Tens mais força do que imaginas, menina!

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Vitimismo social

O pensamento contemporâneo caminhou desastrosamente no século XX para uma supervalorização do vitimismo. Os fracos, que não são tão fracos assim, viram sua suposta fraqueza legitimada sob o rótulo de vítimas, jogaram o peso da responsabilidade por si mesmos nas costas de um culpado qualquer e ganharam a cômoda (des)esperança de que alguém venha heroicamente sanar seus problemas.

E esses heróis existem. E são essas pessoas que se intitulam de esquerda, principalmente os mais radicais, aqueles que levam suas ideias ao nível de crenças dogmáticas, incapazes de questionar sobre a possibilidade eventual de que algum conceito dito de direita possa ser válido. Gente que acredita que todos os seres humanos são naturalmente bonzinhos e pensariam como  os defensores dos fracos e oprimidos, caso estivessem em seu lugar.

Nem sempre é assim. Ironicamente, atribui-se ao Alcorão o seguinte dizer: “Alguns homens se esquecem de tudo, menos de serem ingratos.”

Esta observação do site Mídia Sem Máscara demonstra na prática o que pode acontecer caso os oprimidos ocupem os lugares dos opressores. O texto discorre sobre a possibilidade da Bélgica se tornar um país muçulmano, devido às amplas liberdades que os imigrantes foram adquirindo, após as bondosas ações em prol do multiculturalismo promovidas pelos parlamentares da esquerda belga. Trecho do site:

Sabe qual é a ironia da história? Os muçulmanos multiplicaram-se graças a defesa árdua do multiculturalismo pelos esquerdistas, que agora saem derrotados nas eleições justamente pelos islâmicos.

Pelo que se vê, a esquerda local se deu mal e o desastre alcançado fala por si. Isso quer dizer que a direita está com a razão? Acredito que não. O segmento nativo, conservador e de direita, ocidental e cristão da Bélgica reclama estar perdendo espaço para a cultura islâmica. Ok, está! Ou deve estar… só quem vive lá sabe dizer ao certo, ou nem isso! Porém, segundo o próprio texto, tudo tem caminhado de forma inacreditavelmente democrática e pacífica, o que não aconteceu durante toda a história da Europa na qual o cristianismo de impôs agressivamente através de ocupações, guerras e queima de gente viva.

Complicado, não? No texto o autor reclama que não há violência, nem mortes, mas que a imposição cultural é muito pior.

NÃO!!! Qualquer morte ou forma de violência é pior do que uma imposição cultural. Nenhuma cultura é autêntica, ela é um resultado orgânico de adaptação ao longo do tempo e das movimentações humanas no espaço.

O ser humano está o tempo todo provando do próprio veneno durante os ciclos históricos.

No caso da Bélgica, temos um caso típico do sujo falando do mal lavado.

Exageros políticos

Nessa história toda, tanto o pessoal da direita política, quanto da esquerda, quando levam seus princípios ao extremo, cometem equívocos rizíveis. Tudo motivado por uma cegueira infantil fundamentada numa necessidade visceral de se estar certo.

Não estou dizendo também que os esquerdistas devem largar tudo e parar de lutar pela melhoria da sociedade. O mundo – principalmente os mais fracos – precisam deles como líderes que os ajudam a ter voz e se articular politicamente para conseguir e validar seus direitos. Só que precisam tomar cuidado com essa postura heroica de quem se preocupa com os fracos e oprimidos. Ajudar demais é tão prejudicial aos necessitados quanto não ajudar. Porque aquele que você ajudou pode simplesmente lhe passar uma rasteira (há um certo ressentimento do necessitado por ser necessitado e por se ver obrigado a aceitar a ajuda de gente que ele eventualmente e simplesmente não gosta).

Não há nada que nos obrigue moralmente a nos sentirmos responsáveis pelos outros só porque nascemos com privilégios naturais. Até porque o conceito de privilégio pode não ser tão casual assim. Não consigo aceitar a culpa e a obrigação de corrigir todos os problemas do mundo.

O judaísmo e depois o cristianismo serviram de subterfúgio para a inclinação natural de alguns seres humanos para a culpa, por milênios.

Uma vez que toda e qualquer inclinação natural era considerada pecado, motivos para a culpa gratuita não faltavam, havia pecados para todos os gostos, de modo que raramente alguém poderia dizer-se livre deles. Naquela época você era culpado até por ter nascido.

Com o declínio da influência cristã o ser humano não tardou em criar outro sistema de pensamento no qual somos de alguma forma culpados, e agora também responsáveis, desta vez por todas as mazelas do mundo:

A esquerda política.

Quando entenderem que a justiça plena não é desse mundo, perceberão que o humanitarismo tem limite.

Motivos espirituais para a opressão

Do ponto de vista espiritual, não há vítimas. E eu nunca consigo deixar de ver o lado espiritual junto ao lado prático. Todos os indivíduos são de alguma forma responsáveis pelas situações que vivem, por mais injustas que aparentem ser numa visão superficial, e toda visão materialista é superficial, porque nunca leva me conta o passado espiritual de cada ser e nem as necessidades que ele tem para sua evolução como um ser íntegro e autônomo.

Há duas motivações espirituais possíveis para a opressão. A primeira diria que todo oprimido é oprimido porque está vivendo e sofrendo as consequências exatas que proporcionaria aos outros caso estivesse no lugar dos opressores. A segunda é que a opressão oferece ao oprimido as oportunidades para crescerem como indivíduos. Afinal é sabido que é na crise e em meio a problemas que o indivíduo se fortalece. Lembrando que essa opressão nem sempre vem de outra pessoa, mas também pode surgir de limitações físicas ou qualquer tipo de limitação de origem natural.

Como é difícil dizer isso. Me sinto um místico lunático e fascista. Porém, como eu sempre digo, me baseio na realidade, e não é de hoje que desconfio profundamente que a realidade e a natureza são mesmo um tanto fascistas. A natureza não tem pena de ninguém. Nem D-E-U-S tem pena de ninguém, ou talvez tenha, quem poderá dizer? A realidade é o que é e muitas pessoas estão sofrendo agora, nesse momento. Se o mundo for fruto de um acaso, estão tudo é de fato injusto. Mas se a existência é fruto de um plano inteligente e justo cujo entendimento pleno não temos acesso, então é bem possível que haja um motivo para cada sofrimento e para cada alegria, o qual muito provavelmente depende unicamente de nós mesmos e de nossa postura íntima.

Eu prefiro continuar acreditando nessa segunda alternativa.

É indigno ser vítima

Toda reclamaçãozinha é o seu lado vitiminha coitadinha clamando por atenção e proteção esperando que alguém (marido, esposa, mãe, pai, patrão, governo, deus) lhe salve das dificuldades e da responsabilidade de ser o que você veio ser nesse mundo.

Se todos nós tivéssemos dignidade plena, JAMAIS reclamaríamos um pio. Porque há grande chance de já termos mais do que precisamos, ou no mínimo, exatamente o que precisamos.

Nossos próximos até podem nos dar uma mão, mas quanto mais aceitamos isso, mais atrasamos nossa própria caminhada existencial rumo ao progresso e ao melhoramento pessoal.

Porque no final das contas, um dia eles partirão, e seremos só nós e a natureza, e ela não terá pena de nós.