RIO: UM MERGULHO NO INFERNO

Entenda a genealogia do desastre

Por Rodrigo Mezzomo

Crise no Rio de Janeiro

Recapitular o que aconteceu nos últimos 35 / 40 anos na política do Rio de Janeiro ajuda a entender como descemos ao inferno.

Para que a postagem não reste quilométrica, vou me ater aos governadores (certamente que os prefeitos e o Governo Federal tiveram grande parcela de culpa, mas isso fica para outro momento).

Comecemos por Brizola, a origem de todo mal, o “ovo da serpente”.

Esquerdista feroz, getulista radical, de personalidade autoritária e carismática, incompetente, demagogo e populista insuperável. Brizola foi uma “hecatombe política”.

Os terríveis efeitos de seu “socialismo moreno” ainda hoje deterioram e danificam nosso tecido social.

Ele era cunhado de João Goulart, esse, ao seu turno, ex ministro de Getúlio Vargas, em 1953, e ex presidente, entre 1961 e 1964 (afastado pelos militares).

Em suma, Brizola não era corrupto, mas a bandidolatria certamente começou com ele! É ali que o “Comando Vermelho” ganha musculatura.

Além disso, Brizola não apenas deu o aval, como incentivou a desordem urbana e a favelização se alastrou dramaticamente.

Para sintetizarmos o pensamento vigente, o pseudointelectual e duble de antropólogo Darcy Ribeiro, então vice-governador, expunha sua visão de mundo: “Favela não é problema, é solução”.

Ali foi o ponto de inflexão, pois a partir de Brizola o Rio de Janeiro nunca mais se recuperou.

A metástase populista que necrosou a política fluminense teve continuidade. O bastão foi passado ao senhor Wellington Moreira Franco, que governou entre 1987 e 1991.

Na juventude Moreira Franco foi ligado aos comunistas da Ação Popular, grupo revolucionário de orientação marxista maoísta.

Em 1969 Franco casou-se com Celina Vargas do Amaral Peixoto, neta de Getúlio Vargas e filha de Alzira Vargas do Amaral Peixoto e de Ernâni Amaral Peixoto.

Amaral Peixoto foi interventor de Getúlio Vargas no antigo Estado do Rio de Janeiro, de 1937 a 1945, e governador desse Estado de 1951 a 1955.

Cabe aqui lembrar que a cidade do Rio era Capital Federal (Distrito Federal) e o antigo Estado do Rio tinha Niterói como capital.

Com a criação de Brasília (1960), a cidade do Rio tornou-se Estado da Guanabara.

Em 1974 o antigo Estado do Rio e o Estado da Guanabara sofreram uma fusão e a Capital desse Novo Estado do Rio de Janeiro passou a ser a Cidade do Rio de Janeiro.

Voltando ao Moreira Franco, sendo ele genro de Amaral Peixoto, chegar ao governo do Estado foi tarefa relativamente fácil.

Amaral Peixoto e seu genro Moreira Franco encarnam o populismo de centro esquerda, ao melhor estilo getulista.

Paralelamente, do outro lado da Baía da Guanabara, Chagas Freitas governou o Estado da Guanabara (1971-1975) e, após a fusão, foi governador do novo Estado do Rio (1979-1983).

Sintetizo a figura de Chagas Freitas dizendo que ele era a versão carioca do famoso governador paulista Ademar de Barros, político que deu origem ao bordão “rouba, mas faz”

Chagas Freitas consolidou seu domínio dentro do MDB guanabarino e, com a transformação em PMDB dividiu poder com Amaral Peixoto.

Amaral Peixoto e Chagas Freitas deram forma, corpo e alma ao MDB, atual PMDB de Picciani, Sergio Cabral, Pezão e Eduardo Paes.

Espero que você tenha entendido porque o PMDB do Rio, sendo herdeiro destas pavorosas tradições, é tão populista, fisiológico, corrupto, demagogo e patrimonialista.

Mais recentemente Moreira Franco foi representante do PMDB na coordenação da campanha de Dilma Rousseff à presidência da República, ocupando posteriormente o cargo de Ministro no governo do PT.

Agora Moreira Franco é braço direito de Michel Temer. Acho que isso é autoexplicativo.

Dando prosseguimento, temos o advogado Marcelo Alencar.

Esquerdista desde os tempos de Getúlio Vargas, Alencar foi fiel escudeiro de Brizola, lhe sucedendo no segundo mandato.

( OBS: aos mais jovens é bom lembrar que Brizola governou por dois mandatos alternados. A sequencia é: Brizola – Moreira Franco – Brizola – Marcelo Alencar).

Por obvio, Alencar implantou, com algumas poucas variantes, o conhecido receituário centro-esquerda em sua gestão à frente do Palácio Guanabara .

Nessa trajetória, após Alencar, são inesquecíveis os nomes de Anthony Garotinho e Rosinha Matheus, ambos casados entre si e ambos governadores em sequência.

O casal Garotinho é oriundo do interior do Estado e seu estilo de fazer política resulta da influência, por um lado, de Amaral Peixoto e, por outro, de Brizola.

Como nota final o Casal Garotinho mistura – sem qualquer pudor – política e fé evangélica.

