Acompanho o Lucas Mafaldo há um bom tempo no Facebook. O cara é sensacional e suas publicações em seu perfil são daquele tipo de opinião definitiva sobre os assuntos. Daí de repente o sujeito me aparece com estas pérolas sobre investimentos, e não pude deixar de publicar aqui neste meu repositório particular de textos de outros autores que considero definitivos.

Aqui o link para o original.

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Queria escrever uma série de artigos sobre finanças. Fico realmente triste ao ver tanta gente bater a cabeça na parede por não entender conceitos fundamentais.

Estou sem tempo, mas vou rapidamente enumerar uns pontos importantes que todos deveriam compreender.

1. Comece pelos conceitos

Um erro comum em quem se interessa por esse assunto é ficar obcecado com números. A coisa é reforçada pelos gerentes de banco que gostam de listar um monte de dados (poupança rende x%, CDB rende y%).

Nada disso importa muito se você não entender os conceitos básicos (aliás: muitos desses conselheiros não os entendem). Nós precisamos de modelos para compreender o mundo. Esses modelos são construídos a partir de conceitos básicos, como “renda”, “investimento” e “risco”. Comece por aí.

2. Entenda a diferença entre renda e patrimônio.

Renda é o fluxo: o dinheiro que entra no seu bolso. Patrimônio é estoque: o dinheiro que já está no seu bolso.

Os dois termos se referem dois tipos de riquezas diferentes. Elas estão relacionados, mas possuem lógicas distintas. É possível ter uma renda alta e patrimônio baixo (um cara pode ter um salário de 20 mil e dívidas milionárias) ou renda baixa e um patrimônio alto (um milhão no banco e estar aposentado).

3. Investimento é outro nome para “administrar patrimônio”

Quem não compreende a distinção anterior comete um erro clássico: o cara ficar nervoso porque está sem dinheiro e começa a ler muito sobre investimento.

Eis porque isso é um erro: investir é pegar o dinheiro que você JÁ POSSUI e colocar em algum lugar. Se você está sem dinheiro, você tem um problema de fluxo, isto é, você precisa PRIMEIRO arranjar uma fonte de renda antes de investir. Investir é administrar o dinheiro que está no seu bolso. Se seu bolso está vazio, você não tem o que investir.

4. Investir é arriscado (prepare-se para perder dinheiro)

A grande maioria das pessoas não tem patrimônio, então elas simplesmente não possuem a possibilidade de investir de verdade. Por isso, elas acabam criando uma série de fantasias sobre dinheiro. Elas começam a imaginar que investir é mais vantajoso do que realmente é.

Eis porque investir é difícil: o futuro é, por definição, incerto. É possível ganhar muito dinheiro em algumas apostas, mas é possível também PERDER dinheiro em outras.

O assalariado não entende isso porque, na pior das hipóteses (ser demitido), ele fica com 0 reais ao fim do mês. O investidor pode se sair pior do que 0: ele pode ficar com um retorno NEGATIVO ao fim do mês. Ou seja, ele pode começar com 100k, passar para 80k e até mesmo acabar com zero, jogando que passou anos juntando no lixo.

5. Investir é menos rentável do que você imagina

Isso é óbvio para quem é “financeiramente alfabetizado”, mas a grande maioria da população não entende esse ponto. A maioria das pessoas acha tão difícil juntar qualquer quantidade de dinheiro que imagina que terá retornos altíssimos assim que fizer o primeiro investimento.

Combinado com uma falta de formação matemática, isso gera a propensão dos brasileiros a caírem em esquemas de pirâmides. O sujeito junta 5 mil com tanta dificuldade que espera dobrar o dinheiro em poucos meses. Dica: se aparecer alguém com uma proposta boa demais, ou é fraude ou é alguém iludido. Nos dois casos, você vai perder tudo que poupou.

6. Apesar de estar sempre oscilando, o mercado tende ao equilíbrio (ou seja: não existe investimento mágico).

Explicar como o mercado funciona não é fácil (existe uma literatura enorme sobre isso), mas eis um resumo breve e útil: o mercado é um processo constante de descoberta, onde os preços estão sempre procurando se ajustar aos fundamentos.

Isso é outro jeito de dizer que não existe investimento mágico. Se existe uma empresa fantástica, o preço dela vai subir rapidamente ao ponto de que quem comprá-la não terá um retorno tão alto assim.

É possível ganhar dinheiro DURANTE o processo de ajuste, comprando e vendendo enquanto os preços se ajustam, tentando ficar um passo adiante da próxima mudança de preços. Isso é possível, mas é EXTREMAMENTE difícil, pois o mercado é uma espécie de inteligência coletiva, com milhões de operadores criando métodos cada vez mais sofisticados de prever essas oscilações.

