(e..me.ro)

1. Que dura pouco (glória efêmera); TRANSITÓRIO [ Antôn.: perene. ]

2. Que dura um dia.

5. Aquilo que dura pouco, que é passageiro, transitório

[F.: Do gr. ephémeros. Em Bot, pelo lat. cient. ephemeron.]

Fonte: Dicionário Aulete

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Redes sociais (digitais) são um fenômeno relativamente novo para nós, como sociedade, em termos comportamentais. Assim como eram os carros em 1919, quando ainda não existiam faixas de pedestre, sinaleiros nem… acredite, placas PARE.

Nenhum de nós sabe o caos que devia ser o trânsito em 1919. As barbeiragens (termo que também não existia), os primeiros acidentes, as primeiras mortes…

Assim como em 2119 nenhum dos humanos, talvez somente alguns pesquisadores, terá noção de quantas tretas surgiram nessas redes sociais na longínqua década de 2010.

Redes sociais surgiram como um canal interessante para divulgação de ideias, comentários, opiniões e críticas. Mas há um fator que demoramos para entender.

Você não fala num auditório com 100 ou 500 pessoas o que falaria para um amigo num bar depois de algumas graduações alcoólicas ingeridas.

E aqui está a origem das tretas de internet: Falamos em ambiente virtual, para 100, 500 ou 5000 mil pessoas o que somente falaríamos para aquele super amigo depois da 3ª cerveja, em tom de segredo, com a certeza que no dia seguinte o amigo já teria esquecido o que foi dito.

Na rede social não, o comentário fica lá, fixo, para quem quiser ver, e o que seria dito num contexto de confissão, à boca miúda, se torna um escândalo, ou um micão, tipo, “nossa, o Ronaud tão quieto, no Facebook se acha o comentarista político”.

Qualquer comentário ou crítica mais específica sobre religião ou politica, propagada para um público de mais de 20 pessoas acabará ultrajando, em maior ou menor grau, um bom número de pessoas.

A noção disso veio aumentando consideravelmente o número de postagens minhas excluídas em seguida a publicação, até chegar ao atual nível de praticamente não expôr opinião alguma. A necessidade de extravasar as próprias visões acabou vencida pelo tato, esta capacidade que todos deveriam exercitar, de, tanto se colocar no lugar dos outros, como de evitar conflitos de ideias sem qualquer retorno evidente.

A ponto de ver uns poucos amigos felizinhos publicando coisas como É LULA LIVRE, CARAIO, sob as justificações mais insanas, e eu ficar absolutamente… quieto. É uma vitória pessoal machadiana, se me permitem a criação do termo.

Aquele comentário nível overdose de verdade, que você faz num bar pra 2 amigos, fica lá no bar. Ele se desintegra no ar tão logo seja proferido. Mal fica na memória dos amigos, mais cheia de álcool do que de interesse. No dia seguinte, as fracas memórias do dia anterior se desfazem pouco a pouco. Na rede social, aquela overdose de verdades pode ficar publicada para sempre, para quem quiser ver e, ora veja, OFENDE. Porque, ao contrário do que sugere o axioma, as pessoas ainda preferem estarem certas do que serem felizes, por mais que… estejam erradas.

Há uma ironia que afirma que a Terra é o maior Hospício do Universo.

Eu não duvido nem um pouco.