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	<title>Essência &#8211; RONAUD.com</title>
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	<description>Textos e Mensagens para Reflexão</description>
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		<title>Reflexão sobre a vida, essência e aparências</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ronaud Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 Jan 2014 00:24:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Vida]]></category>
		<category><![CDATA[Aparências]]></category>
		<category><![CDATA[Auto-imagem]]></category>
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					<description><![CDATA[Viver é a arte da construção e manutenção diária de uma imagem com a qual nos relacionamos com o mundo, e que muito raramente corresponde ao que somos essencialmente.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3>A arte da imagem pessoal</h3>
<div id="attachment_17529" style="width: 310px" class="wp-caption alignright"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-17529" class="size-medium wp-image-17529" src="https://www.ronaud.com/wp-content/uploads/2014/01/as-aparencias-enganam-300x212.jpg" alt="É, elas enganam" width="300" height="212" srcset="https://www.ronaud.com/wp-content/uploads/2014/01/as-aparencias-enganam-300x212.jpg 300w, https://www.ronaud.com/wp-content/uploads/2014/01/as-aparencias-enganam.jpg 736w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /><p id="caption-attachment-17529" class="wp-caption-text">É, elas enganam</p></div>
<p>Viver é a arte da construção e manutenção diária de uma imagem com a qual nos relacionamos com o mundo, e que muito raramente corresponde ao que somos essencialmente.</p>
<p>Todo mundo é meio <em>agente de marketing e gerente de branding</em> quando o assunto é sua <a title="Veja textos sobre Aparências, um tema que me toma bastante atenção" href="https://www.ronaud.com/tag/aparencias/">imagem pessoal</a>. Critica-se muito que no Facebook todo mundo mostra o que tem de melhor e oculta o que tem de pior.</p>
<p>Agora me diga, em que outro lugar se age de forma inversa?</p>
<p>Falar contra a <a title="Textos sobre hipocrisia" href="https://www.ronaud.com/tag/hipocrisia/">hipocrisia</a>, isto é, contra o ato de falar uma coisa e ser outra, é falar contra a natureza humana. Para <em>funcionarmos</em> em sociedade de um modo são, precisamos muitas vezes falar o que os outros querem ouvir, só pra conseguirmos um pouco de paz e podermos descansar sossegados com nossas convicções não convencionais.</p>
<p>Me acontece muito de me ver às vezes dividido entre minhas convicções pessoais, e a imagem social que construí ao longo da vida.</p>
<h3>Reputação</h3>
<p>Há inclusive uma historinha interessante, que copiei do perfil de alguém no Facebook, cujo nome esqueci de anotar, demonstrando como as coisas são <em>com</em>, e <em>sem</em>, essa imagem pessoal que construímos ao longo da vida, principalmente quando essa <em>construção</em> é bem sucedida. Envolve um tal <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/William_Thomson">Lorde Kelvin</a> e é relatada no livro &#8220;A estrutura das revoluções científicas&#8221; de Thomas Kuhn. Diz que Lorde Kelvin mandou um artigo pra uma revista científica, mas esqueceu de pôr o nome. Recusaram, na revisão por pares, dizendo que aquilo só podia ter saído da mente de um lunático, tamanho o disparate. O lorde mandou novamente o artigo, dessa vez devidamente creditado, e os editores pediram imensas desculpas, tentando não se queimar tanto &#8211; e nem ao nome da revista &#8211; com o grande cientista.</p>
<p>Que poder tem um nome com boa reputação no mercado, não?</p>
<h3>Incoerência</h3>
<p>É impressionante como as pessoas se preocupam em manter uma <em>imagem</em> mesmo apesar do comportamento diário não ser <em>aquilo tudo</em> que se alarda. Gente que faz uma imagem perfeitinha no <em>social</em>, mas não varre nem o chão de casa.</p>
<p>Compartilham dezenas de frasezinhas lindas de auto-ajuda no Facebook, mas não fazem qualquer ato de gentileza com quem tá próximo.</p>
<p>Elas esquecem, ou nunca perceberam, que coerência entre aparência e conteúdo ainda é o que mais revela firmeza na pessoa.</p>
<h3>Preconceito</h3>
<p>Dada a dificuldade extrema de termos que pensar e investigar tudo o tempo todo, costumamos valorizar e levar em conta, durante nossas decisões, a reputação prévia que tem pessoas e produtos, o que resulta num <a title="Não é por mal" href="https://www.ronaud.com/bom-senso/pai-perdoa-lhes-porque-nao-sabem-o-que-fazem/">preconceito natural</a> (às vezes positivo) com as coisas.</p>
<p>Deixar-se levar pela reputação prévia de alguém ou alguma coisa nos livra dessa tarefa penosa que é <em>pensar</em> e analisar as coisas a cada passo. Uma assinatura com as palavrinhas <em>Lorde Kelvin</em> economizaria bastante trabalho para os editores da revista, e os livraria inclusive de cometerem erros vergonhosos de julgamento.</p>
<p>A publicidade alcança a excelência quando consegue instalar em nossa mente preconceitos positivos a respeito dos produtos. Coca, Omo e Bombril são exemplos máximos, no Brasil, de um marketing tão bem sucedido que conseguiu fazer com que o nome da marca dos produtos simbolizasse o próprio produto. Ninguém pede refrigerante de cola, pedem Coca-cola. Ninguém vai ao mercado comprar sabão em pó, vai comprar Omo. E ninguém pede por esponja de aço, pede pelo Bombril.</p>
<h3>No que você está pensando?</h3>
<p>Dias atrás parei para tentar lembrar se algum dia já perguntei a alguém no que estava pensando. Acredito que não. Espero mesmo nunca ter feito essa pergunta, ao menos não dessa forma tão direta e invasiva. Talvez melhor do que perguntar &#8220;em que você está pensando&#8221; seja perguntar &#8220;aconteceu alguma coisa?&#8221; e dar a possibilidade do outro mentir dizendo que não, não aconteceu nada.</p>
<p>O mundo dos pensamentos é o único lugar onde temos espaço, liberdade e permissão para sermos o que somos. Se o outro está em silêncio, provavelmente está pensando em algo que não convém dizer. Não é preciso ser gênio para perceber isso.</p>
<h3>Veja também</h3>
<p>Este tema sobre aparências x essência é recorrente por aqui. Veja outros textos sobre:</p>
<p><a href="https://www.ronaud.com/sucesso/as-aparencias-enganam/">As aparências enganam</a></p>
<p><a href="https://www.ronaud.com/bom-senso/da-estupidez-nossa-de-cada-dia-aparencias/">Aparências e senso de importância</a></p>
<p><a href="https://www.ronaud.com/inteligencia/santo-de-casa-nao-faz-milagre/">Santo de casa não faz milagre</a></p>
<p><a href="https://www.ronaud.com/arte-de-viver/as-pessoas-querem-ser-enganadas/">As pessoas querem ser enganadas</a></p>
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		<title>Santo de casa não faz milagre</title>
		<link>https://www.ronaud.com/inteligencia/santo-de-casa-nao-faz-milagre/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Ronaud Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Nov 2013 18:27:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Inteligência]]></category>
		<category><![CDATA[Aparências]]></category>
		<category><![CDATA[Conhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[Essência]]></category>
		<category><![CDATA[Fama]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Hipocrisia]]></category>
		<category><![CDATA[Pragmatismo]]></category>
		<category><![CDATA[Preconceito]]></category>
		<category><![CDATA[Reconhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[Sabedoria]]></category>
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					<description><![CDATA[O santo de casa não faz milagre porque o conhecemos bem, sabemos que não é tão santo assim. Não faz milagre porque não nos parece santo, por mais santo que seja. Um texto sobre essência x aparências.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Fazendo testes sobre a busca no Google para este site, para o qual utilizei meu nome como endereço digital, encontrei a seguinte imagem:</p>
