Espelho, espelho meu, fala sério comigo

Espelho, espelho meu, fala sério comigo

Sua realidade é seu espelho

A leitura deste texto me lembrou de uma constatação pessoal a respeito da razão para a presença de certas pessoas em nossas relações, e de pessoas com determinadas características fortemente marcantes em nossa vida.

A espiritualidade é vista normalmente como o reino do intocável, do insondável. Neste reino estão as coisas imateriais as quais não podem ser detectadas por nossos aparelhos e que só a alguns foi concedida a sensibilidade para percebê-las, os quais chamamos de sensitivos e médiuns.

É tudo isso mesmo.

Mas tem alguns aspectos da espiritualidade, isto é, dos mecanismos espirituais, os quais são plenamente observáveis… bem práticos mesmo. Porém os consideramos como fatos normais, coincidências, sorte, azar, essas coisas.

Não são!

Lembremos do dizer amplamente repetido no meio espiritual o qual diz que NADA ACONTECE POR ACASO.

Um desses aspectos dessa espiritualidade muito presentes e facilmente observáveis em nossa vida é o fato de que tudo que nos acontece, e todas as coisas, situações e pessoas que nos rodeiam sejam um espelho exato do que somos essencialmente. Nossa realidade é nosso espelho.

A natureza metafísica das nossas relações

A vida é um eco. Se você não esta gostando do que está recebendo, observe o que você está emitindo.

Eu sei. Tão mais difícil do que entender, é aceitar. E para isso você deve treinar sua observação. Com o que digo aqui nem tudo fará pleno sentido, mas muito ficará relativamente compreensível e passível de aceitação.

Por exemplo, vamos supor que você, mulher, não se dá bem com sua mãe. Pois saiba que você reagiria exatamente como ela reage com você, se você estivesse no lugar dela. Sua mãe é a mãe que VOCÊ seria caso você estivesse no lugar e nas mesmas condições que ela. Quanto mais forte a presença de alguém em nossa vida, mais provável é que nós seríamos exatamente como essa pessoa caso estivéssemos em seu lugar, e tivéssemos a mesma criação e formação que ela teve.

Você pode argumentar: “Jamais! Eu jamais seria como minha mãe”. Além de que você não entendeu o que eu disse, isto é, que você seria sim exatamente como ela CASO nascesse, se criasse e se formasse nas exatas condições nas quais ela se formou, devemos observar o efeito transformador que ocorre a quem sofre. Quando sofremos ou convivemos com um defeito agudo ou uma acentuada falha de alguém, acabamos por excluir da nossa essência o defeito que manifestaríamos caso estivéssemos no lugar de quem nos agride. E juramos de pés juntos que o tal defeito jamais fez parte de nossa natureza. Nos relacionamentos estamos o tempo todo experimentando do nosso próprio veneno, o que acaba nos tornando imunes – livres dele justamente por tê-lo experimentado. É o poder da conscientização íntima. Quando plenamente ciente de que determinada atitude faz mal, eu a excluo imediatamente do meu rol de atitudes possíveis. Mas eu disse PLENAMENTE ciente… o que não acontece com uma maioria que sabe que certas coisas são ruins e mesmo assim continuam praticando-as.

Se você, mulher, teve, por exemplo, um pai que lhe tratava com indiferença e descaso. É muito provável, ao menos dentro deste ponto de vista que quero passar e que minhas observações tem encontrado profundo sentido, enfim, é muito provável que seria exatamente com descaso e com indiferença que você trataria seus filhos CASO fosse homem e tivesse sido criada como homem, mais precisamente, nas condições em que seu pai foi criado.

Neste texto, eu aprofundo esse pensamento, clique e e leia: Como usar a reencarnação a seu favor?

Complicado né? Pois se fosse fácil compreender os porquês da vida todos estaríamos vivendo contentes e satisfeitos e não estaríamos aqui filosofando sobre a natureza metafísica das nossas relações :)

O mesmo raciocínio mais acima pode-se obter com exemplos positivos. Vamos supor que você, homem, teve uma mãe atenciosa e amorosa cuidando de você durante sua infância. Pois é exatamente assim que você trataria seus filhos caso nascesse nas mesmas condições que sua mãe nasceu e se criou e caso evidentemente você nascesse como mulher. Mais fácil: Pois é exatamente como sua mãe o criou que você criará os seus filhos. Mas veja que tudo parte de você. Como um ser espiritual, você já possuía este jeito antes de nascer. O que aconteceu é que você ganhou uma mãe que lhe deu o que você daria.

