Dá licença, meu 🤦‍♂

Dá licença, meu 🤦‍

Sempre fui um bom ouvinte.

Sempre tive uma tendência a ser muito atencioso com as pessoas.

Depois que li o livro Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas, essa minha tendência se acentuou ainda mais.

Também sempre achei uma tremenda falta de educação interromper a fala dos outros.

É muito fácil perceber como as pessoas gostam de ser ouvidas; como elas se sentem bem quando podem se expressar e encontram uma audiência ou um ouvinte atento como nós.

E justamente por esta minha inclinação natural de, talvez até mesmo por ser uma pessoa pouco prática, de pouca experiência de vida, preferir ouvir o que os outros têm pra contar, sempre tive ao meu redor várias pessoas do tipo que… falam demais.

(e não por acaso já comentei sobre esse tipo de personalidade neste site).

Ok.

Entretanto, é curioso como a vida e a maturidade vão mudando certas percepções em nós.

Na verdade nós temos um senso de justiça inato. Uma sensação que nos indica quando uma situação está equilibrada e quando não está; porém quando jovens ouvimos muito pouco essa sensação interna.

Com o passar dos anos, comecei a me incomodar com esta minha inclinação natural a ouvir as pessoas, porque percebi que praticamente todas elas não passam de pessoas egocêntricas e um tanto mal educadas. E aqui digo mal educadas no sentido de que não foram devidamente orientadas (e nunca se deram conta, apesar da idade adiantada de alguns) de que uma conversa saudável é aquela em que se tem tempo pra falar e tempo pra escutar; de que é também gentil e de bom tom perguntar sobre a pessoa que nos ouve e deixar ela falar um pouco sobre si, se assim quiser.

Você sabe como é: Que delícia ter uma conversa com uma pessoa inteligente, que sabe falar, MAS que TAMBÉM SABE OUVIR você, sobretudo pessoas que sabem trocar ideias e não apenas falar sobre seus problemas ou micro-episódios do dia.

O segredo de ser cansativo consiste em contar tudo. Voltaire

Já o contrário, que chato que é ficar com alguém que monopoliza a conversa, para quem só os assuntos dela são importantes. Ora, que contratem psicólogos, que recebem para exercer esta função de ouvintes; que, se fosse gostoso, fariam de graça.

Em muitas situações, com algumas dessas pessoas, lá uma vez que encontro espaço pra comentar algo sobre o assunto, ela já continua com o ponto de vista dela sem nem considerar o meu. Só esperou eu terminar de falar.

Que Deselegante

E tanto pior outros tipos, que atropelam a nossa fala, como se o que temos a dizer (e que seria dito rápida e brevemente) não tem importância.

Escrever é uma boa maneira de falar sem ser interrompido. Jules Renard

O fato é que realmente cansei dessas pessoas. Já não tenho mais paciência ou energia mental pra ficar à disposição do ego alheio. Quando não é a vítima do destino que fica despejando seus problemas (e negatividade) em cima de mim (que vá procurar um psicólogo, ou se confessar com um padre) é o sujeito carente de atenção – a criança grande – que fica contando suas histórias e realizações esperando elogios e aprovação.

Dá. Licença.

Estou cada vez mais preferindo ficar em casa na minha concentrado nas minhas coisas do que sair para festas e encontros onde já sei que vou ficar de ouvinte de gente que acha que o universo gira em torno dela. E se perceber que não está havendo equilíbrio na conversa, mudo de assunto, saio de perto, vou pra casa que eu ganho mais: paz de espírito.

Demorou, mas estou seguindo aquela antiga sugestão do Gasparetto: Eu em Primeiro Lugar.

Adoro estar com pessoas, especialmente aquelas que respeito e com quem me afinizo. Eu gosto e quero estar com gente fina e educada que me concede muito gentilmente parte da atenção dela para também me ouvir.

Sim, vamos continuar sendo gentis e atenciosos com as pessoas.

Mas seremos também justos, sobretudo conosco mesmos.