<div id="attachment_13294" style="width: 680px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.ronaud.com/wp-content/uploads/2013/10/que-estranha-felicidade-e-essa-que-nos-que-sempre-reclamamos-que-o-povo-nao-fazia-nada-ronaud-pereira-frase-1191-828.jpg"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-13294" class="size-full wp-image-13294" src="https://www.ronaud.com/wp-content/uploads/2013/10/que-estranha-felicidade-e-essa-que-nos-que-sempre-reclamamos-que-o-povo-nao-fazia-nada-ronaud-pereira-frase-1191-828.jpg" alt="Estranha felicidade" width="670" srcset="https://www.ronaud.com/wp-content/uploads/2013/10/que-estranha-felicidade-e-essa-que-nos-que-sempre-reclamamos-que-o-povo-nao-fazia-nada-ronaud-pereira-frase-1191-828.jpg 850w, https://www.ronaud.com/wp-content/uploads/2013/10/que-estranha-felicidade-e-essa-que-nos-que-sempre-reclamamos-que-o-povo-nao-fazia-nada-ronaud-pereira-frase-1191-828-300x141.jpg 300w" sizes="(max-width: 850px) 100vw, 850px" /></a><p id="caption-attachment-13294" class="wp-caption-text">Estranha felicidade</p></div>
<p><a href="http://kdfrases.com/usuario/PAULIMGONCALVES/frase/828f">Fonte</a></p>
<p>Foi estranho.</p>
<p><em>Bem legal</em>, mas é estranho perceber que alguém considerou um pensamento seu digno de ser aplicado numa imagem para ser compartilhada pela internet. Uma imagem com uma assinatura sua que, no site em questão, figura ao lado de outras assinaturas tais como Freud, Shakespeare, Einstein, entre outros autores <em>comunzinhos</em>, assim, como eu 😉</p>
<p>IMEDIATAMENTE lembrei do capítulo sobre <em>Inadequação</em> do livro <a title="Clique e leia a resenha. É uma ótima sugestão de leitura" href="https://www.ronaud.com/livros/resenharesumo-livro-as-consolacoes-da-filosofia/">As Consolações da Filosofia</a>, de Alain de Botton. Mais especificamente, do trecho deste capítulo que refere-se à <em>Inadequação Intelectual</em>. O capítulo todo utiliza-se do pragmatismo do filósofo Michel de Montaigne, para propor algumas saídas para quem sente essa inadequação. Filósofo este com cujo ponto de vista me identifiquei prontamente.</p>
<p>Das minhas leituras recentes, <a title="Já comentei sobre ele aqui :)" href="https://www.ronaud.com/bom-senso/da-estupidez-nossa-de-cada-dia-aparencias/">foi dos trechos de livro que mais me marcou</a>, porque fala de um tema com o qual tenho muitas dificuldades: <strong>Essência x Aparências</strong>.</p>
<p>O conhecido ditado popular &#8220;Santo de casa não faz milagre&#8221; aborda profundamente esta oposição entre aparências e essência.</p>
<p>Ele quer dizer que podemos ter, por exemplo, um ótimo profissional na família. Ou alguém que realmente poderia nos ajudar. Mas a proximidade, a convivência e a intimidade faz com que não confiemos na pessoa a ponto de usar seus serviços. E também, que a pessoa também nós vê com certa reserva e acaba não nos atendendo com o respeito e a consideração que esperamos.</p>
<blockquote><p>A familiaridade encurta o respeito e rebaixa a autoridade. <a title="Veja outras frases de Mariano da Fonseca - Marquês de Maricá" href="https://www.ronaud.com/frases-pensamentos-citacoes-de/mariano-da-fonseca-marques-de-marica">Marquês de Maricá</a> &#8211; Político brasileiro</p></blockquote>
<p><em>O santo de casa não faz milagre</em> porque o conhecemos bem, sabemos que não é <em>tão santo</em> assim. Não faz milagre porque não nos parece santo, por mais santo que seja.</p>
<p>É um ditado que demonstra que, ao contrário do que o senso comum costuma alardar, a aparência é de longe muito mais importante do que a essência das coisas e pessoas. Se não for mais importante, é, ao menos tão fundamental quanto.</p>
<p>As observações dos autores e ditados abaixo confirmam:</p>
<blockquote><p>Assim é, se lhe parece. <a title="Luigi Pirandello" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Cos%C3%AC_%C3%A8_(se_vi_pare)">Luigi Pirandello</a>, escritor italiano.</p>
<p>À glória dos mais famosos se junta sempre um pouco da miopia de seus admiradores. <a title="Veja outras frases de Georg C. Lichtenberg" href="https://www.ronaud.com/frases-pensamentos-citacoes-de/georg-c-lichtenberg">Georg C. Lichtenberg</a></p>
<p>Como são admiráveis as pessoas que nós não conhecemos bem. Millôr Fernandes</p>
<p>Não basta ser bom, é preciso parecer bom. Ditado popular</p>
<p>À mulher de César não basta ser honesta, tem que parecer honesta. Ditado popular</p></blockquote>
<p>Abaixo, reproduzo parte do trecho do livro As Consolações da Filosofia. Ele demonstra bem como um rótulo, isto é, uma dada aparência se fortalece na medida em que se distancia no tempo ou no espaço, e também, na medida em que usa de artifícios de distanciamento, como por exemplo, o que ocorre atualmente com a filosofia acadêmica, que usa do expediente de uma linguagem &#8220;difícil&#8221;, para se parecer superior. Como observa Will Durant:</p>
<blockquote><p>Mas nós, os ‘modernos’, tornamo-nos tão acostumados à verbosidade empolada na filosofia que quando ela é apresentada sem verbiagem temos dificuldade em reconhecê-la.</p></blockquote>
<p>O trecho abaixo explica, em suma, porque alguém distante, que não me conhece a não ser pela imagem que projeto através da minha presença online, considerou um comentário meu digno de ser aplicado em uma imagem para ser compartilhada nas redes sociais, de uma forma que certamente não faria se me conhecesse pessoalmente 🙂</p>
<p>Segue o trecho do livro. As citações todas são de Michel de Montaigne. Os colchetes são supressões que considerei irrelevantes:</p>
<blockquote><p>Toda obra complexa nos oferece uma escolha: devemos, ou não, julgar o autor inepto por não ser claro ou devemos nos julgar estúpidos por não conseguirmos captar o que está acontecendo? Montaigne nos encorajou a responsabilizar o autor. É mais provável que um estilo incompreensível tenha resultado mais da preguiça do que da inteligência: um texto que se lê com facilidade raramente é escrito desta forma. Ou então a prosa mascara uma falta de conteúdo; ser ininteligível oferece uma proteção sem paralelo contra o fato de não se ter nada a dizer:</p>
<p style="padding-left: 30px;">&#8220;A obscuridade é uma moeda que o erudito conjura para não revelar a vacuidade de seus estudos e que a estupidez humana está inclinada em aceitar como pagamento.&#8221;</p>
<p>Não há nenhuma razão para os filósofos usarem palavras que soariam deslocadas nas ruas e nos mercados:</p>
<p style="padding-left: 30px;">&#8220;Assim como no vestir, a linguagem revela uma mente fútil que busca chamar a atenção para um estilo pessoal e incomum. Buscar novas expressões e palavras pouco conhecidas revela uma adolescente ambição livresca. Quem me dera limitar-me às palavras usadas em Les Halles*, em Paris.&#8221;</p>
<p>Mas escrever com simplicidade requer coragem, por existir o risco de ser menosprezado, considerado simplório pelos que insistem em acreditar que a prosa intragável é um sinal de inteligência. Tão forte é esta tendenciosidade que Montaigne perguntou-se se a maioria dos catedráticos teria respeitado Sócrates, um homem que reverenciavam acima de todos os outros, se ele os tivesse abordado em suas próprias cidades, sem o prestígio dos diálogos de Platão, em sua túnica suja, falando em uma linguagem simples:</p>
