E agora...

E agora…

Não é raro, durante a trajetória diária de nossas vidas, empacarmos diante de decisões que não conseguimos tomar. Mesmo sendo simples ou importantes, dependendo do temperamento de quem quer decidir, pode ser uma tarefa atormentadora, sobretudo diante daquelas decisões importantes na vida.

Talvez aquele sujeito decidido e bem resolvido passe pouco por situações como essa. Um espírito mais adiantado certamente já passou por tanto em sua trajetória espiritual, que já traz consigo uma intuição forte que se manifesta através justamente daquela resolução inata. O cara é resoluto, sabe o que quer e segue sua vida assertivamente sem se dispersar em vivências que pouco lhe acrescentarão além da confirmação e certeza de que tal vivência não lhe serve.

Por outro lado, vejo que um grande número de pessoas vive suas vidas um tanto à deriva, sem saber bem para onde estão indo. Não sabem se vão pra cá, pra lá, e, como não poderia deixar de ser, não chegam nunca a lugar algum. Porque vivem estagnadas diante de dilemas cuja resolução nem imaginam como obter ou quem sabe diante de dilemas cuja importância ainda não se deram conta. Basta que não tenham feito ainda, a si mesmos, aquela pergunta amedrontadora:

O que é que estou fazendo aqui!?

Enfim, ainda em situações mais brandas, porém não menos importantes, nos vemos diariamente diante de dilemas recorrentes e nunca sabemos ao certo por qual caminho optar. Se eu pudesse escolher a característica mais indesejável em mim, das tantas que tenho, certamente a indecisão seria a escolhida.

Mas há uma filosofia de ação muito válida para esses tipos de situação; para esses tipos de personalidades INDECISAS, hesitantes, que sabem COMO NINGUÉM encontrar os pontos negativos e positivos em cada situação. E por exercerem tão bem essa tarefa de analisar situações reais ou futuras e delas extrair os melhores e piores pontos, não sabem o que fazer.

Afinal, sabemos que todo fato ou situação tem seus aspectos bons e ruins. Mesmo a pior das tragédias coletivas, beneficiará os comerciantes que pouco a pouco farão fortuna na medida em que o povo vai adquirindo seus pertences novamente. Historicamente temos um ótimo exemplo que são os EUA. Enriqueceram as custas de uma Europa destruída pela segunda guerra mundial. Enfim, exemplos que reafirmam a máxima que diz que enquanto uns choram, outros sorriem, são inúmeros.

Experimenta! Experimenta! Experimenta!

O slogan deste subtítulo é aquele polêmico, da cerveja nova schin, mas sempre válido por sua mensagem sobre OUSADIA e AÇÃO. Esta é a filosofia que quero destacar, a da EXPERIMENTAÇÃO. Estamos aqui num mundo prático e de ação. Tudo que fica parado se desintegra. Seja uma pessoa, animal, carros, eletrônicos, enfim. Se ficarem parados por longo tempo, já não vão “funcionar” como se espera. Um navio atracado ao porto está seguro, porém se assim permanecer por muito tempo, seu casco apodrecerá. É no movimento e no enfrentamento que um navio exerce melhor sua função. Com as pessoas não é diferente. Este é verdadeiramente um mundo de ação. Então se estás indeciso, EXPERIMENTE!

Jamais saberemos como será qualquer situação, se não passarmos por ela. Podemos nos machucar, sim, e este é o preço da experiência, da certeza e da sabedoria.

O grande problema nisso tudo são os dramas que criamos: “E se eu arriscar meu dinheiro nesse projeto, posso perder tudo!” Sim, você pode perder todo o dinheiro. Mas você permanecerá vivo, com saúde (espero), e terá aprendido uma preciosa lição. Da próxima vez estará certamente muito mais preparado para lidar com um investimento de mesma proporção. O que não se pode nunca é perder a cabeça, ou seja, perturbar-se interiormente a ponto de desequilibrar-se. Mas quando sabemos o que estamos fazendo, tudo constitui lições e um investimento tanto pode dar errado como – levando-se em conta que todo investimento DEVE ser bem pensado e planejado – terá grandes chances de dar certo.

Outro drama pra lá de comum é o drama emocional. A moça pára e pergunta-se: “E agora, será que caso com o João ou com o Pedro?” Bom mesmo seria imitar a Aline do seriado global e ficar com os dois, não é? Pois bem, isso não é lá muito convencional e terá certamente de escolher.

E não haverá outro caminho a não ser seguir o coração e escolher logo. Sim, experimentar! E casar-se, se for o caso, ou seja, se somente casando você sentir a verdadeira entrega aos caminhos da vida. Se não der certo, e a separação for inevitável, o melhor é PERMANECER AO SEU LADO, ou seja, não recriminar-se por ter errado. Porque já não são erros e sim, lições. O correto é congratular-se por ter APRENDIDO. É da vida que uniões e separações ocorram, econômica e emocionalmente. Só as igrejas cristãs insistem em condenar o divórcio como pecado. Pra falar a verdade, Jesus pouco pronunciou-se a respeito do casamento. Aliás a mensagem de Jesus é belíssima. Os homens é que a interpretaram mal com suas mentes estreitas e paranoicas.

No fundo nada estará perdido. Em se casando, dentro de um ano você já terá a resposta exata para o dilema. E então, se for o caso, separe-se. Posso estar sendo superficial, entretanto creio que talvez essa não deva ser propriamente uma preocupação. A separação sempre ocorrerá na medida em que a dor de continuar se tornar maior que a dor de se afastar.

A vida sempre costuma nos dar segundas chances. É aquela história: Se você acha que novas e melhores oportunidades virão, você estará certo. Se você acha que o mundo acabou, também estará certo. Nós criamos nosso próprio mundo na medida em que o preenchemos de significados. Se os significados serão positivos ou negativos, a escolha, mais uma vez, será sua.

O fundamental nessa idéia da EXPERIMENTAÇÃO é você estar SEMPRE ciente de que o MUNDO NÃO VAI ACABAR caso você opte por determinada escolha. Repito: A vida sempre costuma nos dar segundas (e quase sempre melhores) chances. Nós é que dramatizamos!

Desapego

O desapego é uma das melhores formas de se tomar decisões, principalmente nas questões emocionais. Quando prendemos certos “caprichos” em nossa mente, estamos automaticamente nos prendendo a eles. O ser humano cria suas próprias prisões. Quando estamos para tomar certa decisão, é fundamental nos desapegarmos da alternativa preterida. Existe um lema espiritual muito útil nessas horas:

O que tiver que ser, será!

Isso significa que a alternativa preterida, de alguma forma, ficará esperando por você. A RENOVAÇÃO é inerente à natureza e como parte dela que somos, não poderia ser diferente conosco. Você é livre para RECOMEÇAR quando quiser. Se você errar ao optar por uma má escolha, esteja ciente que estará ao menos ganhando a certeza de que esta opção não lhe serve. E então será melhor ter essa certeza do que passar o resto da vida na escolha certa achando que poderia ser melhor de outro jeito, aquele que você não experimentou e não terá certeza que não lhe serve.