É clássica a cena que todos nós algum dia já imaginamos, nos bancos das salas de aula de história, quando o professor nos falava que o índio ficava todo maravilhado com os espelhinhos dos portugueses, e os trocavam facilmente por toneladas de pau-brasil, madeira caríssima aos europeus.

Na época das eleições, eu conversava com amigos: Enquanto estamos nessa lenga-lenga do privatiza não privatiza, do “petróleo é nosso” desde 1940, os gringos inventaram computador, windows, internet, protocolo www, google, iphone, facebook, youtube, whatsapp, enfim, um mundo digital paralelo que dispensará cada vez mais o petróleo.

Depois de 500 anos, o Brasil AINDA não cria praticamente nenhuma tecnologia relevante de alto valor agregado. Só compra de fora; importamos milhões de celulares com seus chips – lascas de silício de alto valor agregado – de EUA, Europa e China.

Entretanto, depois do pau-brasil, continuamos exportando muita cana-de-açúcar, muito café, e hoje exportamos muito minério bruto, muita carne e MUITA soja.

Se fizer um paralelo comparando o pau-brasil com a soja, e espelhos com celulares (que mais servem para publicar selfies do que qualquer outra coisa), no final das contas, 500 anos depois, ainda… AINDA estamos trocando espelhinhos por madeira.