<p style="padding-left: 30px;">&#8220;Os diálogos de Sócrates, que seus amigos legaram à posteridade, recebem nosso beneplácito apenas porque nos deixamos intimidar pela aprovação geral que receberam. Não usamos nossos próprios recursos intelectuais para julgá-los pois nunca fizeram parte de nossos hábitos. Se, na época em que vivemos, alguém viesse a produzir algo semelhante, poucos seriam aqueles que lhe reconheceriam o valor. Não somos capazes de apreciar virtudes que não são destacadas ou ampliadas por artifício. Virtudes estas que, rotuladas ou sob a capa de singeleza ou simplicidade, escapam com facilidade a um discernimento tão superficial quanto o nosso&#8230; Para nós, não seria a singeleza um parente próximo da simplicidade de espírito e uma qualidade digna de críticas? Sócrates possuía a mesma espontaneidade do homem comum: por conseguinte, falava como um camponês; falava como uma mulher&#8230; Suas induções e comparações baseavam-se nas atividades humanas mais comuns e mais conhecidas; todos eram capazes de compreendê-lo. Nos dias de hoje, nenhum de nós discerniria a nobreza e o esplendor de seus conceitos surpreendentes, expressos de forma tão simples; nós que julgamos inferior e banal o que não é revestido de erudição e que só percebemos a riqueza quando ela se faz acompanhar da pompa.&#8221;</p>
<p>É necessário e fundamental que se levem a sério os livros, mesmo quando seu conteúdo é claro e seu estilo atraente e, por extensão, não devemos nos deixar intimidar e nos considerar tolos se, devido a um rombo em nosso orçamento ou a uma lacuna em nossa instrução, nossas túnicas forem modestas e nosso vocabulário não for maior do que o de um barraqueiro de Les Halles*.</p>
<p>* Um antigo mercado público parisiense.</p>
<p>[&#8230;]</p>
<p>É tentador citar autores quando eles expressam exatamente o que pensamos com uma clareza e acuidade psicológica de que não somos capazes. Eles nos conhecem melhor do que nós próprios nos conhecemos e formulam de maneira elegante e sucinta ideias que para nós eram incipientes e conceitos que não conseguimos delinear, fazemos anotações nas margens e sublinhamos trechos que julgamos interessantes, demostrando onde encontramos um pouco de nós mesmos, uma ou duas frases da verdadeira essência da de nossas mentes &#8211; uma congruência que se torna ainda mais surpreendente se a obra foi escrita em uma era de togas e sacrifícios de animais. Convidamos estas palavras a entrar em nossos livros como uma homenagem àqueles que nos fazem lembrar quem somos.</p>
<p>Mas em vez de iluminar nossas experiências e nos conduzir em direção a nossas próprias descobertas, os grandes livros podem nos lançar em uma obscuridade problemática. [&#8230;] Longe de expandir nossos horizontes, eles podem injustamente vir a delimitá-los. [&#8230;] Mas, como Montaigne reconheceu, os grandes livros se calam diante de um número excessivo de temas. Se nós permitirmos que definam as fronteiras de nossa curiosidade, eles irão inibir nosso desenvolvimento intelectual.</p>
<p>[&#8230;]</p>
<p>[&#8230;] Agir de acordo com um verdadeiro espírito aristotélico, como Montaigne percebeu [&#8230;] é saber divergir com inteligência até mesmo das autoridades (intelectuais) mais reconhecidas.</p>
<p>É, no entanto, compreensível que se prefira citar e comentar o que já foi dito a falar e pensar por si mesmo. Um comentário sobre um livro de alguém, embora tecnicamente trabalhoso, revelando horas de pesquisa e exegese, está isento dos cruéis ataques que podem recair sobre obras originais. Os comentaristas podem ser criticados por nao terem conseguido fazer justiça às idéias de grandes pensadores, mas não podem ser responsabilizados pelas próprias ideias &#8211; motivo pelo qual Montaigne incluiu tantas citações e comentários nos <em>Ensaios</em>:</p>
<p style="padding-left: 30px;">&#8220;Às vezes recorro a outros autores para que digam o que não consigo expressar com a mesma propriedade devido às minhas deficiências de linguagem ou à minha pobreza intelectual&#8230; <em>[e]</em> às vezes&#8230; por temer o julgamento precipitado daqueles que não hesitam em atacar os escritos de qualquer tipo, especialmente aqueles cujos autores ainda vivem&#8230; Tenho de esconder minhas deficiências sob aqueles que alcançaram grande reputação.&#8221;</p>
<p>É surpreendente constatar que as chances de sermos levados a sério aumentam consideravelmente alguns séculos após a nossa morte. Declarações que poderiam ser aceitáveis quando se originam da pena de autores antigos correm o risco de atrair o o ridículo quando são expressas por contemporâneos. Os críticos não estão dispostos a se curvar perante as mais grandiosas declarações daqueles que dividiram com eles os bancos universitários. Não são esses os indivíduos que podem expressar opiniões como se fossem filósofos da antiguidade. &#8220;Ninguém escapa de pagar o ônus de ter nascido&#8221;, afirmou Sêneca, mas um homem que tivesse chegado à mesma conclusão em uma época mais recente não seria aconselhado a fazer semelhante declaração, a menos que manifestasse um  gosto especial pela humilhação. Montaigne, que não desejava ser humilhado, precaveu-se e, nas últimas páginas dos <em>Ensaios</em>, fez uma confissão referente a sua vulnerabilidade:</p>
<p style="padding-left: 30px;">&#8220;Se eu tivesse tido confiança de fazer o que realmente queria, teria usado minhas próprias palavras, sem importar-me com as consequências.&#8221;</p>
<p>A insegurança de Montaigne originava-se da certeza de que suas ideias poderiam não receber de seus contemporâneos os mesmo tratamento e a mesma legitimidade que as de Sêneca e Platão:</p>
<p style="padding-left: 30px;">&#8220;Meus conterrâneos da Gasconha acham estranho verem minhas ideias transformadas em livro. Sou mais valorizado à medida que minha fama ultrapassa cada vez mais as fronteiras do meu lugar de origem.&#8221;</p>
<p>No comportamento de sua família e da criadagem, os que o ouviam roncar ou trocavam-lhe a roupa de cama, nada havia da reverência de sua receptividade em Paris, e menos ainda postumamente:</p>
<p style="padding-left: 30px;">&#8220;Mesmo que um homem venha a se tornar um portento aos olhos do mundo, sua esposa e seu camareiro continuarão a não perceber nada de extraordinário nele. Poucos homens foram maravilhas para suas famílias.&#8221;</p>
<p>Podemos dar a esta observação duas interpretações: ninguém é de fato maravilhoso, mas apenas sua família e sua criadagem são íntimos o suficiente para perceber esta verdade frustrante. Ou que muitas pessoas são interessantes, mas o fato de lhes sermos contemporâneos nos torna propensos a não levá-las tão a sério, por conta de uma curiosa tendenciosidade contra o que está ao alcance de nossa mão.</p>
<p>Montaigne não estava sendo auto-piedoso; em vez disso, estava usando a crítica a obras contemporâneas mais ambiciosas como um sintoma de um impulso deletério de se achar que a verdade tem sempre de ser encontrada longe de nós, em outro clima, em uma biblioteca antiga, nos livros de autores de épocas remotas. Trata-se de uma questão de se decidir se o acesso a coisas verdadeiramente valiosas está limitado a um punhado de gênios surgidos no período entre a construção do <em>Paternon</em> e o saque de Roma ou se, como Montaigne ousava propor, elas estão disponíveis também para você e para mim.</p>
<p>[&#8230;]</p>
<p>Trata-se de uma ideia difícil de ser aceita. Somos educados para associar a virtude à submissão a autoridades textuais, em vez de a uma investigação dos volumes que transcrevemos em nosso íntimo por nossos mecanismos de percepção. Montaigne tentou nos fazer recorrer a nós mesmos:</p>
<p style="padding-left: 30px;">&#8220;Sabemos dizer &#8220;Foi Cícero quem disse isso&#8221;; &#8220;Este é o conceito de moral, segundo Platão&#8221;; &#8220;São estas as ipsissima verba [pelas mesmas palavras] de Aristóteles&#8221;. Mas o que nós temos a dizer? Que julgamentos fazemos? O que estamos fazendo? Um papagaio pode falar tão bem quanto nós.&#8221;</p>
