Um olhar mais racional sobre essa arte milenar de harmonização dos espaços

Baguá

Baguá

Eis que lancei um olhar mais cuidadoso ao Feng-shui.

Já havia ouvido falar desta área de conhecimento oriental há muito tempo, porém nunca dei muito valor. Me parecia esotérico demais, e a aplicação do Baguá na planta-baixa da casa me parecia, como parece ainda hoje, sem muito sentido.

No começo de dezembro agora, me deparei com este vídeo da Monica Tavares em que ela falava não exatamente de Feng-shui, mas da simbologia dos objetos da casa e como eles influenciam o bem-estar das pessoas que ali vivem.

Como eu já vinha com um interesse prévio sobre a simbologia das coisas, passei a prestar atenção ao que ela dizia em outros vídeos, e a autoridade dela sobre a simbologia dos objetos da casa me fez olhar com mais atenção ao que ela tinha a dizer sobre Harmonização do Lar e sobre o Feng-shui.

O resultado foi que eu passei as últimas semanas de Dezembro e as primeiras de Janeiro numa intensa limpeza e reorganização da minha casa.

Qual é a base da Harmonização da Casa?

Qualquer mente mais cética vai considerar este assunto uma bobagem. Portanto é ao povo mais sensível a uma visão holística das coisas que me dirijo.

Há um axioma hermético que prega que “o que está em cima é igual ao que está embaixo, e o que está fora é igual ao que está dentro.”

Essa é a base da Astrologia, por exemplo, base que também ecoa na frase: “Seja feita a vossa vontade, Assim na Terra como no Céu” da oração do Pai Nosso.

O fato é que há uma projeção entre nossa vibração espiritual e nosso entorno; nós materializamos nossos pensamentos e emoções na nossa realidade material diária, e nossa casa é o desdobramento imediato dessa realidade.

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Harmonização do Lar

A Harmonização do Lar pregada pela Mônica Tavares usa o Feng-shui como base.

Diz-se que o Feng-shui é um conhecimento milenar de origem chinesa.

Há coisas no Feng-shui que fazem sentido, outras não.

Na minha visão, a limpeza, a organização, a privacidade, posições de controle, a perfeita funcionalidade dos ambientes e dos objetos, o simbolismo de quadros e outros objetos decorativos, o desapego e a moderação quanto ao que guardamos em casa fazem muito sentido. O uso de cores devidamente consideradas também me parece muito efetivo, uma vez que a influência psicológica das cores no marketing e na publicidade já é mais do que comprovada.

O meu critério pra afirmar que algo faz sentido é o quanto a recomendação nos influencia psicologicamente no dia a dia. Tudo que citei acima, inegavelmente influencia positivamente nossa dinâmica diária em nosso lar.

E sob este critério, no entanto, há muitas coisas que não fazem muito sentido na harmonização doméstica. Eu cito o uso de cristais pendurados, preocupação com quinas e cantos, fios de cobre em volta dos canos, objetos místicos que “atraem sorte”, espelhos para dobrar a energia do local, e a atribuição de significados aos cantos das casas através do Baguá, principalmente pelo fato de que diferentes escolas de Feng-shui aplicam o Baguá em posições diferentes, umas baseadas na entrada da casa, outras nos pontos cardeais  – Qual está certa? Ninguém sabe.

O Baguá afirma, por exemplo numa das escolas, que a frente da casa pela porta de entrada sempre será as áreas dos Amigos, Trabalho e Espiritualidade, enquanto a parte central simboliza a Criatividade, a Saúde e Família, enquanto os fundos da casa sempre representarão Relacionamentos, Sucesso e Prosperidade.

Tudo isso independente da função dos cômodos. Na minha casa, por exemplo, a parte dos Relacionamentos fica na Cozinha e a Espiritualidade no Quarto.

É meio óbvio que a energia psíquica que atribuímos à função dos cômodos reflete melhor o que eles simbolizam. Minha sugestão seria:

Trabalho -> Escritório / Área de Serviço

Espiritualidade -> Biblioteca / Altar de Orações

Família ->  Sala de Estar / Mesa de Jantar

Prosperidade -> Cozinha / Churrasqueira

Sucesso -> Fachada / Área Externa (como nossa casa é vista)

Relacionamentos -> Quarto do Casal / Cama

Criatividade -> Quarto dos Filhos

Amigos ->  Sala de Visitas / Estar / Bar

Faz muito mais sentido, não é?