Portanto, a probabilidade de você ser um super-gênio que consegue “vencer o mercado” é baixíssima. O preço atual dos ativos (ações, fundos, terrenos) provavelmente é um preço razoavelmente justo, isto é, um preço que te dará um retorno equivalente à média do mercado.

7. Então, como as pessoas ganham dinheiro com investimentos?

Uma resposta válida para a grande maioria dos casos: devagar, muito devagar.

Geralmente (e por definição), as pessoas costumam receber o retorno médio do mercado (menos os impostos e custos administrativos).

Isso significa que seu patrimônio cresce quando a economia vai bem e cai quando a economia vai mal. Quem é rápido e inteligente consegue ir trocando de ativos para conseguir um retorno acima da média, mas…. de novo: é difícil separar o que é genialidade ou sorte.

Bom, então qual é esse retorno médio?

Eis uma boa regra para tornar a coisa mais concreta: historicamente, um investimento que gere 0.5% ao mês acima da inflação já é muito bom. O bom dessa regra é que você pode ter uma boa ideia do seu retorno mensal dividindo o seu patrimônio por 200. Por exemplo: se você vai investir 200 mil, talvez você consiga tirar mil reais por mês com alguma segurança.

Mas isso tudo é muito variável. Se estivermos na véspera da próxima grande crise, talvez todos nós iremos perder uns 30% do patrimônio. Se estivermos na véspera de um novo “boom”, talvez dê para tirar 15% ao ano. Ninguém tem certeza.

Mas eis uma certeza: se alguém está oferecendo algo muito maior do que isso, essa pessoa está maluca ou está tentando te fazer de besta. Não seja besta.

8. “Peraí, 0.5% é muito pouco…”

Sim, é mesmo. Mas não brigue comigo. Brigue com aqueles que te venderam uma expectativa irrealista.

Essa é uma média histórica razoável (acima da inflação). Meu objetivo ao te dar esse número não é discutir minúcias (talvez seja 0.4%, talvez seja 0.75%), mas te dar uma base para que sua mente se concentre nesse conceito: investimentos não são uma fonte de renda confiável.

Se você ganha mais de mil reais, você mesmo é um investimento que vale mais do que 200 mil reais. Pense nisso: provavelmente, seu maior patrimônio é sua própria força de trabalho.

Isso é algo que os consultores financeiros nunca te dizem por dois motivos: (i) eles querem te vender investimentos; (ii) eles se concentram em números, não conceitos. Você vai se sair melhor na vida se aprender com um teórico que não está querendo te vender nada.

9. Hora do exercício

Antes de investir, você precisa ter dois tipos de controle financeiro: um balanço patrimonial (seu estoque) e uma declaração de renda (seu fluxo).

A sua declaração de renda mostra tudo que está entrando no seu bolso (renda) e tudo que está saindo (consumo). Se está entrando mais do que saindo, você está acumulando capital, ou seja, você está criando uma reserva que irá para seu patrimônio.

O seu patrimônio é tudo aquilo que você possui (seus ativos) menos tudo aquilo que você deve aos outros (seus passivos). Essa situação vai mudar todo mês: alguns ativos perderão valor (seu carro ficará mais velho), outros ganharão valor (seu imóvel ficou mais caro).

Cada pessoa tem uma situação totalmente específica. Não existe investimento certo. Existe decisões apropriadas para cada situação específica.

Peraí, que isso merece ser um tópico em si mesmo.

10. Não existe investimento correto ou errado

Esqueça essa história de procurar “bons investimentos”. Isso é geral demais. Você precisa de um plano específico, de algo adequado à SUA situação.

Cada pessoa é diferente e, portanto, precisa de um plano diferente. Todo mundo tem expectativas temporais diferentes, padrões de consumo diferentes, capacidades de rendimento diferentes, objetivos diferentes. Cada uma dessas coisas muda sua estratégia.

Volte ao exercício anterior, faça uma análise de onde você está e imagine onde você quer chegar. Faça um plano com base nisso e refaça o plano anualmente — no mínimo, afinal o mundo vai mudar e você mudará também.

11. Para a maioria das pessoas, renda é mais importante que investimento

Como eu não posso discutir todos os casos, vou apenas citar alguns casos mais comuns. Façam os ajustes para seus casos particulares.

A maioria das pessoas possui um patrimônio pequeno, logo, sua capacidade de ganhar dinheiro com investimentos é muito pequena. Faça aquele exercício e veja quanto dinheiro você gera (sua renda) e quanto dinheiro seu patrimônio gera (seus investimentos). Provavelmente, sua renda é muito mais importante do que seu patrimônio.

Como eu mencionei antes, se você ganha uns mil reais por mês, você mesmo é um ativo de 200 mil reais. Se você conseguir um jeito de aumentar seu valor de mercado e passar a ganhar 5 mil, você se tornará um milionário em certo sentido (isto é: você mesmo vai valer um milhão). Eu chutaria que para mais de 95% das pessoas que estão lendo isso, o seu melhor investimento é se concentrar na sua própria empregabilidade. O melhor conselho para esses 95% é: proteja seu emprego, pense em como aumentar seu salário e não pense muito em investimentos.

