Durante o trajeto da nossa vida, somos o tempo todo confrontados com duas sugestões opostas de posturas a se adotar diante da vida:

– Uma é a postura da atitude, da iniciativa, da pró-atividade, baseada na ideia de que nós somos inteiramente responsáveis por nossa vida. Mesmo diante de situações injustas, é-nos atribuída a responsabilidade por elas partindo-se da presunção de que tais situações foram plantadas em nosso passado, por nós mesmos, pelos agentes de nossa família, ou ainda, na pior das hipóteses, em nossas vidas passadas.

– A outra postura é aquela que sugere que tudo na nossa vida vem da vontade de Deus baseado em nossa fé, ou, dito por outras palavras, vem do Universo por Atração dos nossos pensamentos e sentimentos. Sob esta postura, se tudo corre bem, presumimos que nossa fé está correta, e que nossos pensamentos e sentimentos estão positivos o suficiente. Se tudo vai mal, entendemos que nossa fé é fraca, e que nossos pensamentos e sentimentos estão negativos demais, justificando a atração de “fatos ruins”.

É uma situação difícil de ponderar, não é?

Frase de Carlos Castañeda

A imagem ao lado exemplifica esta situação através de uma reflexão atribuída a Carlos Castañeda, reflexão esta que pende mais a noção de que a primeira postura, a da atitude, é a mais correta.

Na vida de empreendedor, as coisas para mim tem sido muito difíceis e confusas. Minha postura em relação a isso está ora como “guerreiro” (motivado pela leitura do livro Segredos da Mente Milionária), ora como “homem comum” supersticioso.

Segundo T. Harv Eker, autor do livro citado, dentre várias diferenças, há uma fundamental entre os mais pobres e os mais ricos: Os ricos acreditam que eles eles criam a própria vida, enquanto que os mais pobres tendem a crer na ideia de que na vida deles, as coisas acontecem.

Uma outra leitura recente minha, da biografia do Barão de Mauá, um empresário brasileiro do século XIX que, apesar de seus muito sucessos, teve toda sua vida empresarial dificultada por guerras e governantes brasileiros de mentalidade retrógrada (e invejosa) contrários ao empreendedorismo, demonstra que a visão de mundo do nosso Empresário do Império foi totalmente balizada pela postura do “guerreiro” que em cada obstáculo vê um desafio a ser superado.

Aparentemente, a primeira postura, a do guerreiro que acredita que o mundo é um lugar a ser vencido – ou transformado – é a postura “certa”, incluindo aqui a possibilidade da derrota. Embora não seja de todo impossível que já tenha acontecido, é muito difícil acreditar que – uma vez estabelecido a dose certa de fé, de crenças corretas e do mais perfeito equilíbrio psíquico-emocional – então as coisas na vida de alguém vão fluir e prosperar sem o menor dos obstáculos.

Essa não parece ser a natureza do curso das coisas nesse mundo inóspito.

Força interior

Porém às vezes na vida do homem “guerreiro”, após tomar certas atitudes de iniciativa visando certas conquistas, ele toma uns “tapão na orelha” tão bem dados pelas circunstâncias infelizes da vida, que pode lhe faltar força interior para entender esses revezes como desafios, prostrando-se sem forças diante da visão de que ele, por algum motivo insondável, recebeu um castigo das divindades.

Sucumbir à noção de se foi castigado, e se sentir desamparado por Deus, causa no indivíduo uma destruição psíquica tão grave que muitas vezes ele pode nunca mais se recuperar.

Veja também: Por que coisas “ruins” acontecem com pessoas “boas”?

Certas músicas evangélicas, como a música Ressuscita-me, de um tom intenso e motivador, tem sua mensagem justamente no sentido de convencer o homem derrotado a voltar a acreditar que ele ainda pode alguma coisa na vida.

Remove a minha pedra
Me chama pelo nome
Muda a minha história
Ressuscita os meus sonhos
Transforma a minha vida
Me faz um milagre
Me toca nessa hora
Me chama para fora
Ressuscita-me

O que é o correto?

É difícil dizer. De certa forma as duas posturas estão corretas, ainda que, em exagero, ambas possam resultar em fracassos e decepções.

Há um aspecto desta situação que precisa ser lembrado. O fato de algo dar certo ou errado depende de muitos e muitos fatores, os quais muitas vezes são sequer cogitados, e muito menos considerados.

É bem verdade que as coisas só acontecem devido à ação de pessoas. Os tijolos não se colocam sozinhos numa parede. Apesar de toda a robótica (feita por pessoas) as peças de um carro não se juntam sozinhas sem a presença de pessoas. Os ingredientes de uma refeição não se juntam por conta nas panelas etc etc etc.

