É de conhecimento geral que o brasileiro tende a ler muito pouco.

Isso certamente tem várias razões e origens.

A principal delas, sob minha percepção, é que a vida aqui é difícil, corre-se demais atrás de dinheiro só pra sobreviver. Querer que o sujeito médio tenha ainda depois disso disposição para a leitura é pedir demais.

Mas há outras razões pelas quais o brasileiro lê tão pouco e se mostra tão desinteressado na atividade, e que poderíamos classificar como dificuldades circunstanciais, oriundas da ausência completa de qualquer tipo de orientação ou preparo em anos escolares, circunstâncias estas que se resolvidas, favoreceriam a retomada ou manutenção do hábito da leitura entre as pessoas.

Compartilho e comento a seguir algumas dessas dificuldades, um tanto óbvias, mas nem sempre percebidas, muito menos, resolvidas.

Redes Sociais

Uma delas são as redes sociais, especialmente o Facebook e Whatsapp. Elas nos distraem demais e, sem que percebamos, exaurem toda nossa energia mental.

Limitar nossa atenção diária às redes ajudará muito. Porque, falemos a verdade, 90% do que vemos nas redes sociais não passam de lixo mental e curiosidades dispensáveis.

Mesmo que seja para ficar parado sem fazer nada, a redução da atenção às mídias digitais servirá muito para poupar sua energia mental e trazer clareza ao seu raciocínio ou imaginação.

Disciplina

É preciso que haja certa disciplina, e portanto, regularidade, na atividade de leitura. Eu sempre fui de ler a noite, mas vim perdendo gradativamente a energia para manter este hábito ao fim do dia. Até que descobri que pela manhã eu tinha muito mais energia mental para dar conta de pelo menos um capítulo ou dois por dia. Desde então, estou concluindo meu sétimo livro neste ano, o que pode ser pouco se comparado aos leitores inveterados, mas para quem passou o ano passado sem ler nada, representa um ótimo recomeço.

Todos nós temos aqueles 15 minutos diários em que gastamos com qualquer atividade besta. Em 15 ou 20 minutos diários você termina um capítulo. Em um mês você termina qualquer livro que tenha em torno de 30 capítulos, que é uma média bem geral.

O assunto

Muitas vezes uma pessoa pode desinteressar-se completamente do hábito da leitura dependendo do azar que teve na escolha de seus primeiros livros. Qualquer um que tenha lido mais de dez livros na vida já pôde perceber que tanto os assuntos como os estilos dos autores diferenciam-se fortemente.

Há livros cuja capa ou título nos enganam, e nos apresentam um conteúdo maçante, chato, mal escrito ou até mesmo, mal traduzido. Que nos levam de lugar algum para nenhum lugar, que após ler um capítulo pela segunda vez, não conseguimos definir claramente o que o autor quis nos dizer.

Os exemplos são muitos, mas aqui abaixo cito o último exemplo de parágrafo insano que encontrei, que me fez desistir do livro em questão, no caso, sobre Astrologia, assunto pelo qual tenho me interessado bastante ultimamente:

“Aonde quer que haja perfeição, há imperfeição; aonde quer que haja ordem, há desordem. E aonde quer que haja um quebra-cabeça perfeito, há coincidência! Essa é a realidade verdadeira do universo em que vivemos. Para cada caminho no qual a Astrologia atua, ela não atua.”

Uma forma meio solene, meio poética de dizer o mais absoluto nada.

Então deixo a sugestão: Não se massacre, se você chegar a um terço de um livro e não tiver conseguido entender o que ele quer dizer, deixe-o de lado imediatamente. Talvez o assunto definitivamente não lhe interesse, talvez o autor escreva mal, talvez tenha sido um livro mal traduzido, talvez sua base de conhecimento não seja suficiente para compreender a mensagem do autor.

Mas efetivamente, não perca seu tempo.

O livro do qual tirei a citação acima, tem apenas 102 páginas e abandonei a leitura, diferentemente do livro A Bola de Neve, biografia de Warren Buffett de quase 900 páginas que li em menos de um mês, e com muito gosto e curiosidade, uma vez que todas as condições que comento aqui foram favoráveis:

Na época o Facebook não me tomava tanto tempo, eu tinha um amplo interesse por biografias (como tenho até hoje), além de ser um livro muito bem escrito e traduzido.

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Então é isso, se você não suporta filosofia, não leia filosofia. Vamos supor que você goste de cultivar jardins, então leia livros sobre jardins, paisagismo, romances sobre jardineiros, natureza, biografia de grandes cientistas e botânicos, etc.

Certeza que seu ritmo de leitura se intensificará e se normalizará imediatamente.

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