Por isso, por via das dúvidas e desencargo de consciência, acho que a melhor saída é mesclar os significados. Por exemplo, no meu caso em que o Quarto, área natural dos Relacionamentos, simboliza também a Espiritualidade eu sugeriria mesclar as recomendações para os dois significados: cores Rosa e Azul, o elemento Terra (que é comum às duas funções) e formas Quadradas e Retangulares, além dos Objetos aos Pares que evoquem amor e parceria.

Minha Casa, Meu Castelo

Um resumo prático do que é Harmonização do Lar seria dizer que você deve, na medida do possível, transformar sua casa no seu castelo. Trate-se como um Rei – ou Rainha – e é assim que o universo vai responder. Tudo deve estar muito bem organizado, todos os ambientes devem estar integrados, cuidados, funcionais. Todas as coisas devem estar funcionando e tudo deve estar sempre limpo. E não é preciso ser esotérico pra deduzir que cuidar melhor da sua casa vai melhorar seu bem estar, e que este bem estar diário certamente se projetará numa vida mais harmônica e fluida.

Intenção

Eu citei acima algumas recomendações do Feng-shui que não fazem muito sentido para mim. Mas talvez faça para você. Não vá por mim, vá por você.

A Mônica lembra muito que tudo que você faz na sua casa deve ser fundamentado pela intenção. Se você coloca um objeto vermelho na área do sucesso, é preciso que você mentalize que ele está sendo colocado ali para ancorar em você a lembrança e a vibração do sucesso.

Eu, particularmente, não acredito que amuletos e objetos tragam sorte, por isso não me faz muito sentido utilizá-los.

Mas se você gosta, acredita e mentaliza a intenção quando posicioná-los, talvez funcione. A fé tem esses mistérios.

Desapego

Como eu falei no início, passei umas 5 semanas reorganizando minha casa – uma casa pequena, diga-se.

Foi um processo inequivocamente emocional.

Remover os objetos de um determinado ambiente, limpar tudo, ambiente e objetos; recolocá-los no devido lugar, refletir sobre o que não tem espaço na nossa dinâmica de vida atual e considerar o desapego. Imaginar uma forma de se desfazer, uma vez que os objetos ainda podem servir a outras pessoas. Perceber depois de 8 anos nesta casa que certos objetos estavam muito mal guardados em locais inapropriados, quebrar a cabeça pra encontrar espaços mais adequados. Alguns toques de realocação de objetos para decorar e preencher melhor os ambientes, enfim.

Depois de tudo feito, o cenário é outro e você percebe que ainda dá pra mudar mais, organizar mais, se desfazer de mais coisas…

Tudo isso para restar ainda aqui ao meu lado alguns objetos os quais não sei ainda se vou me desfazer, ou encontrar uma função melhor para eles; e alguns objetos de valor afetivo cujo desprendimento deve levar ainda algum tempo.

Essa é a nossa ilusão, pensamos que nossa casa e os objetos que a preenchem e nos rodeiam são meros objetos. Alguns são, mas alguns têm conosco um laço emocional, por lembrar de pessoas e momentos. E se desfazer deles ou mesmo realocá-los para um justo e devido armazenamento exige certo esforço e cuidado.

Outra constatação que eu já vinha formando e se concretizou após os muitos vídeos da Mônica que assisti é que todos nós somos analfabetos simbólicos, ou seja, não entendemos NADA de simbologia das coisas. Nós temos pouquíssima noção do quanto o contato diário com as coisas que nos rodeiam influenciam nosso estado emocional. Quadros, objetos decorativos, cortinas, tapetes, revestimentos, materiais, cores, iluminação e outros itens comunicam mensagens subliminares o tempo todo, alteram profundamente a trajetória da nossa vida, e nós, nem aí.

A sensação final depois do muito que foi realizado é de um bem estar indescritível; sensação literal de cada coisa estar no seu devido lugar, muita coisa consertada, muita tranqueira devolvida para o universo e a sensação real de integração com a própria casa, coisa que, como homem já um pouco embrutecido com as dificuldades da vida, sempre desprezei.

Recomendo fortemente.