Por um mundo mais unido

Por um mundo mais unido

Apesar de compreender e aceitar a ampla validade de muitos dos fundamentos da Esquerda política, quase vomito a cada vez que  vejo essa turma da esquerda se vangloriando e se sentindo muito superior aos “reaças”, “coxinhas” e cia, se igualando a eles na soberba sectária.

Talvez esse cinismo esquerdista seja o que me impede de assumir de vez que a visão política de esquerda seja a salvação definitiva do mundo (além de eu acreditar que não exista salvação definitiva possível para o mundo).

O mesmo ocorre quando ouço uma feminista tiranizar homens, defensores dos negros tiranizando brancos, defensores da causa gay tiranizando héteros. Os opositores não devem ser combatidos, devem ser esclarecidos, convencidos. O combate até pode ocorrer, mas tem de ser um combate humano, inteligente, e não separatista e aniquilador.

No caso da política, é incoerente querer ser mais humano só com pobres. Se os pobres precisam de ajuda material, os conservadores precisam de ajuda intelectual, de orientação e conscientização, senão continuarão sendo conservadores até o fim dos tempos.

Até porque, do jeito que tem pobre de direita no Brasil, não é difícil visualizar que o pobre de hoje, na medida em que subir um pouquinho na vida, será o “reaça” de amanhã.

Não basta ser inteligente, como muitos esquerdistas são. É preciso ser humano, com todos, mesmo com quem às vezes esquece de sê-lo. É preciso ser político, no sentido mais nobre do termo, para não se esquecer de ser democrático. Porque essa certeza de que estão certos, e de que os outros estão miseravelmente errados e não precisariam existir, essa certeza toda, uma vez no poder, só poderá resultar, como já resultou, em ditaduras.

Reaja com inteligência mesmo a um tratamento não inteligente. Lao-Tsé

Ora, qual é a diferença essencial entre o rico que acredita que o pobre não precisava existir, e o intelectual que acredita que o rico não precisava existir?

Não vejo diferença alguma, fora que o rico tem sua ignorância fundamentada na redoma de proteção que seus privilégios criam, enquanto que o intelectual de esquerda, pretensamente inteligente e mais humano, mostra que não é tão inteligente assim.

O verdadeiro espírito democrático só é vivenciado pelo indivíduo que, por mais crente que seja em suas posições ideológicas, admita que possam estar equivocadas em algum nível e que as posições contrárias, por mais absurdas que lhe pareçam, podem ser válidas para um grupo considerável de pessoas.