Bens materiais pra quê, né? <br />Tão bom não ter o que calçar...

Bens materiais pra quê, né? Tão bom não ter o que calçar…

Não acredito muito nessas conversas de que a felicidade não se encontra em itens externos a nós, como se toda e qualquer busca por bens materiais ou a atenção de alguém fosse perda de tempo. Ora, nem todos têm vocação para monges e para a vida meditativa concentrada unicamente no momento presente.

Se você faz parte de uma sociedade que lhe exige respostas, certamente você se sentirá mais feliz – com a sensação vivificante de competência e auto-confiança –  possuindo os itens que lhe proporcionam a estrutura para oferecer essas respostas. E não é errado se sentir bem assim. Casa, carro, companhia boa, poder aquisitivo, etc, tudo isso faz as pessoas felizes sim, do contrário não se desejaria tanto essas coisas. É só olhar a carinha de felicidade das mulheres saindo do shopping.

A não ser o sujeito que tem vocação para a frugalidade. Ele também não está errado, mas acho que é exceção e não vai conseguir ajudar os outros convidando-os para seguirem o seu exemplo de desprendimento e concentração em si mesmo. Essa vida franciscana é para poucos.

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Aqui temos três cenários:

1 – O sujeito que quer demais esses bens externos e sofre por não consegui-los, por azar ou por incompetência.

2 – O sujeito que, por não consegui-los, foge deles, e tenta convencer o pessoal do item anterior a seguir o seu ponto de vista.

3 – O sujeito que busca o próprio desenvolvimento e vai conseguindo esses itens na vida na medida do seu próprio desenvolvimento pessoal. Ele reconhece e aceita seus limites, mas segue aberto ao progresso pessoal.

Eu sigo apostando na terceira postura, acreditando que se cresce nessa vida conscientes SIM de até onde podemos chegar, mas sempre enfrentando, lidando e convivendo com os limites, coisas e pessoas, e não fugindo delas num templo qualquer.

O exemplo do sujeito de vida frugal até pode ser o destino final da evolução individual humana, mas eu prefiro deixar isso pra uma próxima vida

Por enquanto, prefiro seguir esquentando a cabeça pra conseguir as minhas coisas, e me sentindo muito feliz a cada desafio vencido.