Sou moderador de um grupo de anúncio de aluguel de imóveis aqui da região de Itajaí, SC.

Resolvo (os meus) problemas financeiros em (uma live de) uma hora

Volta e meia aparecem uns doidos e compartilham no grupo vídeos de tarólogos, pais de santo, pastores e outros conselheiros do gênero, o que sempre apagamos uma vez que o assunto do grupo são imóveis.

Hoje, parei pra assistir a uma dessas lives. Uma live de uma taróloga completamente desconhecida, com com quase 5000 compartilhamentos, 100 mil visualizações e incríveis 13500 comentários.

Ótimos números, não?

Daí eu entendi porque surgem tantos vídeos de tarólogos nos grupos em geral.

As pessoas comuns estão de modo geral desesperadas por respostas na vida. Porque a vida, vocês sabem, não se caracteriza por nos conceder assim qualquer certeza a respeito das coisas.

Negócio muito melhor do que pescar ilusões é vender certezas.

Assim, esses tarólogos aparecem nessas lives, oferecendo breves consultas “grátis”, via sorteio, para quem mais compartilhar a live em grupos. E no meio da live ela fica repetindo que, para quem quiser uma consulta particular, é só chamar inbox.

Num dos comentários, uma troux… digo, espectadora da live suplicou por uma consulta dizendo que compartilhou a live em 40 grupos.

O modelo de negócio é: Oferecer migalhas em troca de ampla divulgação gratuita em milhares de grupos. E a certeza que desses milhares de compartilhamentos vão surgir algumas dezenas de consultas particulares.

Seja na política, seja no mercado, se prevalecer da miséria emocional dos menos favorecidos sempre será um ótimo negócio.

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Disclaimer: Eu respeito muito o Tarô como forma de consulta oracular, até porque eu mesmo sou um estudioso de Astrologia, assunto semelhante. E até entendo que os profissionais destas áreas merecem a devida remuneração por anos de estudo e prática.

Mas sou absolutamente contra o uso desses conhecimentos de forma superficial, pública, os quais são na verdade sagrados, para ganhar dinheiro mediante o prevalecimento sobre a miséria emocional alheia para a obtenção de divulgação gratuita.