ele mesmo, sob infeliz entusiasmo, esquecia, em especial quando o assunto era política. A conclusão que todo adolescente deveria receber, por enfático conselho, já lhe adiantando o que viria pela frente; aquela conclusão alertando que…

Se precisa explicar, é porque não adianta explicar