Foto: Estado de Minas - Alexandre Guzanshe

Foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press.Brasil

Após a tragédia de Brumadinho, algumas pessoas já começaram a lamentar a humanidade, e se culpabilizar como ser humano pela destruição que a humanidade leva ao meio ambiente.

Usaram palavras e rodeios cujo fim último é pedir desculpa por existir. Elas acreditam, como também já acreditei que o ser humano é o câncer do planeta Terra.

Hoje acho que o caminho não é bem por aí…

Não acho errado extrair minérios, exportá-los ou trabalhá-los de forma a transformá-los em produtos que, no final das contas, permitam maior bem estar a nós neste mundo que é bastante hostil. Ninguém conseguiria, nem quer, viver sem os benefícios que os metais trouxeram à civilização.

Não acho que a humanidade seja culpada na totalidade por conta de certos desastres ambientais. Acho que não é moral chegarmos ao ponto de pedirmos desculpa por existir. A humanidade deve estar neste planeta por algum motivo e extrair bens da natureza faz parte deste sentido.

A humanidade vem vindo gradativamente numa escala de progresso tal que atualmente geramos muito mais com muito menos. E temos normas o suficiente para que – se seguidas – impeçam o acontecimento de tragédias como estas duas que Minas viveu recentemente.

Eu sou Liberal, acredito que as empresas costumam exercer certos papéis produtivos muito melhor do que o Estado, este ente que qualquer libertário admite que tem como função primordial garantir segurança e justiça ao cidadão. Ora, admitamos que também o Estado – seja na esfera federal, estadual ou municipal, estas diferentes esferas estatais que têm essa obstinação por regulamentar e fiscalizar tudo – falhou na fiscalização das barragens mineiras.

Mas meu liberalismo não é ideológico nem partidário. Não defendo o indefensável. O Estado tem sim responsabilidade no que aconteceu, mas é muito pequena.Talvez a catástrofe de Mariana pudesse ser enquadrada como um acidente. Mas Brumadinho não. Toda essa tragédia é fruto da ganância de seus gestores, engenheiros e investidores.

É uma tragédia fruto de negligência, descaso e do compromisso com o lucro em detrimento do compromisso com as pessoas.

Tá errado o modo como a Vale vem se conduzindo nos últimos anos, e espero sinceramente que os verdadeiros culpados por esta tragédia sejam responsabilizados e devidamente punidos, para que o óbvio aconteça:

Que tragédias assim nunca mais se repitam.