Digamos que esse cara do salário de mil reais tem 20 mil para investir. Ele pode esperar uns 100 reais por mês de retorno seguro ou passar horas na bolsa e, talvez, empurrar esse retorno para 200 ou 300 reais por mês (ou perder tudo).

Ou seja, se você tem pouco dinheiro para investir… simplesmente não vale a pena otimizar demais seus investimentos. Cada hora pensando em investimentos é uma hora a menos melhorando sua carreira. Você está tirando os olhos da galinha dos ovos de ouro (seu salário) e se concentrando em algo secundário.

Obviamente, isso muda totalmente se você for um milionário ou se já tiver pouco tempo de empregabilidade adiante (digamos: você tem 68 anos e um patrimônio de 2 milhões). Se você está longe disso, você provavelmente não precisa muito se preocupar com investimentos.

12. A maioria das pessoas deveria poupar mais

De novo: estou generalizando. Mas acho que esse é um ponto erro comum no Brasil: as pessoas subvalorizam a poupança.

Vejam que estou falando do ATO de poupar e não exatamente da “conta-poupança”. O ato de poupar significa GUARDAR dinheiro, ou seja, ter FLUXO de renda positivo. Onde colocar esse fluxo (poupança, tesouro-direito, embaixo do colchão) é outra coisa.

Poupar é difícil, porque significa adiar a satisfação. É ter o dinheiro para fazer a viagem, ir para o restaurante, comprar o eletrônico e, mesmo assim, guardá-lo. Além disso, a crise financeira deixou muita gente desempregada e, portanto incapaz de poupar (uma verdadeira tragédia nacional causada pelos criminosos de Brasília, mas isso é outra história).

Porém, apesar da dificuldade, poupar é o principal meio de enriquecimento para a grande maioria das pessoas. A poupança é o único jeito de começar a CRIAR um patrimônio para quem não começou herdando uma fortuna. Se você ganha 20 mil reais por mês e gasta 20 mil, nunca conseguirá juntar dinheiro para investir.

Tem dois jeitos de poupar: ganhar mais ou gastar menos. Os dois são difíceis, mas essa diferença é o excesso que irá turbinar seu patrimônio. Para os não-milionários, pensar no que dá para fazer dos dois lados é mais importante do que pensar onde investir.

Vamos voltar ao exemplo anterior: o patrimônio de alguém que tem 20 mil investido vai crescer uns 100 reais por mês. Para crescer 200 reais por mês, essa pessoa teria que encontrar retornos DUAS VEZES maiores que o mercado (o que é algo dificílimo e de altíssimo risco). Obviamente, é bem mais fácil descobrir como ganhar 100 reais a mais com bicos ou aumentos do que ser duas vezes mais eficiente que o mercado financeiro.

Portanto, isso nos dá uma segunda regra básica: além de se concentrar na sua fonte de renda, procure métodos de cortar gastos. Essa “sobra” no fluxo é muito mais importante do que discutir estratégias de investimento.

(De novo, isso depende da sua situação pessoal. A coisa começa a mudar quando o retorno dos seus investimentos fica maior do que a sua capacidade de poupança. Se você tiver duas planilhas — para o seu fluxo e seu estoque — será fácil identificar esse momento.)

13. Quitar dívidas é o melhor investimento

Uma dívida é um anti-investimento: é um passivo que “come” dinheiro na velocidade da taxa de juros. Logo, quitar dívidas é exatamente a mesma coisa que fazer um investimento garantido. Por isso, especialmente no Brasil, onde os juros são altos, eu só começaria a pensar em investir depois de ter zerado todas as dívidas.

Pode-se abrir uma exceção quando se tem uma dívida de juros baixos (como geralmente ocorre com imóveis). Investir com dívidas é ficar “alavancado”, isto é, juntar passivos e ativos ao mesmo tempo, na esperança que o retorno dos investimentos seja maior do que as perdas que vêm do financiamento. Pode ser uma boa decisão, mas é também um risco adicional que pode ocasionar perdas ainda maiores. É uma estratégia de investimento sofisticada que provavelmente deveria ser menos utilizada.

14. Cuidado com ativos que perdem valor

Muita gente coloca o patrimônio inteiro em ativos que perdem valor com o tempo (como carros). Isso é um tipo de consumo que deveria ser registrado no fluxo de caixa, colocando um valor necessário para substituir essas coisas.

Muita gente acha que está poupando enquanto está apenas fazendo um erro contábil: o dinheiro que parece estar indo para a poupança talvez não seja nem suficiente para cobrir as perdas com depreciação. Na hora de trocar o caro ou a geladeira é que a pessoa descobre que não conseguiu juntar nada para investir.