<p>Repetir como papagaio não seria exatamente a maneira que um erudito usaria para descrever o que o leva a escrever um texto analítico. Uma gama de argumentações poderia mostrar o valor de se produzir uma exegese do pensamento moral de Platão ou da ética de Cícero. Montaigne enfatizou a covardia e o tédio de tal atividade. Obras secundárias requerem um talento menor (&#8220;A inventividade não se compara em importância à mera citação&#8221;), a dificuldade é técnica, uma questão de paciência e uma biblioteca silenciosa. Além do mais, muitos dos livros que a tradição acadêmica nos encoraja a citar como papagaios não são em si obras fascinantes. Eles receberam um lugar de destaque nos currículos universitários porque são obras de autores de prestígio, enquanto outros temas tão ou mais válidos ficam no ostracismo porque nenhuma autoridade intelectual se deu ao trabalho de elucidá-los. A relação da arte com a realidade sempre foi considerada um tema filosófico sério, em parte porque Platão foi o primeiro a levantá-lo; a relação da timidez com a aparência pessoal não é, em parte, porque não atraiu a atenção de nenhum filósofo da Antiguidade.</p>
<p>Com base neste respeito inusitado pela tradição, Montaigne julgou ser relevante admitir para seus leitores que, na realidade, ele achava que Platão poderia ser limitado e enfadonho:</p>
<p style="padding-left: 30px;">&#8220;Será que a a liberdade da época em que vivemos irá perdoar o audacioso sacrilégio que cometo ao julgar maçantes [seus] Diálogos, que se arrastam e delimitam seu próprio tema e ao lamentar que um homem capaz de dizer coisas mais importantes tenha perdido tanto tempo com debates infindáveis e inúteis?&#8221;</p>
<p>Com relação a Cícero, não houve sequer necessidade de desculpar-se antes de atacar-lhe:</p>
<p style="padding-left: 30px;">&#8220;Os trechos introdutórios, as definições, as subdivisões e etimologias consomem grande parte de sua obra&#8230; Se eu dedicar uma hora a sua leitura (o que é muito para mim) e em seguida tentar relembrar a essência do que li ou do que consegui apreender, na maioria das vezes nada me vem à mente.&#8221;</p>
<p>O fato de os eruditos dedicarem tanta atenção aos clássicos deriva-se, segundo Montaigne sugeriu, a um desejo nascido da vaidade de ser considerado inteligente por intermédio de sua associação com nomes de prestígio. Para o leitor comum, o resultado era uma avalanche de livros eruditos e insensatos:</p>
<p style="padding-left: 30px;">Existem mais livros sobre livros do que sobre qualquer outro assunto: tudo que fazemos é glosar uns aos outros. Tudo não passa de uma enxurrada de comentários; de autores propriamente ditos, existe uma escassez absoluta.</p>
<p>Mas Montaigne insistia em afirmar que as ideias interessantes podem ser encontradas na vida de qualquer um. Por mais modesta que seja a nossa história, podemos extrair insights mais importantes de nós próprios do que de todos os livros de outrora:</p>
<p style="padding-left: 30px;">&#8220;Se eu fosse um homem de grande erudição, encontraria o suficiente para tornar-me sábio em minha própria experiência. todo aquele que traz vivo na mente seu último acesso de fúria&#8230; percebe a fealdade deste sentimento melhor do que em Aristóteles.&#8221;</p>
<p style="padding-left: 30px;">[&#8230;]</p>
<p>Somente uma cultura formal e intimidadora nos faz pensar de outra maneira:</p>
<p style="padding-left: 30px;">&#8220;Cada um de nós é mais rico do que pensa.&#8221;</p>
</blockquote>
<p>***</p>
<p>Desde a adolescência, tive dificuldade de lidar com uma sociedade que baseia suas relações em imagens forjadas. A maioria das pessoas com as quais lidamos se nos apresenta de um modo artificialmente construído, e esperam, e exigem, que também nós nos apresentemos a elas de modo superficialmente construído. Mesmo que na intimidade e no anonimato, sejamos outros; sejamos, na verdade, quem realmente somos.</p>
<p>A imagem com a qual as pessoas se apresentam para nós, é a imagem que convencionou-se ser IDEAL para apresentarem-se. A imagem que nós esperamos que elas exibam. Pessoas autênticas demais sempre causam estranhamento e são rotuladas de excêntricas. Mas no fim, estão sendo apenas <em>mais elas mesmas</em>. Nós é que nos normalizamos demais para sermos aceitos.</p>
<p>Marcas publicitárias trabalham muito em cima dessa questão de imagem. A partir do momento que uma marca consegue convencer-nos de sua qualidade, ela tem 90% do caminho em direção ao lucro garantido. A melhor esponja de aço? Bombril. O melhor sabão em pó? Omo. A melhor bebida refrescante? Coca-cola.</p>
<p>Podem até não ser tão boas. Pode haver algum concorrente até melhor. Mas não o conhecemos; acreditamos que essas marcas são as melhores. Há uma autoridade envolvendo seus nomes &#8211; que foi construída &#8211; que nos convence que são boas. Acreditamos que são, e é isso que importa.</p>
<blockquote><p>Assim é, se lhe parece. Luigi Pirandello</p></blockquote>
<p>Eis o porquê algumas marcas usam do recurso de associar seus produtos a nomes famosos. Fazem isso em anúncios publicitários escancarados, mas também chegam a DAR seus produtos para que os famosos usem. A mente comum vai pensar: &#8220;Se FULANO, que é FULANO, usa tal produto, é porque deve ser bom&#8221; ou &#8220;Se FULANO usa tal produto, vou usar também, para ficar parecido com ele e me destacar também&#8221;. <em><br />
</em></p>
<p>Da mesma forma funciona a imagem social, o marketing pessoal. Acreditamos que o sujeito é ético e boa gente, porque é só o que ele mostra. Acreditamos que é, e é isso que importa, mesmo apesar do sujeito eventualmente ser agressivo com seus próximos, ou corrupto ou pervertido na intimidade.</p>
<blockquote><p>O que os olhos não vêem, o coração não sente.</p></blockquote>
<p>O santo de casa, aquele que não faz milagre, não faz milagre porque o conhecemos. Nossos olhos o vêem, e vendo o quanto é humano, nosso coração desacredita de seu caráter milagreiro.</p>
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		<title>Não basta ser bom, é preciso parecer bom</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ronaud Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Sep 2013 16:47:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Aparências]]></category>
		<category><![CDATA[Criatividade]]></category>
		<category><![CDATA[Essência]]></category>
		<category><![CDATA[Hipocrisia]]></category>
		<category><![CDATA[Iniciativa]]></category>
		<category><![CDATA[Produtividade]]></category>
		<category><![CDATA[Superficialidade]]></category>
		<category><![CDATA[Trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[Vaidade]]></category>
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					<description><![CDATA[É, só que tem muita gente que pula a primeira parte do ditado popular que dá título a esta postagem. Ontem encontrei essa frase numa Vogue de um consultório: A verdade é que as pessoas gostam mais da ideia de ser artista do que de produzir. É preciso trabalhar e estudar para fazer arte &#8211; [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_13013" style="width: 310px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.ronaud.com/wp-content/uploads/2013/09/pavao-azul-verde.jpg"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-13013" class="size-full wp-image-13013 " title="A origem do verbo &quot;pavonear&quot;" src="https://www.ronaud.com/wp-content/uploads/2013/09/pavao-azul-verde.jpg" alt="A origem do verbo &quot;pavonear&quot;" width="300" height="200" srcset="https://www.ronaud.com/wp-content/uploads/2013/09/pavao-azul-verde.jpg 1600w, https://www.ronaud.com/wp-content/uploads/2013/09/pavao-azul-verde-300x200.jpg 300w, https://www.ronaud.com/wp-content/uploads/2013/09/pavao-azul-verde-1024x682.jpg 1024w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><p id="caption-attachment-13013" class="wp-caption-text">A origem do verbo &#8220;pavonear&#8221;</p></div>
<p>É, só que tem muita gente que pula a primeira parte do ditado popular que dá título a esta postagem.</p>
<p>Ontem encontrei essa frase numa Vogue de um consultório:</p>
