Deixa eu aqui, comigo mesmo

Deixa eu aqui, comigo mesmo

Um ar pra minha cabeça

De 2012: As olimpíadas acabaram e eu consegui NÃO assistir uma competição sequer. Nem sei quantas medalhas o Brasil conquistou e mal sinto curiosidade a respeito.

A vida vai passando, valores mudando, e vamos nos importando menos com o que está distante e mais com o que está próximo.

Até há bem pouco tempo atrás eu lamentava bastante o nível de alienação acentuado sob o qual as pessoas viviam.

Hoje vou indo pelo mesmo caminho.

Há muita coisa no mundo que simplesmente não faz parte da nossa vida. A alienação tem me parecido quase que uma questão de sanidade. Porque estar inteirado com o que se passa no mundo, em termos de política, economia, guerras e outras questões coletivas, muitas vezes não me parece mais do que uma enorme perda de tempo e energia.

É algo que na verdade lhe distrai das coisas realmente importantes da vida.

Ou lhe distrai de distrações mais interessantes 🙂

Sou um tanto contraditório nesse sentido, porque também tenho acreditado cada dia mais que o segredo da vida é saber se distrair.

Consciência e lucidez só servem para percebermos o quanto o mundo pode ser ruim, e a existência, insignificante.

Lucidez intelectual só nos torna pessimistas.

***

Os trechos abaixo são de 2016.

Politização ou aporrinhação?

midexa

mi dexa

Até dez anos atrás, era comum reclamarmos da alienação geral e da passividade bovina do brasileiro diante dos escalabros políticos de seu governo.

Hoje, o brasileiro está bem politizado, porém dentro de uma polarização que assusta.

As pessoas, que não conseguem resolver nem a própria vida, têm cada qual um plano infalível para consertar o país.

Hoje, admiro quem consegue ficar quietinho, só observando, sem se envolver nessas discussões acaloradas que se repetem a cada fato ou escândalo político.

Não curtem nada, não compartilham nada, não conversam por muito tempo sobre qualquer questão política, mesmo em meio a essa disputa diária pra ver quem está com a razão.

Como me interesso e acompanho nossa política desde um bom tempo já, mas já cansado de tanto esperar que este país finalmente se torne um lugar decente, digo por mim mesmo que às vezes, uma certa alienação em relação ao que está acontecendo no mundo é necessária para mantermos uma certa sanidade.

Porque no final das contas, enquanto nós aqui embaixo ficamos discutindo, perdendo tempo de trabalho  e gastando energia mental nos ocupando das façanhas dos nossos governantes, eles lá em cima continuam levando vida de rei, viajando, morando e comendo (nos dois sentidos) muito bem, sempre às nossas custas.

E sempre será assim; e como não podemos mudar isso facilmente, o jeito é pegar leve para não desanimarmos.

O mundo é bom

Às vezes, por alguma curiosidade qualquer, abro o Google Earth e dou uma olhada em algum ponto dos confins do planeta. Fico ali, viajando, refletindo sobre como deve ser a vida no lugar que ora me chama a atenção.

Daí me bate a seguinte reflexão: O mundo é basicamente um lugar pacífico. São 7 bilhões de seres espalhados mundo afora, boa parte vivendo em regiões rurais e/ou isoladas, vivendo sua vidinha de plantar, colher e viver.

Mas quando acessamos a internet, tv, jornais e mídia, parece que o mundo está a beira de um colapso. Creio que todo esse auê que ocorre no mundo é causado por menos de 100 milhões de pessoas. Sabe aquele conceito de “minoria barulhenta”? Pois então, as outras 6 bilhões e 900 milhões vivem basicamente em paz, com seus dramas humanos menores.

Essa percepção só me convence mais e mais da necessidade de se afastar da mídia e parar de acompanhar o noticiário que, como se sabe, é exímio na arte de colecionar problemas. Normal e humano, acontece conosco: Se temos 100 amigos e está tudo bem entre eles, mas nos desentendemos com UM amigo, é este que irá tomar nossa atenção.

Então, assim como devemos nos habituar aos 99 amigos que estão de bem conosco, que possamos também nos desligar de problemas que não são nossos, e vivermos em contato com a paz local com a qual temos a graça de viver.

Texto de 12 de agosto de 2012.