Não há demonstração mais evidente de que alguém não entende o mínimo da realidade da qual faz parte do que culpar o capitalismo pelas injustiças do mundo.
De tempo em tempo aparece algum comentário como este abaixo nas timelines da vida:

Culpa do Capitalismo
A menina atribui ao capitalismo uma opressão existencial que vem não do capitalismo, mas da própria miserabilidade da condição humana.
Hoje vivemos sob um sistema econômico geralmente capitalista (p. ex., não dá pra dizer que o Brasil é um país plenamente capitalista), fosse há 500 anos, estaríamos como na Idade Média, qual seja, a sociedade dominada por menos de 10% de Cavaleiros, Nobres e Clero, e os 90% de miseráveis trabalhando na terra de sol a sol, morando em casebres e morrendo aos 40 anos de idade.
A mentalidade simplória que aprendeu a culpar sua miséria existencial ao capitalismo, é a mesma que acredita que seria possível resolver os problemas da humanidade com boa vontade; “basta querer”, eles acreditam magicamente.
O pensamento de esquerda é feito todo de entendimentos infantis da realidade:
Muitos, muito pobres, e poucos, muito ricos? Tire dos ricos e dê aos pobres, ora… Viva la revolucion!
Narrativa fácil, não? Linda, emocionante. Apela ao sentimentalismo típico das pessoas de mentalidade rasa.
Seria lindo mesmo, não fosse o fato de que se isto for feito, em pouco tempo os pobres gastarão todo o dinheiro e no final da história teremos apenas “Muitos muito pobres”, ou seja, todos iguais na miséria, como em todo país socialista.
Se todo o dinheiro do país fosse distribuído igualmente, até o último centavo, para toda a população, voltaria para as mesmas mãos, com muito poucas diferenças, em menos de 5 anos. Jean Paul Getty
É preciso ter uma capacidade de entendimento da realidade um tanto mais profunda do que um prato pra compreender o que J. P. Getty ilustra com sua frase.
Sim, tem muito empresário pilantra, bem como tem muito pobre pilantra.
Mas boa parte dos empresários, pessoas muito ricas, tem algumas habilidades e capacidades pessoais especificamente voltadas não necessariamente ao acúmulo patrimonial, que é uma consequência de outras habilidades. São pessoas visionárias, criativas, com ampla convicção da importância dos próprios produtos, capacidade rara de execução, persistência ante os obstáculos, resistência emocional para lidar com pressões, capacidade de persuasão e liderança para conduzir pessoas e grupos, pensamento estratégico e grande firmeza na alocação de recursos, entre outras habilidades.
Você aí que culpa o capitalismo pela sua miséria existencial, tem essas habilidades acima?
Eu não tenho.
Então se sua vida é essa vidinha sem graça e sem perspectiva, a culpa não é do capitalismo, que premia pessoas pragmáticas e realizadoras.
Talvez seja você que não esteja conseguindo se adequar ao mundo-cão em que nasceu.
O mundo em que nós vivemos não é perfeito; é ruim hoje, e era MUITO PIOR no passado.
A vida não é cor de rosa. É o romantismo, movimento recente bastante idealista, que pinta que a vida poderia ser um morango.
O nosso mundo real é, na verdade, bem tosco, grosseiro, rústico e impiedoso, onde, na natureza mais virgem, animais ainda caçam uns aos outros para sobreviver, e passam fome e sofrem com as intempéries do clima.
O mundo não é naturalmente justo, nem próspero.
O natural é a competição e a escassez.
Lembrando que escassez é um eufemismo para MISÉRIA.
Nesse mundo, sobrevive o mais forte e mais adaptável, e MORRE o mais fraco e preguiçoso.
Só pelo fato dos humanos terem criado essa sociedade fantástica, já merecem um prêmio, ou no mínimo, reconhecimento.
Já fizemos, como humanidade, mais do que era a nossa mera obrigação de sobreviver na selva.
Esse pensamento idealista obcecado por reclamar das condições de vida atual, assim o faz como se em algum momento anterior à civilização todos tivessem acesso igualitário a uma justiça material plena e infalível.
A notícia é péssima: Esse momento nunca existiu (aliás, só existiu em mitos religiosos como o Jardim do Éden).
Se hoje você já reclama da vida com todo esse sistema incrível de produção de alimentos, roupas, casas, transporte (e ar-condicionado), se vivesse na pré-história, já teria se suicidado… (…na verdade, talvez, nem isso, porque na idade da pedra não havia prédios para se jogar, nem cordas para se enforcar, nem remédios para se dopar. Aquela época era tão ruim, mas tão ruim, que nem se matar direito você poderia.)
Veja também
- Se quiser parar de viver nesse estado de alucinação permanente em seu entendimento da realidade, pode conhecer também a opinião de Ferreira Gullar sobre o capitalismo.
- O analfabetismo econômico do brasileiro
- “O capitalismo não deu certo“
- Marxismo e Inveja




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