‪#‎MeuAmigoSecreto‬ é mulher, feminista e se sensibiliza enormemente com a violência contra as mulheres (com razão). Mas ontem, ao se deparar com uma crítica ao movimento MeuAmigoSecreto vinda de uma mulher, censurou a crítica de modo grosseiro e hostil. A mulher que criticou o movimento excluiu o post, porque aquela que diz lutar pelos direitos das mulheres não aprendeu nem a ouvir e aceitar o que as próprias mulheres têm a dizer.

Explicando

feminaziNa terça-feira (24) uma nova campanha surgiu nas redes sociais para denunciar situações machistas e de violência de gênero. Com a hashtag #MeuAmigoSecreto, centenas de mulheres relataram no Facebook casos de machismo envolvendo homens que fazem parte de seus convívios sociais, como amigos e familiares.

Mas ontem, uma moça que tenho como contato no Facebook teceu uma crítica ao movimento feminista #MeuAmigoSecreto. Mas não era uma crítica contra o movimento, e sim, um estímulo para que as mulheres fossem além, e enfrentem a situação, “falando na cara” dos indivíduos, em fez de ficarem só com indiretas. Porque indireta, , não costuma surtir muito efeito e soa infantil.

Houve forte patrulhamento ideológico de outras mulheres solicitando que ela “não diminuísse o movimento”. Um comentário, aliás, foi bastante grosseiro e hostil. De mulher pra mulher.

Isso porque um dos direitos das mulheres que se defende é o de se expressarem.

Só que: Não diminua o movimento = Fica quieta

E foi o que aconteceu: Ela excluiu o post.

E eu fico pensando que feminismo é esse que não é capaz de nem de ouvir mulheres que PENSAM, com suas críticas construtivas; que enxerga oposição onde só há crítica; que não deixa elas nem expressarem o que pensam.

Só tá valendo quem vai junto da manada, e quem adota o pensamento único.

Daí você entende exatamente porque o feminismo, que tem uma causa tão nobre e necessária, demorou para ser levado a sério, e continua sendo bastante questionado.

E compreende porque surgiu o termo “feminazi“. Feministas dizem que não existem faminazis, e ironizam esse rótulo, mas existem sim, ainda que uma minoria: São mulheres intelectualmente autoritárias, certas que detém a verdade, sempre muito hostis e grosseiras com quem discorda delas, inclusive, e surpreendentemente, com mulheres.

Enquanto tiver essas cabecinhas incapazes de pensar e de fazer auto-crítica, o feminismo vai continuar assim.

Ps.: Eu sei que feminismo e nazismo não têm nada a ver fundamentalmente. Adoto o termo feminazi aqui de acordo com o sentido já popularizado do termo.

Mais

Nesta semana de fevereiro de 2016, a atriz Fernanda Torres escreveu um artigo criticando o feminismo. As feministas, claro, não suportaram a crítica e caíram de pau em cima da atriz. Esta, então, se retratou e pediu desculpas.

Fiasqueira de ambos os lados.

Alexandre Soares Silva comentou:

Tive uma vez uma cãibra na batata da perna que durou mais que a coragem da Fernanda Torres.

E a feminista Cynthia Semiramis fechou o assunto muito sabiamente:

Fernanda Torres está sempre errada. Se não se manifesta sobre machismo é conivente e está errada. Quando se manifesta, escreve mal e está tão errada que a vida e a carreira dela imediatamente caem em descrédito. Quando se retrata pelo que escreveu está errada por se retratar ou por se retratar rápido e sem reflexão E TAMBÉM está errada por não ter pedido desculpas ou sofrido o suficiente.

Mesmo quando a escrita tem pontos equivocados estamos falando de um ato isolado e não o julgamento da vida toda. E pelo andar das exigências de retratação, daqui a pouco vão exigir mea culpa em três vias e filmagem de chicotadas em praça pública como prova de arrependimento. Fica a impressão de que, não importa o que você diga (especialmente sobre mulheres e feminismo), está sempre errada e nunca vai se penitenciar o suficiente por exercer seu direito (arduamente conquistado) de manifestação de pensamento.