Estava assistindo a um vídeo da terapeuta Gisela Vallin sobre uma questão que é muito usada contra certas filosofias espiritualistas, mas que é muito pouco, e muito mal respondida.

A terapeuta tenta, ao modo dela, responder a questão: Por que pessoas boas passam por maus momentos? Mas responde de forma muito longa e um tanto confusa, para algo que pode ser elucidado de forma mais simples.

Uma explicação mais simples, portanto, é que o conceito de “pessoa boa” é muito relativo.

A vida não tem pena de ninguém, porque do ponto de vista espiritual, não existem vítimas.

Existe apenas o plantar e colher, ao longo de nossas sucessivas existências.

A pessoa “boa”

Uma pessoa pode ser tranquila, sossegada, pacífica, e pode até mesmo ser alguém que ajuda muitas outras pessoas. Mas às vezes essa tranquilidade toda pode ser passividade, e muitas vezes o que a vida quer de nós é atitude, movimento, realização. Portanto essa pessoa é “boa”, mas ainda é um ser em evolução como qualquer outro, e a evolução espiritual é um caminho sem fim.

Luiz Gasparetto dizia que a vida prepara agora pra daqui a pouco. Sendo assim, mesmo pessoas já aparentemente adiantadas, ainda possuem um caminho de evolução a frente muito longo (imagina o nosso) e precisa de desafios para crescer tanto quanto nós, pois o ser humano só floresce mediante desafios, e a vida sabe como ninguém nos impôr desafios.

Então, além de analisarmos mais profundamente o que é “uma pessoa boa”, temos que ver também o que são “coisas ruins”. Do ponto de vista espiritual, até as tragédias mais tristes não passam de desafios a serem enfrentados e superados.

O mesmo vale para “pessoas ruins”. Ruim sob qual critério? Porque está brigando pra fazer seus valores pessoais valerem? Faz parte de ser evoluído saber brigar por nossos próprios valores, também.

Mas muitos espiritualistas acham que dá pra evoluir só na base do amor fraterno.

Mas nesse mundo tosco não dá não. Tem hora de ser bom e tem hora de ser ruim.

A moral espiritual é muito superior, complexa e relativa do que essa nossa moral social binária.

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