O Brasil, como todos sabem, é um país problemático.

Uns dizem que a corrupção é o maior dos nossos problemas. De fato é um grande problema, mas qual sua causa?

Outros dizem que nossos problemas estão nas propostas dos partidos de Esquerda que estiveram no poder desde a redemocratização, cujos efeitos têm nos levado para patamares venezuelanos. De fato, é um grande problema, mas qual a causa desses partidos ganharem tantos votos com políticas tão ineficientes?

Outros dizem que nossos problemas derivam das “elites dominantes” que não querem ver pobre andando de avião, quando na verdade as elites são donas das próprias companhias aéreas e, naturalmente, querem que o maior número possível de pessoas viaje de avião.

A estética da arquitetura típica brasileira

O problema do Brasil não é nada disso.

O problema do Brasil é que não temos dinheiro. A vida aqui é difícil. O dinheiro não circula.

Temos um mercado consumidor interno massivo, sim, mas não temos renda.

Parcelamos tudo em 6, 10, 12, 24, 48 vezes. A casa parcelamos em 30 anos.

E tem o detalhe que o custo de vida no Brasil é consideravelmente alto.

Ciência e Tecnologia

O problema do Brasil é que ele tem, como nação, e historicamente, sabotado aqueles que verdadeiramente geram a riqueza: Cientistas, inventores e empresários.

Em todas as novelas globais, o empresário é o malvado da história.

O cientista aqui é o maluco; o nerd.

É cultural.

Estados Unidos e países europeus não ficaram ricos porque expropriaram bens do terceiro mundo. Veja bem, de onde veio o dinheiro para construir Dubai e outras cidades árabes incríveis situadas no meio dos desertos do oriente médio? Da VENDA de petróleo. Se EUA realmente roubassem petróleo do Oriente Médio, Dubai simplesmente não existiria.

Ora, EUA e Europa – e também Japão – ficaram ricos porque inventam coisas incríveis que melhoram a vida das pessoas – e vendem esses itens a elas.

Eletricidade, luz elétrica, rádio, televisão, automóveis, indústria química, aviões, computadores, softwares, celulares, internet, aplicativos etc. Tudo inventado – e vendido a você – por uma maioria de americanos e europeus. A cada tranqueirinha eletrônica que você compra, algum estrangeiro fica alguns centavos mais rico, direta ou indiretamente. Nós seguimos comprando todas essas tecnologias de americanos e europeus há mais de 100 anos, e continuamos acreditando que eles enriqueceram roubando dos países pobres.

Se a exploração de colônias tornasse países verdadeiramente ricos, Portugal e Espanha seriam hoje superpotências mundiais.

Nos orgulhamos infantilmente de que Santos Dumont inventou o avião, quando ele só ganhou fama porque o apresentou em Paris, surgindo logo depois na própria Europa as primeiras linhas aéreas comerciais. Em 1930 surgiu a American Airlines com a união de 82 pequenas companhias aéreas já existentes enquanto aqui eram cerca de 3. Hoje, em números gerais, o Brasil tem cerca de 7 fabricantes de aviões, a França, 18, dentre elas a Airbus, Inglaterra, 18, Alemanha, 22, Estados Unidos 40, dentre elas, a Boeing.

Mas foi o brasileiro que inventou o avião. Ora, faça-me o favor…

Enquanto nos preocupávamos em criar reservas de mercado de petróleo, a energia do século XX, o século XXI chegou e por lá continuam buscando o sonho do carro elétrico, e desenvolvendo formas alternativas de energia, como a solar e eólica e, acreditem, nos vendendo a tecnologia daquelas turbinas eólicas gigantes.

Nesse meio tempo criaram Microsoft, Apple, a Internet, Google, Facebook, Instagram, Whatsapp, Youtube.

MADE IN BRAZIL – Modelo exportação

E nós, criamos o quê? O funk. A carreta furacão. A pizza de coxinha. A piscina em caçamba de entulho. Sofás de pneus velhos.

MADE IN BRAZIL

MADE IN BRAZIL

Nós continuamos pagando, diretamente ou indiretamente, por todas essas altas tecnologias, enquanto seguimos vendendo minério bruto e produtos agrícolas a preços irrisórios.

O agro é tech. O agro é pop. O agro é super legal. Mas é insuficiente.

Nem o Etanol conseguimos tocar em frente.

Nós não temos nada de valioso a vender para fora, a não ser jogadores de futebol, que ainda são criticados por isso.

Não temos dinheiro. Por isso ainda nos estapeamos para conseguir uma boa posição pública – aqui os jovens são estimulados a passar em concursos públicos, e não a empreender.

Ou partimos para a corrupção… a ocasião faz o ladrão, você sabe… qualquer coisa, desviamos aqueles 3% de propina que vai nos resolver a vida. Sabe como é, não tá fácil pra ninguém… 🙁

E o pior, continuamos votando em políticas populistas, porque aqui, a única fonte grande de dinheiro é o governo.

Nossa tragédia como nação é que nossa maior fonte de dinheiro é o governo. Que, este sim, o expropria do pobre, que é quem mais paga imposto por aqui. O governo faz o perfeito Robin Hood às avessas, tira dinheiro do pobre para dar aos ricos: classe política, super servidores públicos, amigos do Rei (Marcelo Odebrecht, Eike Batista, etc)

O Estado é a grande ficção da qual todos tentam viver às custas de todos. Frédéric Bastiat

Quando alguém aqui consegue uma posição no governo, ergue as mãos pro céu.

Até acreditamos que o governo poderia ser o motor da economia, nessa relação promíscua entre Estado e Mercado. Mas não deu certo.

Enfim, nos falta prosperidade, nos falta oportunidades de criá-la e quando criamos, logo vem um burocrata cobrar impostos sobre ela, exigir adequações, sufocando nossas escassas galinhas de ouro.

Estou lendo a biografia de Joaquim Rôlla, o grande empresário dos cassinos da década de 30/40. Era dono do mítico Cassino da Urca. Vi no livro que em 30 de abril de 1946, Dutra assinou o decreto que proibia os jogos no Brasil. No dia seguinte, Rôlla dispensou seus 7000 funcionários, e assim também outros proprietários de cassinos pelo país, dispensando milhares de funcionários.

Era 1º de maio de 1946, dia do Trabalhador.

Com um governo desses, que país poderá “dar certo”?

A solução para as sucessivas crises brasileiras passa necessariamente – e urgentemente – pelo investimento em nossos cientistas, investimento em tecnologia, em deixar que nosso povo possa empreender suas ideias – pois criatividade não lhe falta – e deixar nossos empresários, especialmente os pequenos e médios, trabalharem em paz.

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