O peso da existência

Você certamente vai discordar, porque já tem a mente impregnada com as mensagens contemporâneas sobre o que é bom ou o que é ruim para a saúde.

Mas nesses meus trinta e poucos anos de vida, compreendi nossa saúde mais ou menos assim:

Se você bebe e/ou fuma, e morre, vão dizer que morreu porque bebia e fumava. Talvez estejam certos.

Mas se você não fuma e nem bebe, e morre, não terei dúvidas eu, que morreu justamente porque não bebia, nem fumava.

A morte está muito mais ligada a como lidamos com o peso da existência, do que com os artifícios que usamos para suportá-lo.

E sobre esses artifícios, segue fundamental aquela observação de Paracelso, o alquimista:

“Todas as substâncias são venenos; não existe uma que não seja veneno. A dose certa diferencia um veneno de um remédio.”

Apenas duas coisas destroem nossa saúde: A ansiedade ou a angústia.

Se você bebe, ou fuma, ou come, ou viaja demais, para fugir dos efeitos dessas sensações, estará certamente adiando sua morte. Continue se distraindo.

A nicotina, o álcool, o sal e o açúcar certamente comprometerão sua fisiologia, e você até poderá, num surto de equilíbrio, tentar enfrentar sua existência sem o uso dessas substâncias, mas talvez não terá o espírito de rocha necessário para enfrentar e suportar todas as demandas da vida.

Se não cuidar, estará trocando um peso por outro: o peso da vida aliviado por essas substâncias, pelo peso da culpa por estar consumindo substâncias “nocivas”.

A condenação reside unicamente na nossa mente.