A sociedade precisa de um detóx ideológico.

Em especial os segmentos da imprensa, da classe artística e das ciências humanas nas universidades e escolas (estes últimos são praticamente um caso perdido).

A imprensa global, por exemplo, muito raramente usa o termo Esquerda em suas reportagens. Mas já cansei de ouvir a Cecilia Malan usando os termos “extrema-direita” e “ultra-conservador” ao relatar qualquer fato político europeu.

Extrema-direita era o Mussolini. Ultra-conservador era o Aiatolá Khomeini.

Precisam entender e aceitar que Direita, Conservadorismo e Liberalismo não são o caminho para a perdição, que liberal e conservador não são xingamentos. Pelo contrário.

São grupos até bem expressivos da sociedade que têm interesses próprios, e que é perfeitamente digno e legítimo que defendam esses interesses publicamente e que, eventualmente, elejam seus representantes para o poder.

Assim como é legítimo que minorias e ‘oprimidos’ lutem politicamente para defender seus interesses, ainda que democracia seja o poder da MAIORIA.

Faz parte do jogo e da alternância democrática.

Conservadores e liberais sempre foram minorias. Uma vez que voltam ao poder com considerável apoio popular, e mesmo com a oposição implacável da imprensa e da classe artística, talvez seja porque as propostas progressistas não tenham surtido o efeito idealizado.

E não vale citar aquela frase do Freire de que o sonho do oprimido é se tornar opressor.

A prioridade do oprimido é ter comida na mesa. Depois o sonho do oprimido é ter casa, carro, sair pra jantar, viajar e… CONSERVAR esse status.

Joãozinho 30 entendia melhor a situação ao dizer que “pobre gosta é de luxo. Quem gosta de miséria é intelectual”.

Bolsonaro disse meses atrás que quer que o pobre fique rico, mas aí disseram que ele não gosta de pobre.

O fato é que nem o pobre gosta de ser pobre.

O único progressismo que o pobre quer ver é o da sua conta bancária.

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Comentado originalmente aqui.