“ Tenho mais medo da mediocridade que da morte. ”

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Design – A realidade prática 2

19 de fevereiro de 2010

Esta é a segunda parte do texto. Leia a primeira aqui 

Tudo isso por uma logomarca???

Ou…

Ah mas é só um “scriptzinho”!!!

No âmbito do web-design ou a atividade de desenvolver sites para a internet, área com a qual me identifico mais e estou mais focado atualmente, também é comum a noção de que a atividade em si ainda é uma atividade de “adolescente” e que não tem valor intrínseco. Assim como no design gráfico o senso comum acha caro uma logomarca a 600 reais (e olha que estou sendo generoso), no web-design também tendem a pensar que qualquer funcionalidade a mais num site é coisa de se tirar de letra, que se faz em 10 minutinhos. Este rapaz escreveu um ótimo texto sobre esse tema.

Não sou eu que vou evangelizar o bom design no Brasil

Depois do episódio da moça que “trabalha com marcas TAMBÉM”, eu decidi que queria sair fora disso, ao menos da parte gráfica. Jamais vou chegar a lugar algum na minha vida tendo que ficar explicando pra cliente porque não seria indicado utilizar a fonte Bankgothic em seus cartões de visita. Jamais qualquer um vai chegar a lugar algum tendo que convencer o cliente do porquê este trabalho vale x e não x/5.  Trabalhar com design é super jóia, mas ter que se submeter a clientes que nem conhecem os critérios adequados para avaliar o serviço pelo qual estão pagando, não dá!

Eu sei! Evidentemente estou expondo aqui meu atestado de incompetência para atuar como designer. A realidade do design e a falta de uma perspectiva realmente motivadora aos poucos foi me mostrando outros motivos para partir para outros segmentos, dentre os quais noções que adquiri em livros sobre educação financeira de que se é para nos esforçarmos, é melhor nos esforçarmos num ramo que permita um crescimento desatrelado à prestação de serviços. Por exemplo, é relativamente visível a vantagem de se vender produtos, por exemplo, do que serviços. Se eu vendo bebidas e um cliente me pede 10.000 garrafas, eu encomendo e a fábrica me manda as 10.000 garrafas. Agora vai fazer 10.000 sites, ou 10.000 cortes de cabelo, ou 10.000 massagens, etc. No meu caso particular, me identifiquei muito com a bolsa de valores (tendência de quanto mais tiver, mais ganha, e não, não é um lugar tão perigoso quanto parece) e com a renda de publicidade online (não há limite para os acessos de um site). Talvez esses motivos sejam subterfúlgios, talvez sejam consistentes, mas o fato é que a perspectiva de se viver assim me dá muito mais ânimo do que ter que ficar evangelizando clientes para que conheçam a “boa nova” do design. As vezes temos que nos perguntar o que realmente queremos para nossa vida.

E você?

Se você consegue se imaginar o resto da vida na frente de um computador criando trabalhos ótimos que boa parte dos seus clientes não saberá sequer avaliar (ou entender). Se você consegue se imaginar como uma máquina de produzir gráficos e peças bonitinhas incessantemente e ganhar uma remuneração média por isso, ou melhor, se o dinheiro por acaso não é motivação preponderante para você, vá em frente, o design é pra você, essa é a realidade que te espera.

Existe aí uma discussão questionável de que o importante é fazer o que se gosta! Depende do ponto de vista. Muita gente estuda design porque se acha criativo e gostaria de exercer essa criatividade. Beleza! Mas há N formas de exercer sua criatividade no mundo. A remuneração de um designer empregado é mediana, principamente fora dos grandes centros. Como empreendedor do design, ou como designer sênior de alguma empresa, você até poderá ganhar melhor, tendo ainda que ralar muito e na verdade, como empreendedor ou diretor, você vai gastar seu tempo mais com atividades burocráticas e “secundárias” como vender (veja bem, vender não é secundário) do que criando, propriamente (Observação de Gilberto Strunck em seu livro Viver de Design). Portanto, se é pra gastar toda essa energia, mais vale gastá-la num ramo profissional mais consistente e que permita um crescimento efetivo, para sua carreira, e para a sua vida. E repito, você pode ser criativo de várias formas na vida, não só no CorelDraw ou no Ilustrator.