Entremeando o governo de ambos, temos o PT no comando do Estado.

Benedita da Silva – com seu indefectível slogan “Mulher, Negra e Favelada” – nos dá o tom de sua cosmovisão política.

Militante histórica do petismo e dos movimentos raciais, por ser vice de Garotinho, assume quando este se lança à Presidência da República em 2002.

Posso sintetizar dizendo que ela foi a mulher errada, no lugar errado, na hora errada. Trata-se de pessoa de modesta inteligência e reduzida capacidade de entender relações da causa e efeito.

Depois disso não restava quase nada do Rio de Janeiro.

Foi nesse momento que as portas se abriram para o saqueador Sérgio Cabral Filho e sua trupe dessem o tiro de misericórdia.

Seu bando roubou tudo, sem dó ou piedade, sem clemência ou compaixão!

Cabral governou o Rio não uma, mas duas vezes, em tenebrosos mandatos consecutivos (a reeleição era permitida).

Cabral – cuja ganância assume proporções apocalípticas e a capacidade de mentir é tipica dos psicopatas – foi o maior bandido a ocupar o cargo de governador até hoje.

Oriundo das piores tradições chaguistas do PMDB, tem sua trajetória política ligada à agenda da centro esquerda demagógica e populista.

Ele é filho do jornalista Sérgio Cabral, conhecido militante esquerdista e fundador do jornal “O Pasquim”, criado em 1969.

Cabral é contraparente do Senador mineiro Aécio Neves, que também responde graves acusações de corrupção na Lava-jato.

Aécio Neves, por sua vez, é sobrinho neto de Tancredo Neves, ex Ministro da Justiça durante o governo de Getúlio Vargas (sempre o maldito Getúlio Vargas).

Essa longa e grotesca corrente de diferentes tipos de esquerda (getulista, chaguista, peixotista, brizolista ou petista) deságua agora em Pezão!

Pezão dispensa maiores comentários. Um homem de poucas qualidades. As poucas que possui estão muito bem escondidas.

Após tudo isso, espero que você tenha entendido como chegamos nessa situação de absoluta calamidade pública.

Como descemos ao inferno? Resposta: como demonstrado, foram diversos tons de vermelho que nos fizeram mergulhar no inferno!

***

Obs.: Esses políticos não vieram de Marte.

Obs.: 2 – O que nos trouxe até aqui foi o excesso de malandragem, a exagerada malícia, o espírito de vadiagem. A cultura da esperteza, do jeitinho, da vontade de levar vantagem, de burlar as regras…

Em suma: vai malandra… vai malandra…

Obs.: 3 – A parceria “Cabral – Lula – Dilma” é um (terrível) capítulo à parte.

Obs.: 4 – Nossos prefeitos também foram ligados ao esquerdismo, mas isso fica para outra postagem.

Obs.: 5 – O melhor governador que tivemos foi o saudoso Carlos Lacerda, mas isso é outra história. Meu amigo Lucas Berlanza pode nos contar melhor sobre isso.

Obs.: 6 – A única esquerda que ainda não governou o Rio nesses 40 anos foi a esquerda ultra-radical, ao estilo Psol, PCdoB e Pstu.

Nada é tão ruim que não possa piorar.

Populismo

Na verdade, o nome do fenômeno que destruiu o Rio de Janeiro tal qual o conhecíamos até a década de 60, nesta sequência de governadores incompetentes, chama-se populismo, movimento político de esquerda, que busca colocar no governo a solução de todos os problemas, criando uma dependência do povo em relação a ele, enquanto, a esta altura do campeonato, já sabemos que o governo é justamente a causa de todos os problemas.

Já tratei deste tema brevemente neste artigo: Populismo na América Latina.

O socialismo dura até quando acaba o dinheiro

E há um aspecto da crise no Rio que vale a pena ser citado:

Enquanto houver dinheiro, governos socialistas e populistas vão se sustentando, bem ou mal. Mas devido ao ódio natural dos socialistas ao capitalismo, que é o único sistema capaz de gerar alguma riqueza de forma contínua e sustentável, esses mesmos socialistas não costumam ser muito bons em angariar recursos para financiar seus devaneios de justiça social.

Sendo assim eles partem para o expediente da criação ou aumento de impostos. Enquanto a economia segue bem, com indústria, comércio e serviços gerando riqueza, a sociedade vai aguentando os impostos até certo tempo.

O Rio nunca foi uma região industrial manufatureira de alta tecnologia (na verdade nenhuma região do Brasil é). O setor industrial do Rio sempre se fundamentou na exportação de petróleo, siderurgia e metalurgia, esses itens mais brutos. Tem um setor de comércio e serviços considerável, mas bastante dependente de outros segmentos, como o turismo e a exportação de petróleo. Enquanto o preço do petróleo estava bom, o governo do Estado conseguia arcar com seus compromissos. Quando o preço do petróleo baixou demais, já sem condições de aumentar ainda mais os impostos sob o risco de sufocar a própria economia, o governo do Rio quebrou, não tem mais dinheiro para investir nas questões básicas como educação, saúde e especialmente, segurança, e segue com os salários do funcionalismo público atrasados. Uma hora, a conta chega.

Sem dinheiro, sem socialismo.