“ O olho é a lâmpada do corpo. Se teu olho é bom, todo o teu corpo se encherá de luz. Mas se ele é mau, todo teu corpo se encherá de escuridão. Se a luz que há em ti está apagada, imensa é a escuridão. ”

Bocas falam – Você se importa com o que dizem?

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Eu me importo, e odeio me importar. Quisera eu conseguir a façanha de permanecer impassível diante de uma crítica, principalmente das críticas inconscientes, de quem mal sabe do que está falando, afinal, BOCAS FALAM. Mas até quanto a estas continuo suscetível. Onde foi que eu ouvi que deveria ser “perfeitinho” e “bonzinho”? E porque acreditei nisso? Como fui acreditar que isto seria possível? Vai saber…

Dias atrás eu escrevi aqui um ponto de vista – como sempre pessoal – sobre a difícil iniciativa de largar o que não é mais “para nós”. Tem outro aspecto de nossa vida que exige semelhante atitude. É essa maldita importância que damos para o que os outros falam, ou pensam. Ah se conseguíssemos ignorar metade do que supomos pensarem de nós.

As pessoas no geral estão tão imersas no “paradigma da mediocridade”, que não se tocam que teriam muito a fazer caso se dispusessem a cuidar de suas próprias vidas. Há tanto por ser feito… Mas se concentrar nos vícios de comportamento alheios é MUITO mais fácil. Olhar para si e mais, fazer alguma coisa por si dá muito trabalho. Tem que pensar, refletir, tentar algo, enfrentar traços de nossa personalidade indesejáveis, os quais fingimos não existir, errar, aprender, ufa, só de pensar cansa, então vamos lá, por exemplo, especular o que o vizinho e sua a mulher fazem quando saem a noite… (eu sei o que eles fazem, eles estão cuidando de suas vidas)

Referindo-se ao meu texto já citado aqui, largar o que não nos serve mais é uma arte por demais difícil. Exige desapego de idéias concebidas como as ideais, mas que não funcionam. Entretanto, na arte de fofocar e falar mal da vida alheia o povo é exímio. Alguns parentes então tendem a ter na ponta da língua tudo que seria perfeito para nós. Mas quando tentamos nos justificar ( uma ótima forma de perder tempo ) e discorremos sobre nossos motivos, eles já estão pensando no que vão dizer em seguida. Nem atentam para o que dizemos. Sabe por que? Porque estão no piloto automático. Nível de consciência entre 0,5 e 1, numa escala de… vejamos… 100. Como nos escutariam com um mínimo de atenção - e educação?

Confesso me sentir vulnerável a esse tipo de atitude alheia – para com minha postura de vida. Se todos que teimam em me “sugerir” o que deveria fazer fossem perfeitos exemplos de vida e conduta, beleza, eu ficaria quieto consciente da inadequação do meu modo de vida. Mas não, há casos em que querem exigir de mim atitudes que tomaram em seus passados e pouco resolveu, pois hoje, sim, são infelizes.

Políticos tem aquele lema já antigo que aconselha:

Deixe falar e continue agindo.

Pois olha, não vejo outra postura mais adequada à nossa conduta pessoal do que esta, muito embora tal atitude exija de nós uma firmeza de propósito acentuada. Os fracos continuam hesitantes, tentando agradar quem no fundo, só se preocupa consigo mesmo, mas na hora de agir, prefere dar pitacos na vida alheia.

Talvez você, leitor, tenha facilidade com essas coisas. Talvez seja autosuficiente, independente, e tenha lá a sua privacidade. Que bom pra você. Eu não tenho, mas tenha certeza, não penso em outros objetivos de vida a cada minuto de minha vida.

Ronaud Pereira

Enviado em 22 de setembro de 2009 às 22:45

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