Mas também é bem verdade que os fatores prévios que propiciam ou atrapalham uma realização são muitos e quase sempre inimagináveis.

Daria pra afirmar com certa convicção que o que leva alguém ao grande sucesso, é a devida proporção de fé (motivação) e racionalidade.

A convicção íntima de que “Deus” nos ama, está do nosso lado e nos auxilia através da mobilização do que nos é impossível mobilizar é muito salutar para nossa motivação e consequente saúde psíquica.

Mas acreditar que “Deus” estará ali no dia a dia na administração de uma empresa também é demais. Ele não nos deus inteligência, braços e pernas para que ainda por cima “ele” tenha que fazer ou cuidar das pequenas coisas por nós. O terceiro mandamento deixa isso bem claro.

Por exemplo, as coisas dão errado sem parar pra pessoa, e ela vai pra igreja, faz ofertas, busca terapias, cursos e toda forma de auto-reflexão e auto-melhoramento, sem contar essas mentalizações de youtube, as quais representam claramente o quanto o povo acredita no pensamento mágico e… as coisas continuam dando errado.

Será por quê, né?

A pessoa acha MESMO que assistir vídeos com títulos como Afirmações Positivas para Ganhar dinheiro, Auto-hipnose para enriquecer, Atraia dinheiro enquanto dorme, Reprogramação mental para Riqueza, Meditação Poderosa para Atrair Dinheiro, ou…

Fique. Milionário. Em. 7. Dias…….

Aí você vai perscrutar na vida dela o que ela anda fazendo e percebe que ela é vítima de si mesma: preguiça, comodismo, auto-sabotagem, crenças limitantes, perfeccionismo, idealismo, apego a ideias que não funcionam, práticas administrativas e operacionais da empresa mal otimizadas, etc.

Eu repito: Tomar atitude na vida é fundamental, mas é preciso agir também com conhecimento, inteligência e discernimento, porque os motivos pelos quais algo pode dar errado são muitos e muitas vezes, de difícil averiguação.

Assim a vida não vai melhorar NUNCA! O milagre só acontece quando certas necessidades realmente fogem do nosso alcance, e quando temos o devido merecimento. Agora… pelo que já observei nessa vida, Deus não tem muita misericórdia de gente burra não… muito menos de gente orgulhosa.

O sucesso na vida, seja profissional ou afetivo, vem sim de uma fé positiva no bem, na vida, em Deus e em si mesmo(a), mas também vem da inteligência e do senso prático que nos auxilia a DISCERNIR o que nos acontece para sabermos como corrigir ou redirecionar as coisas.

Ego

No ramo das terapias, quando os consulentes chegam para os terapeutas reclamando de seus insucessos, são prontamente instigados a perceberem como seus egos são os culpados por tudo que aconteceu. E são igualmente estimulados a “abandonarem seus egos”.

Esse assunto de “ego” é complicado, porque nem as ciências conseguem definir claramente o que é o ego, quanto mais nós meros observadores. Porém, para fins de “conversa” vamos atribuir ao ego o significado do que gera nas pessoas o egoísmo, isto é, essa postura de centralizar o universo em torno do próprio umbigo.

O fato claro que mostra que os terapeutas estão equivocados ao tentarem anular o ego de seus pacientes – feito que não conseguirão – é que as pessoas mais poderosas ou influentes do mundo são justamente aquelas que tem um ego maior que elas mesmas. Atualmente temos aí Donald Trump, Bolsonaro, Olavo de Carvalho, Paul Joseph Watson, entre outros. Há algumas décadas tínhamos Getúlio Vargas, JK e Carlos Lacerda por aqui, e Wistom Churchill e Margareth Thatcher na Europa. E até mesmo para o mal tínhamos Hitler, Mussolini e Stalin.

A força da personalidade – e portanto, do ego – dessas pessoas é inegável.

Para mim, a conclusão possível é que para se chegar longe e alto na vida, não é necessário anular o ego – aliás, anular o ego resultará no efeito contrário, a total inexpressividade do ser. Para se alcançar o verdadeiro e autêntico sucesso na vida é preciso LAPIDAR o ego.

Persistência

Apesar das muitas quedas e revezes que sofremos na vida tentando chegar mais longe e mais alto, apesar dos tristes momentos em que nos vemos prostrados, derrotados pelas circunstâncias casuais da fortuna, enquanto tempos alguma saúde, algo dentro de nós se reaviva com o tempo e nos coloca de volta na trajetória que queremos percorrer.

Agora já certamente com o ego mais lapidado, suavizado, empático, mas nunca sem ego e sua disposição intrínseca e inesgotável de se afirmar no mundo.