<blockquote><p>A verdade é que as pessoas gostam mais da ideia de ser artista do que de produzir. É preciso trabalhar e estudar para fazer arte &#8211; Charles Watson, professor e educador</p></blockquote>
<p>Ela resume bem essa superficialidade que encontramos por aí.</p>
<p>Sujeito pinta um ou dois quadros e se diz <em>ARTISTA PLÁSTICO</em>.</p>
<p>É o mesmo que baseia a decisão de compra por produtos com rótulos bonitos.</p>
<p>Ainda não entendeu (ou não dá importância) à nada sutil diferença entre conteúdo e aparências, e que <a title="As aparências enganam" href="https://www.ronaud.com/sucesso/as-aparencias-enganam/">as aparências enganam</a>.</p>
<p>O ditado popular diz que &#8220;não basta <em>ser</em> bom, é preciso <em>parecer</em> bom&#8221;.</p>
<p>Hoje vivemos numa época em que precisamos invertê-lo:</p>
<p><strong>Não basta <em>parecer</em> ser bom, é preciso <em>ser</em> bom.</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>O Amor e a Loucura</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ronaud Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Jan 2012 05:56:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[Essência]]></category>
		<category><![CDATA[Sentimentos]]></category>
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					<description><![CDATA[Contam que uma vez, se reuniram todos os sentimentos e qualidades dos homens em um lugar da Terra. Quando o Aborrecimento havia reclamado pela terceira vez, a loucura como sempre tão louca lhes propôs: Vamos brincar de esconde-esconde? A Intriga levantou a sobrancelha intrigada e a Curiosidade sem poder conter-se perguntou: Esconde-esconde? Como é isso? Mais ou menos um [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Contam que uma vez, se reuniram todos os sentimentos e qualidades dos homens em um lugar da Terra. Quando o <strong>Aborrecimento </strong>havia reclamado pela terceira vez, a <strong>loucura</strong> como sempre tão louca lhes propôs: Vamos brincar de esconde-esconde? A <strong>Intriga</strong> levantou a sobrancelha intrigada e a <strong>Curiosidade</strong> sem poder conter-se perguntou:</p>
<p>Esconde-esconde? Como é isso? Mais ou menos um jogo, explicou a <strong>Loucura</strong>, em que eu fecho os olhos e começo a contar de um a um milhão enquanto vocês se escondem, e quando eu tiver terminado de contar, o primeiro de vocês que eu encontrar ocupará o meu lugar para continuar o jogo. O <strong>Entusiasmo</strong> levantou seguido pela <strong>Euforia</strong>. A <strong>Alegria</strong> deu tantos saltos que acabou por convencer a <strong>Dúvida</strong> e até mesmo a <strong>Apatia</strong>, que nunca se interessava por nada. Mas nem todos queriam participar. A <strong>Verdade</strong> preferiu não esconder-se. Para quê? Se no final todos a encontravam? A <strong>Soberba</strong> opinou que era um jogo muito tonto. No fundo, o que a incomodava era que a idéia não tivesse sido dela. E a <strong>Covardia </strong>preferiu não arriscar-se.</p>
<p>Um, dois, três, quatro&#8230;. Começou contar a <strong>Loucura</strong>. A primeira a esconder-se foi a <strong>Pressa</strong>, que como sempre caiu atrás da primeira pedra do caminho. A <strong>Fé</strong> subiu aos céus e a <strong>Inveja</strong> se escondeu atrás da sombra do <strong>Triunfo</strong>, que com seu próprio esforço tinha conseguido subir na copa da árvore mais alta. A <strong>Generosidade</strong> quase não consegue esconder-se pois cada local que encontrava lhe parecia maravilhoso para algum de seus amigos. Se era um lago cristalino, ideal para a <strong>Beleza</strong>. Se era a copa de uma árvore, perfeito para a <strong>Timidez</strong>. Se era o vôo de uma borboleta, o melhor para a <strong>Volúpia</strong>. Se era uma rajada de vento, magnífico para a <strong>Liberdade</strong>. E assim, acabou escondendo-se em um raio de sol. O <strong>Egoísmo</strong> ao contrário encontrou um local muito bom desde o início, ventilado, cômodo, mas apenas para ele. A <strong>Mentira</strong> escondeu-se no fundo do oceano. Mentira!!! Na realidade escondeu-se atrás do arco-íris. E a <strong>Paixão</strong> e o <strong>Desejo</strong>, no centro dos vulcões. O <strong>Esquecimento</strong> não recordo-me onde  escondeu-se. Mas isso não é o mais importante.</p>
<p>Quando a <strong>Loucura</strong> estava lá pelo novecentos e noventa e nove mil, novecentos e noventa e nove, o <strong>Amor</strong> ainda não havia encontrado um local para esconder-se, pois todos já estavam ocupados. Até que encontrou uma rosa e carinhosamente decidiu esconder-se entre suas pétalas.</p>
<p>Um milhão&#8230; Contou a <strong>Loucura</strong> e começou a busca. A primeira a aparecer foi a <strong>Pressa</strong>, apenas a três passos de uma pedra. Depois escutou-se a <strong>Fé</strong> discutindo com Deus no céu sobre zoologia. Sentiu vibrar a <strong>Paixão</strong> e o <strong>Desejo</strong> nos vulcões. Em um descuido, encontrou a <strong>Inveja</strong> e claro, pode deduzir onde estava o <strong>Triunfo</strong>.</p>
<p>O <strong>Egoísmo</strong> não teve nem que procurá-lo, ele sozinho saiu em disparada de seu esconderijo que na verdade era um ninho de vespas. De tanto caminhar sentiu sede e ao aproximar-se de um lago descobriu a <strong>Beleza</strong>. A <strong>Dúvida</strong> foi mais fácil ainda pois a encontrou sentada sobre uma cerca sem decidir de que lado esconder-se. E assim foi encontrando a todos. O <strong>Talento</strong> entre a erva fresca. A <strong>Angústia</strong> em uma cova escura. A <strong>Mentira </strong>atrás do arco-íris. Mentira!!! Estava no fundo do oceano. E até o <strong>Esquecimento</strong>, o qual já havia esquecido que estava brincando de esconde-esconde.</p>
<p>Apenas o <strong>Amor</strong> não aparecia em nenhum local. A <strong>Loucura</strong> procurou atrás de cada árvore, embaixo de cada rocha do planeta e em cima das montanhas. Quando estava a ponto de dar-se por vencida, encontrou um roseiral. Pegou uma forquilha e começou a mover os ramos, quando no mesmo instante, escutou-se um doloroso grito. Os espinhos tinham ferido o <strong>Amor</strong> nos olhos. A <strong>Loucura</strong> não sabia o que fazer para desculpar-se. Chorou, rezou, implorou. Pediu perdão e até prometeu ser seu guia.</p>
<p>Desde então, desde que pela primeira vez que se brincou de esconde-esconde na terra, <strong>o Amor é cego, e a Loucura sempre o acompanha</strong>.</p>
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		<title>Por que palavras? Uma resposta Zen</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ronaud Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 Jun 2011 06:39:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Pensamentos]]></category>
		<category><![CDATA[Essência]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia oriental]]></category>
		<category><![CDATA[Na prática a teoria é OUTRA]]></category>
		<category><![CDATA[Palavras]]></category>
		<category><![CDATA[Pragmatismo]]></category>
		<category><![CDATA[Realidade]]></category>
		<category><![CDATA[Verdade]]></category>
		<category><![CDATA[Viver intensamente]]></category>
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					<description><![CDATA[Um breve texto de caráter zen que visa demonstrar a evidente porém ignorada diferença entre as palavras e seus significados, principalmente em relação à revelação da verdade.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><small>Tomei a liberdade de reproduzir aqui um texto cujo link original (http://tamhaovan.multiply.com/journal/item/34) parece que se perdeu e, por acaso, ainda encontrei no cache do google. O autor parece chamar-se Claudio e usava o apelido Tam Hyuen Van no Multiply.</small></p>
<blockquote><p>Um monge aproximou-se de seu mestre &#8211; que se encontrava em meditação no pátio do Templo à luz da lua &#8211; com uma grande dúvida:</p>