Se você mulher teve da mesma forma uma mãe afetuosa e que sempre estimulou sua independência desde cedo. Você não se tornou uma mulher independente? Não é assim que você criará seus filhos?

Vale observar que o que é ruim e negativo vai se anulando na medida em que vamos experimentando dos nossos próprios venenos ao longo das vidas e por outro lado; o que é bom em nós vai se repetindo, se reforçando e se perpetuando.

De um modo ou de outro, o bem sempre vence e se perpetua, e todo mal não é um mal intrínseco, mas serve para nos acordar para a realidade de que só o bem é desejável e que só devemos manifestar o bem aos outros, independente de nossas condições atuais de vida e espirituais.

Semelhante atrai semelhante

Na espiritualidade, uma lei fundamental é:

Semelhantes se atraem.

Mais uma vez, não é difícil notar na prática como nossa sociedade se agrupa em indivíduos com interesses em comum. Entretanto há fatos em nossas vidas – todos já devem ter passado por isso – que transcendem esse comportamento social. Quantas vezes não nos aproximamos por acaso de pessoas tão a ver conosco, e que influenciaram definitivamente a nossa personalidade, de modo tal que no futuro acabamos concluindo que não poderia ter sido outra pessoa melhor a aparecer naquele dado momento. Tinha que ser aquela pessoa, com aquela característica, que também tínhamos em nós porém ocultas, esperando para se revelarem na primeira influência de alguém semelhante a nós naquele segmento de nossa personalidade.

Como dito, a atração entre semelhantes transcende o mero acaso. Transcende a vida. É impossível atentar para esse mecanismo da vida sem basear-se na possibilidade de que temos vidas sucessivas, ou seja, que estejamos todos sujeitos à reencarnação. Então levando em conta nossa pré-existência em relação ao nosso nascimento neste plano físico, pense ao contrário: Você não é resultado dos seus pais. Seus pais é que são resultado do que você é. No meio espírita se diz que “escolhemos” os pais com os quais viremos conviver. Não é bem assim. Não acredito que tenhamos esse poder todo. Acredito que tudo é mais automático, e que nascemos como filhos dos pais que mais parecidos sejam conosco. No fundo somos todos irmãos que se atraem e se agrupam de acordo com afinidades entre si.

Mas a coisa não é tão simples assim. Porque você pode dizer: “Ah, mas eu não sou tão chato quanto meu chefe”.

Num primeiro momento posso argumentar: Não, não é. Não com a criação e formação que você teve e nem do ponto de vista no qual você está. Mas seria sim, se tivesse se criado e se formado como seu chefe se formou, e se estivesse no exato lugar dele, isto é, como chefe, e não como seu colaborador.

Mesmo assim esse ponto de vista que ora descrevo não é uma regra rígida. Particularmente, creio ser possível perceber que  há pessoas que passam por nossa vida e que não vêm necessariamente nos refletir mostrando-nos como somos em nosso íntimo. Talvez elas venham nos testar, para a Vida, ou Deus, saber exatamente como vamos reagir a determinadas situações. E principalmente, SE vamos reagir, aprender a lidar com elas e superá-las, e aprender a nos defender de certos tipos de atitudes alheias.

O fato é que de alguma forma sua realidade é resultado do seu padrão espiritual. Comentei enfaticamente aqui sobre pais e mães, mas estes são apenas alguns dos personagens que moldam nossa realidade. Importantes sim, principalmente no início de nossas vidas, mas apenas alguns. Todas as pessoas com as quais vamos nos deparando ao longo de nossa jornada vêm para nos salientar os pontos positivos e apontar nossos pontos negativos para que, experimentando do nosso próprio veneno, fiquemos não imunes, mas livres do mesmo.

Evidentemente não conseguiria traçar todo um ponto de vista espiritual sobre nossos relacionamentos em alguns poucos parágrafos. A coisa toda é complexa e toda permeada de peculiaridades sutis. De todo modo essas poucas linhas servem para demonstrar uma pequena ponta dessa complexidade toda. De que nada realmente acontece ao acaso e de que TODAS as circunstâncias possíveis pelas quais passamos só aconteceram para, de alguma forma, nos ensinar alguma lição.

Texto de 22 de dezembro de 2011.