O Brasil, como todos sabem, é um país problemático.

Uns dizem que a corrupção é o maior dos nossos problemas. De fato é um grande problema, mas qual sua causa?

Outros dizem que nossos problemas estão nas propostas dos partidos de Esquerda que estiveram no poder desde a redemocratização, cujos efeitos têm nos levado para patamares venezuelanos. De fato, é um grande problema, mas qual a causa desses partidos ganharem tantos votos com políticas tão ineficientes?

Outros dizem que nossos problemas derivam das “elites dominantes” que não querem ver pobre andando de avião, quando na verdade as elites são donas das próprias companhias aéreas e, naturalmente, querem que o maior número possível de pessoas viaje de avião.

O problema do Brasil não é nada disso.

O problema do Brasil é que não temos dinheiro. A vida aqui é difícil. O dinheiro não circula.

Temos um mercado interno massivo, sim, mas não temos renda.

E tem o detalhe que o custo de vida no Brasil é consideravelmente alto.

A estética da arquitetura típica brasileira

O problema do Brasil é que ele tem, como nação, e historicamente, sabotado aqueles que verdadeiramente geram a riqueza: Cientistas, inventores e empresários.

Em todas as novelas globais, o empresário é o malvado da história.

O cientista aqui é o maluco; o nerd.

É cultural.

Estados Unidos e países europeus não ficaram ricos porque expropriaram bens do terceiro mundo. Veja bem, de onde veio o dinheiro para construir Dubai e outras cidades árabes incríveis situadas no meio dos desertos do oriente médio? Da VENDA de petróleo.

Ora, eles ficaram ricos porque inventam coisas incríveis que melhoram a vida das pessoas – e vendem esses itens a elas.

Eletricidade, luz elétrica, rádio, televisão, automóveis, indústria química, aviões, computadores, softwares, celulares, internet, aplicativos etc. Tudo inventado – e vendido a você – por uma maioria de americanos e europeus. A cada tranqueirinha eletrônica que você compra, algum estrangeiro fica mais rico, direta ou indiretamente. Nós seguimos comprando todas essas tecnologias de americanos e europeus há mais de 100 anos, e continuamos acreditando que eles enriqueceram roubando dos países pobres.

Nos orgulhamos infantilmente de que Santos Dumont inventou o avião, quando ele só ganhou fama porque o apresentou em Paris, surgindo logo depois na própria Europa as primeiras linhas aéreas comerciais. Em 1930 surgiu a American Airlines com a união de 82 pequenas companhias aéreas já existentes.

Mas foi o brasileiro que inventou o avião. Ora, faça-me o favor…

Enquanto nos preocupávamos em criar reservas de mercado de petróleo, a energia do século XX, o século XXI chegou e por lá continuam buscando o sonho do carro elétrico, e desenvolvendo formas alternativas de energia, como a solar e eólica e, acreditem, nos vendendo a tecnologia daquelas turbinas eólicas gigantes.

Nesse meio tempo criaram Microsoft, Apple, a Internet, Google, Facebook.

E nós, criamos o quê? O funk. A pizza de coxinha.

Nós continuamos pagando, diretamente ou indiretamente, por todas essas tecnologias, enquanto seguimos vendendo minério bruto e produtos agrícolas a preços irrisórios.

O agro é tech. O agro é pop. O agro é super legal. Mas é insuficiente.

Nem o Etanol conseguimos tocar em frente.

Nós não temos nada de valioso a vender para fora, a não ser jogadores de futebol, que ainda são criticados por isso.

Não temos dinheiro. Por isso ainda nos estapeamos para conseguir uma boa posição pública – aqui os jovens são estimulados a passar em concursos públicos, e não a empreender.

Ou… a ocasião faz o ladrão, você sabe… qualquer coisa, desviamos aqueles 3% de propina que vai nos resolver a vida. Sabe como é, não tá fácil pra ninguém… 🙁

E o pior, continuamos votando em políticas populistas, porque aqui, a única fonte de dinheiro é o governo.

Nossa tragédia como nação é que nossa maior fonte de dinheiro é o governo. Que, este sim, o expropria do pobre, que é quem mais paga imposto por aqui.

O Estado é a grande ficção da qual todos tentam viver às custas de todos. Frédéric Bastiat

Quando alguém aqui consegue uma posição no governo, ergue as mãos pro céu.

Até acreditamos que o governo poderia ser o motor da economia, nessa relação promíscua entre Estado e Mercado. Mas não deu certo.

Enfim, nos falta prosperidade, nos falta oportunidades de criá-la e quando criamos, logo vem um burocrata cobrar impostos sobre ela, exigir adequações, sufocando nossas escassas galinhas de ouro.

A solução para as sucessivas crises brasileiras passa necessariamente – e urgentemente – pelo investimento em nossos cientistas, investimento em tecnologia, em deixar que nosso povo possa empreender suas ideias – pois criatividade não lhe falta – e deixar nossos empresários, especialmente os pequenos e médios, trabalharem em paz.

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