15. “Por que eu deveria investir mesmo?”

Espero que não estar deixando ninguém desanimado demais. Quero apenas ajudá-los a concentrar sua atenção na ordem certa dos fatores: primeiro renda, depois poupança e só então investimento.

Antes de se desanimar, eis o principal (e único) motivo para investir: você quer criar uma quantidade x de reservas até a data y. Talvez seja para ter um dinheiro ao se aposentar, deixar algo para os filhos ou um legado para alguma instituição. É um bom objetivo, mas veja que “x” e “y” são incertos. Tudo vai depender do futuro e da sua capacidade de adaptação.

16. Um guia minimalista de investimentos

Quando finalmente chegar na hora de investir, faça seu dever de casa: estude ao máximo os ativos que você irá adquirir e observe os riscos, os custos e o retorno esperado de cada tipo de investimento. Lembre-se também do prazo: invista somente dinheiro que você não irá precisar em determinada data, senão você talvez tenha que vender na baixa.

Para a grande maiorias dos casos, índices que acompanham a média do mercado com alguma diversificação é provavelmente o máximo de sofisticação necessária. Mas é aqui que você precisa usar sua própria inteligência. Se alguém tiver um super-investimento, ninguém vai te passá-lo… de graça.

Porém, lembre-se que esses investimentos não são sua fonte de riqueza: é apenas sua reserva. Troque “investir” por “administrar patrimônio”. “Investir” é como guardar comida na geladeira e roupa na gaveta. Sua fonte de riqueza sempre virá do “skin-in-the-game”, isto é, da sua responsabilidade.

17. Porque responsabilidade é o melhor investimento

Um princípio básico ao longo desse artigo é que não dá para “vencer o mercado” adivinhando o preço dos ativos antes do movimento dos mercados. Um efeito colateral de ler muito sobre investimentos é que as pessoas começam a pensar que é só escolher o “investimento certo” e se aposentar. Essa mentalidade é uma verdadeira armadilha. Ela retira as pessoas do fluxo da vida e as levam para um mundo imaginário.

O melhor investimento vem da responsabilidade. Não pense em “bons ativos”, mas em “ativos que eu QUERO administrar”. Comprar um restaurante pode ser uma ótima decisão se você quiser ficar todo dia lá dentro, ajeitado os detalhes para maximizar os retornos, ou um péssimo investimento, se você não souber administrá-la e deixá-lo quebrar.

Por isso, quando você tiver uma certa quantidade de reservas, você provavelmente fará bem em investir em algo próximo da sua área de atuação profissional. Depois de passar alguns anos ficando realmente bom em algo, você terá o conhecimento específico do setor para identificar ativos subvalorizados e, principalmente, para administrá-los bem depois de comprá-los.

Por outro lado, também é possível que esse conhecimento lhe alerte que essa área está estagnada e suas reservas servirão para você fazer uma transição (é aqui que entra o principal complemento da responsabilidade: a inteligência).

Essa é a segunda principal lição desse artigo: responsabilidade e inteligência são os seus principais ativos. Use-os para identificar oportunidades na sua área e para perceber a hora de usar suas reservas para cair fora.

18. A principal lição: dinheiro é só um meio; você precisa de um fim

Deixei o mais importante por último: o principal erro dos financista é pensar demais em dinheiro. Dinheiro é muito útil porque é o meio universal: dá para trocá-lo por outras coisas. Porém, por isso mesmo, ele também é um negócio meio estranho: não adianta nada ter dinheiro se não for para trocá-lo por outras coisas. Ou seja, ele é bom justamente porque a gente espera se livrar dele.

O Tio Patinhas é esquisito porque ele é um personagem apenas com meios e sem fins: ele acumula dinheiro, mas não quer fazer nada com ele. Ter uma piscina de moedas de ouro é a definição do absurdo. Pensar apenas em investimos é fazer exatamente a mesma coisa.

Por isso, em vez de pensar em dinheiro, é melhor pensar no que você vai fazer com o dinheiro: qual é seu plano para a sua vida? O que lhe dá sentido?

A busca por sentido passa também pela responsabilidade, isto é, por parar de pensar em planos super-abstratos (ter x reais na conta, se aposentar com y anos) e olhar ao seu redor: qual a sua situação específica e o que você quer realizar de concreto?

Essa é o único modo de ter um um padrão estável para organizar sua vida financeira. Dinheiro, por definição, é um negócio sem fim — ter um milhão só vai te fazer pensar ter 10 milhões, e assim por diante. Porém, se você tiver objetivos concretos, se estiver dentro do fluxo da vida, então você poderá ajustar suas decisões de poupança e consumo ao seu projeto pessoal — que, no fim das contas, importa muito mais do que um número na sua conta corrente.