<p>&#8220;Mestre, aprendi que confiar nas palavras é ilusório; e diante das palavras, o verdadeiro sentido surge através do silêncio. Mas vejo que os Sutras e as recitações são feitas de palavras; que o ensinamento é transmitido pela voz. Se o Dharma está além dos termos, porque os termos são usados para defini-lo?&#8221;</p>
<p>O velho sábio respondeu: &#8220;As palavras são como um dedo apontando para a Lua; cuida de saber olhar para a Lua, não te preocupes com o dedo que a aponta.&#8221;</p>
<p>O monge replicou: &#8220;Mas eu não poderia olhar a Lua, sem precisar que algum dedo alheio a indique?&#8221;</p>
<p>&#8220;Poderia,&#8221; confirmou o mestre, &#8220;e assim tu o farás, pois ninguém mais pode olhar a lua por ti. As palavras são como bolhas de sabão: frágeis e inconsistentes, desaparecem quando em contato prolongado com o ar. A Lua está e sempre esteve à vista. O Dharma é eterno e completamente revelado. As palavras não podem revelar o que já está revelado desde o Primeiro Princípio.&#8221;</p>
<p>&#8220;Então,&#8221; o monge perguntou, &#8220;por que os homens precisam que lhes seja revelado o que já é de seu conhecimento?&#8221;</p>
<p>&#8220;Porque,&#8221; completou o sábio, &#8220;da mesma forma que ver a Lua todas as noites faz com que os homens se esqueçam dela pelo simples costume de aceitar sua existência como fato consumado, assim também os homens não confiam na Verdade já revelada pelo simples fato dela se manifestar em todas as coisas, sem distinção. Desta forma, as palavras são um subterfúgio, um adorno para embelezar e atrair nossa atenção. E como qualquer adorno, pode ser valorizado mais do que é necessário.&#8221;</p>
<p>O mestre ficou em silêncio durante muito tempo. Então, de súbito, simplesmente apontou para a lua.</p>
<p>Conto Zen &#8211; 25 de Outubro, 2005 &#8211; Revisado em 2010</p></blockquote>
<p>Este texto tão sucinto fala de dois pontos que volta e meia me atordoam os pensamentos:</p>
<p>1° <a href="https://www.ronaud.com/espiritualidade/a-magia-nossa-de-cada-dia/">As pessoas se acostumam com as coisas</a>.</p>
<p>2° Apenas <a href="https://www.ronaud.com/arte-de-viver/ler-para-viver/">ler, estudar, discutir, etc não resolvem a vida</a>. Chega um momento em que livro algum, palavra alguma, idéia alguma no mundo vai te preencher como preencherá uma tarde livre em meio a gente querida, SENTINDO a vida que pulsa lá fora e dentro de si mesmo(a).</p>
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		<title>Existencialismo</title>
		<link>https://www.ronaud.com/espiritualidade/existencialismo/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Ronaud Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 16 Mar 2011 23:51:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Ateísmo]]></category>
		<category><![CDATA[Ceticismo]]></category>
		<category><![CDATA[Essência]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
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					<description><![CDATA[Sartre afirma que a existência humana precede sua essência. As religiões, ao contrário, afirmam que temos uma essência, isto é, a alma imortal, que precede e sucede a existência terrena. Segundo o filósofo existencialista, nós primeiro começamos a existir e então, através de nossas decisões, construímos a nós mesmos, isto é, a nossa essência. Fácil de [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a title="Frases de Sartre" href="https://www.ronaud.com/frases-pensamentos-citacoes-de/jean-paul-sartre">Sartre</a> afirma que a existência humana precede sua essência.</p>
<p>As religiões, ao contrário, afirmam que temos uma <em>essência</em>, isto é, a alma imortal, que precede e sucede a existência terrena.</p>
<p>Segundo o filósofo existencialista, nós primeiro começamos a existir e então, através de nossas decisões, construímos a nós mesmos, isto é, a nossa essência.</p>
<p>Fácil de entender.</p>
<p>***</p>
<p>O que não entendo mesmo é como esta visão estritamente materialista foi adotada unanimemente como base de toda a visão ocidental atual da humanidade.</p>
<p>Citar a imprecisão implícita de um ponto de vista filosófico <a href="https://www.ronaud.com/inteligencia/navalha-de-ockham/">não me parece muito diferente</a> de citar um trecho bíblico por exemplo, para fundamentar um ponto de vista.</p>
<p>Não vejo porque citar Sartre com tamanha convicção. Que garantia temos de que ele está inexoravelmente certo? E vai que Sartre estava errado e que algum nível de nossa consciência precede nosso nascimento de alguma forma, como no caso dessas <a title="Tutorial: Como desenvolver um talento musical GENIAL em 4 anos, de idade." href="https://www.ronaud.com/musica/crianca-prodigio/">crianças-prodígio</a> que já nascem com super e inacreditáveis talentos?</p>
<p>Como se averígua isso?</p>
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		<title>Paranoias</title>
		<link>https://www.ronaud.com/vida/paranoias/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Ronaud Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Feb 2011 18:00:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Vida]]></category>
		<category><![CDATA[Aparências]]></category>
		<category><![CDATA[Contradição]]></category>
		<category><![CDATA[Essência]]></category>
		<category><![CDATA[Superficialidade]]></category>
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					<description><![CDATA[Um breve texto sobre esse mundo de aparências que domina a cada dia mais nosso comportamento e decisões.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span class="medio">Vai um café? &#8211; Sem cafeína, por favor.</span></p>
<p><span class="medio">Com leite? (só se for sem lactose)</span></p>
<p><span class="medio">Mais tarde, uma cerveja, sem álcool.</span></p>
<p><span class="medio">E a carne, de soja.</span></p>
<p><span class="medio">E o chocolate, sem açúcar.</span></p>
<p><span class="medio">Adoce, com adoçante.</span></p>
<p><span class="medio">Caminhe, sobre a esteira.</span></p>
<p><span class="medio">Pedale, na ergométrica.</span></p>
<p><span class="medio">Aprecie a paisagem, do seu fundo de tela.</span></p>
<p><span class="medio">Acaricie os bichos&#8230; de pelúcia.</span></p>
<p><span class="medio">E seja amoroso(a) com seus bichos. Em gente não se confia.</span></p>
<p><span class="medio">Construa sua bela casa, e cerque-a com medo dos ladrões.</span></p>
<p><span class="medio">Compre mais um carro, e reclame do trânsito.</span></p>
<p><span class="medio">Compre belas louças, para usar só com as visitas.</span></p>
<p><span class="medio">Perca o amigo, mas não perca a piada.</span></p>
<p><span class="medio">Sinta o romance, das comédias românticas.</span></p>
<p><span class="medio">Viva a paixão, que só você sabe que existe.</span></p>
<p><span class="medio">Ou namore muito, a distância.</span></p>
<p><span class="medio">E não esqueça do sexo, virtual.</span></p>
<p><span class="medio">Viva a vida, sem Viver.</span></p>
<p><span class="medio">Sua vida, <em>de <a href="https://www.dementia.com.br/tag/mentiras/">mentirinha</a></em>.</span></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>O que é natural para você?</title>
		<link>https://www.ronaud.com/auto-conhecimento/voce-esta-preparado-para-o-que-voce-quer/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Ronaud Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Feb 2010 23:30:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Autoconhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[Prosperidade]]></category>
		<category><![CDATA[Abundância]]></category>
		<category><![CDATA[Aparências]]></category>
		<category><![CDATA[Conforto]]></category>
		<category><![CDATA[Dinheiro]]></category>
		<category><![CDATA[Essência]]></category>
		<category><![CDATA[Maturidade]]></category>
		<category><![CDATA[Natureza humana]]></category>
		<category><![CDATA[Riqueza]]></category>
