Texto de Eduardo Levy

O despeito que temos das mulheres que buscam homens ricos é indício claro de que vivemos em um mundo de contos de fada no qual as pessoas tomam por base de seus pensamentos e ações histórias da carochinha. Quem sente esse despeito busca parceiros com base em quê? Tesão. Você tem certeza de que a busca do gozo é melhor e mais nobre que a busca de conforto e de segurança, sobretudo nos casos em que há filhos? Claro que não. Mas é mais “autêntica”, mais “sincera”. Que é o mesmo que dizer: Mais irracional. Esse despeito e tantos outros semelhantes não passa de ódio à razão e louvor à instintividade animal. Mas a panicat que dá um jeito de casar-se com um homem rico é muito mais inteligente e racional, é um exemplar muito melhor da espécie, do que a autenticazinha que não tem nada de “interesseira” e acaba se casando com um dildo acoplado a um corpo.

Não há a menor dúvida a respeito da origem disso: o movimento romântico. Essa é a maior praga que já se abateu sobre a humanidade, da qual o movimento revolucionário é mero derivativo e sem a qual jamais teriam existido coisas como psicanálise, desconstrução e ideologia de gênero. Se precisasse condensar numa imagem o que é o romantismo, eu diria que seu pai espiritual é Jean-Jacques Rousseau e este, nascesse no Brasil do século XX, se chamaria Gregório Duvivier. E por mais que isso doa, há um Greg dentro de cada um de nós determinando, sem que o saibamos, nossas emoções, nossos pensamentos e nosso comportamento. A cosmovisão romântica é a fonte de toda a nossa imaturidade, de toda a nossa neurose, de todo o nosso desajuste com a vida. Para se livrar dela não há outra alternativa senão estudá-la, dominá-la e reconhecê-la em nós mesmos, o que comecei a fazer alguns anos atrás e estou muito longe de ter completado. Se quer ver um modelo magistral de como fazer isso, procure, leia, estude, decore e aplique a análise que o Francisco Escorsim faz do filme “Closer”.

Edição: É bom esclarecer que “movimento romântico” não tem absolutamente nada a ver com aquilo que os brasileiros aprendemos na escola com este nome. É preciso estudar o romantismo inglês e o romantismo alemão para saber o que isso significa.