Tanto é assim que ainda hoje os designers mais “bem sucedidos” (depois dos destacados designers verdadeiramente bem sucedidos), estão dando aulas em faculdades. Lá conseguem uma remuneração razoável sem muito estresse de ter que conseguir clientes, dar conta da produção e resolução de “pepinos”. Porém vê-se aí a contradição. A princípio, você estuda uma área de atuação profissional para… atuar profissionalmente. Só depois de um mínimo de experiência e êxitos adquiridos, você é chamado para compartilhar suas experiências… dando aulas. No mundo do design, não é bem assim.

Alguns links que confirmam o que eu digo:

- Se você acha que estou exagerando, ou viajando, leia um texto muito interessante e bem humorado sobre as características dos designer gráficos  ;-)

- Outro comentário breve mas nada empolgante de Felipe Tofani (clique e veja, ao fim da imagem), sobre a realidade do design gráfico:  ”Se lá nos Estados Unidos o pessoal sobrevive com outros empregos fora da área, aqui vivemos em sub empregos numa semi escravidão”

- Aqui, um cartoon do Nerdson.

- Aqui, uma resposta hilária a um anúncio de estágio em design ou aqui também.

Leia a terceira parte do texto sobre a realidade do Design

Ronaud Pereira

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Há 5 comentários para este post:
Design – A realidade prática - Textos Reflexão Mensagens Frases Pensamentos Achismos… - RONAUD.com -

19 de fevereiro de 2010 as 1:41

[...] Próximo Texto: Design – A realidade prática 2 » Texto Anterior: « O que é natural para [...]

Sidnei

24 de fevereiro de 2010 as 19:37

Caraca, você realmente está desanimado com a vida de designer hein…
Concordo em alguns pontos e discordo de outros, esse é teu ponto de vista e devemos respeitar isso.
Mas acredito mais no fato de que você acabou não se identificando com isso, do que de fator aceitar que a profissão é uma furada.

O que aconteceu com você no design, acontece todos os dias com muitas pessoas das mais diversas profissões, e o mais curioso, é que você saiu do design e a maria saiu da medicina, pelo mesmo motivo, não viram futuro na profissão, por outro lado, Marcos foi pro Design pois viu um tremendo futuro e valorização profissional, e assim por diante… acredito que foi mais uma questões de percepção pessoal e o design tem muitos “problemas” como o que aconteceu contigo que uma arquiteta meteu o nariz, ou ainda o micreiro, sobrinho do vizinho que faz o “logotipozinho” por 1/3 do teu valor, enfim… mas acho que o problema não exatamente falha na profissão, mas uma falta de identificação tua para com o ramo.

ronaud

24 de fevereiro de 2010 as 20:06

Sidnei, vejamos…
é como eu disse no primeiro texto. Não basta ter habilidades e senso estético. Isso eu tenho, me identifico muito, e quero sempre fazer. O design em si é muito bom e também como eu falei, há infinitas formas de você ser criativo em várias outras profissões, mesmo visualmente. Já o mercado, péssimo. É com ele e com as habilidades interpessoais nececessárias para atuar na profissão em relação à baixa valorização do trabalho em si com o que não me identifico.

Como você bem disse, são apenas minhas percepções. Apesar dos três links ao final do texto confirmá-las.

Mas espero mesmo que outras pessoas discordem de mim e consigam ganhar muito dinheiro com o design, principalmente o gráfico!

Design – A realidade prática 3 – outras considerações - Textos Reflexão Mensagens Frases Pensamentos Achismos… - RONAUD.com -

25 de fevereiro de 2010 as 14:15

[...] Esta é a terceira parte de uma série de textos sobre design. Leia: a primeira – a segunda [...]

Design – A realidade prática 4 Textos Reflexão Mensagens Frases Pensamentos Achismos… - RONAUD.com -

15 de julho de 2010 as 0:17

[...] publicá-lo aqui, estendendo minha “humilde” série de textos (clique e leia: 1 – 2 – 3) nos quais observo a realidade nada estimulante do design [...]

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