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					<description><![CDATA[Não há nada demais em trabalhar e mover seus recursos para alcançar dinheiro, prosperidade, poder, prestígio e tudo de bom que pode vir junto nesta empreitada, desde que essa intenção seja autêntica e natural para você.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Você está preparado para o que você quer? Ou o que você quer, você quer mesmo por você?</p>
<p>Ou porque lhe disseram que você deveria querer?</p>
<p>O tema do <a href="https://www.ronaud.com/espiritualidade/compreensao-a-arte-de-aceitar/">texto anterior</a> toca num assunto recorrente aqui. Muito discorro sobre dinheiro, riqueza, prosperidade. E procuro afirmar que dinheiro, poder e abundância são sim valores positivos e que muito agregam à vida de qualquer um.</p>
<h3>Contudo, entretanto, porém [&#8230;]</h3>
<p>Apesar de procurar manter um ponto de vista positivo com relação à riqueza, com o tempo tenho percebido que o conceito de riqueza não é o mesmo para todos. E acho que é bom que não seja.</p>
<p>Se você é uma pessoa naturalmente simples, que precisa de pouco para viver, e se sente genuinamente bem com isso, então muito dinheiro para você não passará que uma grande <em>incomodação</em>. Seu nível pessoal, espiritual, mental, <em>whatever</em>, não precisa da opulência para se sentir bem. E ao contrário do que dizem (e exageram) alguns <strong>evangelistas da prosperidade</strong>, não é errado não precisar de sofisticação. Errado é seguir os valores alheios, ou no português claro, ser <em><strong>maria vai com as outras</strong></em>. Cada um é o que é, e o verdadeiramente vitorioso é aquele que consegue impor o que é, digam o que disserem!</p>
<p>A grande questão se resume a:</p>
<h3>O que é natural pra você?</h3>
<p>Neste texto sobre <a href="https://www.ronaud.com/bom-senso/lidar-com-dinheiro-tambem-e-vocacao/">dinheiro e vocação</a> eu procurei defender que lidar preponderantemente com dinheiro pode ser sim uma vocação tão natural para algumas pessoas como é cozinhar e desenhar para outras.</p>
<p>Mas os valores relacionados à riqueza <strong>podem não ser</strong> naturais para você. E de duas uma:</p>
<p>Ou você segue o caminho da moça citada no <a href="https://www.ronaud.com/espiritualidade/compreensao-a-arte-de-aceitar/">texto anterior</a>, em que manda tudo pros ares e segue seu instinto de sobrevivência, pouco importe o que vão dizer, e vão dizer mesmo horrores de você. Veja que não estou nem a defendendo, nem a condenando. Escrevi sobre essa postura no texto <a href="https://www.ronaud.com/vida/o-preco-de-ser-quem-voce-e/">O Preço de Ser Quem Você é</a>.</p>
<p>Ou segue o caminho imposto pelos outros &#8211; ou escolhido baseado nos valores dos outros (afinal os seus valores você nem se deu o trabalho de encontrar) &#8211; e vai se destruindo ano após ano, em busca do <strong>sucesso enfartado</strong>. Sim, <strong>sucesso enfartado</strong>, uma expressão que encontrei por aí, não lembro onde, e resumiu bem esse paradigma ocidental de trocar seu tempo de vida e o pior, sua saúde, por dinheiro e posição social.</p>
<p>Reforçando: Não há nada demais em trabalhar e mover seus recursos para alcançar dinheiro, prosperidade, poder, prestígio e tudo de bom que pode vir junto nesta empreitada, <strong>desde que essa intenção seja autêntica e natural para você</strong>.</p>
<h3>Dando tempo ao tempo</h3>
<p>No <a href="https://www.ronaud.com/espiritualidade/compreensao-a-arte-de-aceitar/">texto anterior</a> lembrei de uma observação que me é também recorrente: A de que certas pessoas só florescem na vida depois de já um tempo de vida. É um tempo no qual já resolveram boa parte dos seus conflitos internos. E tais observações só reforçam o valor da <a href="https://www.ronaud.com/tag/paciencia/">paciência</a>.</p>
<p>Essas pessoas costumam viver com mais paz interior, já passaram por várias atividades, já podem decidir sem resquícios de dúvidas por qual atividade tem mais afinidade. Já sofreram por amor e o entenderam <a href="https://www.ronaud.com/bom-senso/o-amor-nao-e-um-superpoder/">como o amor deve ser entendido</a>, e não como a sociedade nos diz como o amor deve ser. Enfim, já acumularam uma boa dose de experiência e de sabedoria, as quais lhes servem para galgar novos padrões de vida, mais equilibrados, mais prósperos, mais enriquecedores à sua experiência existencial.</p>
<p>E você? O que é natural para você? Já identificou seus valores que, no fundo, não são seus mas foram incorporados dos pais, amigos, patrões, palestrantes, publicidade, mídia e etc?</p>
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		<title>Eu sei que você é importante</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ronaud Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 29 Aug 2009 11:56:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bom senso]]></category>
		<category><![CDATA[Aparências]]></category>
		<category><![CDATA[Baixa Autoestima]]></category>
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					<description><![CDATA[Certas pessoas têm uma necessidade visceral de serem/se sentirem/parecerem importantes. NÃO PERDEM UMA OCASIÃO SEQUER de demonstrar, seja através de histórias, posses, contatos importantes, que elas são realmente mais importantes do que você. Apenas tentam, porque, superior, mesmo, você sabe quem é, e não precisa alardar. Você se basta!]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Certas pessoas têm uma necessidade <em>visceral</em> de serem/se sentirem/parecerem importantes. Mas depois que eu li aquele <a href="https://www.ronaud.com/livros/resenha-e-critica-do-livro-como-fazer-amigos-e-influenciar-pessoas/">livrinho fantástico de Dale Carnegie</a>, aprendi a entendê-las.</p>
<p>Se estão diante de um fato aparentemente importante/inusitado, rapidamente sacam suas <em>máquinas fotográficas digitais</em>, maquininhas agora onipresentes, e tratam logo de fotografar. Pra que? Pra mostrar pros <a title="Um amplo texto sobre a figura do outro na nossa vida" href="https://www.ronaud.com/autoestima/como-lidar-com-os-outros/">outros</a>, é lógico. Pra provar que estiveram ali presentes. Ou quem sabe pra pôr no <em>Facebook</em> e mostrar pra quem <em>não quer </em>ver. Até parece que vão ficar revendo aquela fotografia com alguma frequência. Em vez de absorverem toda a sensação de estarem diante de um fato importante, presenciando segundo após segundo, não! Preferem ver o fato através das lentes da câmera.</p>
<p>Nesse sentido, não vivem, <em>digitalizam</em>!!!</p>
<p>Não critico o ato interessantíssimo de fotografar. Muito pelo contrário. Critico tão somente a <em>obsessão fotográfica</em> de quem não está se importando tanto com <strong>o fato</strong> em si, e sim em mostrar aos outros que se esteve diante do fato. Basta um acontecimento inusitado e uma corrente de celulares <em>fotográficos</em> apontando para o mesmo se forma instantaneamente em volta.</p>
<p>Tudo bem, tudo bem, <em>eu é que sou chato</em>.<em><br />
</em></p>
<p>Algumas dessas pessoas são daquelas que NÃO PERDEM UMA OCASIÃO SEQUER de demonstrar, seja através de histórias, posses, contatos importantes, que elas são realmente <em>mais importantes</em> do que você.</p>
<p>Se estamos os dois com gripe, a dele foi pior, o fez sofrer mais, logo ele suportou mais do que você e por consequência é mais forte do que você e enfim, a consequência das consequências, aquela consequência latente, subentendida, inevitável: Demonstra-se que ele é mais importante que você.</p>
<p>Se você comprou um computador/celular/whatever novo e quer compartilhar sua alegria de ter adquirido um &#8220;brinquedinho&#8221; novo, esqueça. Você não sabia que ele acabou de comprar aquele último computador/celular/whatever MUITO MELHOR que o seu? Ele não vai falar diretamente que tem algo melhor que você, mas vai começar a <del>destilar</del><ins> citar</ins> todas as infinitas funcionalidades do aparelho, das quais talvez vá usar duas ou três. E vai perguntar se o seu tem essa ou aquela funcionalidade. E talvez tenha, talvez não, mas você, já broxado, responde: &#8220;não sei&#8230;&#8221;</p>
<p>Se você está cansado, porque trabalhou o dia inteiro, nãããããoooooo! Ele trabalhou mais, se esforçou mais, foi até lá e depois cá, escalou montanhas, cavou túneis, está muito mais cansado que você, mas tá ali, <em>guentando</em> o tranco heroicamente até o fim do dia, logo, é mais forte, mais capaz e acredite, MAIS IMPORTANTE QUE VOCÊ.</p>
<p>Ser humilde é uma benção, não pela humildade, ou por uma suposta bem-aventurança cristã, mas simplesmente porque quem é capaz de ser humilde, torna-se automaticamente capaz de ENXERGAR o mundo com olhos sensatos, que se atem à essência, e não a <em>aparências</em>. Que têm a noção de que essencialmente somos todos iguais e limitados. Quem se deixa levar/convencer por <em><a href="https://www.ronaud.com/inteligencia/o-que-e-status/">status</a></em> e posições está enxergando um mundo ilusório. A presunçosa ilusão de que resolve alguma coisa mesmo, na vida, demonstrar que se é &#8220;melhor&#8221; do que os outros. Apenas demonstram, porque, superior, mesmo, você sabe quem é, e não precisa alardar.</p>
<p>Você se basta!</p>
<p>O legal mesmo é você aprender a ouvir essas <em>m*rdas</em> e ficar só nisso, ouvindo. Não leva a sério, <em>coitados</em> deles, que têm essa necessidade de DEMONSTRAR a superioridade que não têm. Não vejo de outro modo o quanto a DISCRIÇÃO é componente fundamental do sucesso duradouro.</p>
<p>Gente discreta é linda!</p>
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		<title>A essência permanece</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ronaud Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Jun 2009 01:01:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Vida]]></category>
		<category><![CDATA[Amizade]]></category>
		<category><![CDATA[Companhia]]></category>
		<category><![CDATA[Essência]]></category>
		<category><![CDATA[Felicidade]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Humanismo]]></category>
		<category><![CDATA[Qualidade de vida]]></category>
		<category><![CDATA[Sociabilidade]]></category>
		<category><![CDATA[Timidez]]></category>
		<category><![CDATA[Viver a Vida]]></category>
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					<description><![CDATA[Ao mesmo tempo em que parece que tudo está mudando, não é difícil perceber que permanecemos os mesmos, junto às nossas emoções, valores e sentimentos humanos. E conosco permanecem o que só humanos podem vivenciar: Risadas, ternura, atenção, desafios, vitórias, sucessos e porque não, lágrimas e derrotas, que nos motivam a nos superarmos e seguirmos em frente. Nenhum computador jamais substituirá genuinamente a sensação de estar entre amigos, ou reunido em família, ou em contato com a natureza, ou qualquer coisa que toque o nosso coração.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Dias atrás, o presidente do Google sugeriu aos jovens que desliguem seus computadores e passem a enxergar o que há de humano à sua volta. Embora os adeptos de teorias conspiratórias tenham dito que isso é o tal do Marketing ao contrário, já que jovens tendem a fazer o contrário do que lhes é sugerido, ainda assim acredito que foram grandes palavras, as ditas por Schmidt.</p>
<p>Não sou lá muito dado a relações humanas, vou ser sincero. Minha timidez é forte, ainda, e aliada a uma visão relativamente intolerante no sentido de que assuntos triviais simplesmente não me despertam interesse, acabo sendo, sim, do tipo que se diz por aí &#8220;que não se mistura&#8221;. No entanto, no dia-a-dia, sempre acabo me deparando com alguém digno de respeito e atenção. Como é agradável lidar com gente fina, inteligente e educada. É nestes momentos que percebemos que, independente da forma que for, quando vivenciamos o aspecto mais humano de nossa vida, nos sentimos mais vivos, sentimos nossa &#8220;existência&#8221; validada.</p>
<p>A tecnologia atual sem dúvida é benéfica e é a base do progresso que vivemos atualmente. Sem ela nossa vida seria muito pior. No entanto acredito que não é salutar vivermos sob o que se poderia chamar de <em>tecnolatria</em>. A não ser para quem ganha a vida com tecnologia, esta não deve ser considerada um fim em si mesma. Toda máquina é sem graça, em si mesma, bem como são as drogas ou qualquer coisa que possamos usar de <a title="Muletas existenciais" href="https://www.ronaud.com/auto-conhecimento/muletas-existenciais/">muletas</a> para suportarmos a existência.</p>
<p>Sempre entendi que <a title="Uma interessante história sobre o tema" href="https://www.ronaud.com/empreendedorismo/valorizacao-profissional-a-martelada/">talento é uma coisa, e a ferramenta é outra</a>. Ferramentas são só um meio para se chegar a um resultado que só o talento é capaz de alcançar. É o que me faz questionar ocasiões em que vejo alguém ostentando que tem um computador x com 1000x de memória ram e 500x de hd sendo que o utiliza apenas para acessar a internet. Ou quando vejo, especificamente no meu ramo de trabalho, pessoas querendo aprender &#8220;Dreamweaver&#8221;, quando na verdade este é apenas uma ferramenta que serve a quem aprendeu a &#8220;criar e desenvolver websites&#8221;, de preferência funcionais. E talento não é um aspecto preponderantemente humano? Alguma máquina tem &#8220;talento&#8221;? Ferramentas fazem algum trabalho interessante sozinhas? Toda essa tecnologia que nos rodeia na verdade deve servir para alguma coisa, algum resultado, e não para ostentar e mostrar que temos mais que nosso vizinho.</p>
<p>Ao mesmo tempo em que parece que tudo está mudando, não é difícil perceber que permanecemos os mesmos, junto às nossas emoções, valores e sentimentos humanos. E conosco permanecem o que só humanos podem vivenciar. Risadas, ternura, atenção, desafios, vitórias, sucessos e porque não, lágrimas e derrotas, que nos motivam a nos superarmos e seguirmos em frente. Me parece importantíssimo não perdermos esse foco. Nenhum computador jamais substituirá genuinamente a sensação de estar entre amigos, ou reunido em família, ou em contato com a natureza, ou qualquer coisa que lhe proporcione prazer de verdade.</p>
<p>Tendemos a achar que <a href="https://www.ronaud.com/sociedade/mundo-decadente/">no passado as coisas eram mais simples</a> e fáceis e creio que este é um dos piores equívocos que podemos cometer. Ao encarar os dias atuais com desconfiança, como se estivéssemos diante de uma tarefa além de nossas capacidades, não percebemos que além <a href="https://www.ronaud.com/atitude/a-hora-e-agora/">do fato real de que só temos este tempo para viver</a>, com suas peculiaridades, devemos mesmo é encarar tudo que surge em nosso caminho com a forte crença (ou constatação?) que esta é a época das épocas. Neste ponto sou obrigado a cair no clichê &#8211; sempre válido &#8211; e dizer que o tempo &#8220;presente&#8221; não tem esse nome à toa. É definitivamente um presente que ganhamos da vida para dele usufruir ao máximo, fazendo nele tudo que estiver ao nosso alcance e que fizer parte de nossas aptidões naturais. E ao invés de alimentarmos este medo das novidades do futuro (as ferramentas), temos mais é de utilizá-las a nosso favor, como trampolim, multiplicando o alcance de nossas ações no mundo.</p>
<p><a href="https://www.ronaud.com/bom-senso/vicio-em-smartphones/">Se esconder atrás de máquinas</a> não é diferente de quem se esconde no passado ou de quem se esconde na ânsia pelo futuro ou de quem se esconde no trabalho ou de quem&#8230;&#8230;. Viu? Há inúmeras formas de nos escondermos da vida e da realidade, mas tenha certeza, nenhum deles nos colocará no caminho da felicidade.</p>
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