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O poder de compra do brasileiro diminuiu?
Enviado em 2025-03-24 13:17:02
Nas discussões sobre poder de compra, tem uma turma bastante pessimista, que vive repetindo que o poder de compra do brasileiro diminuiu ao longo das três décadas de existência do Real.
É uma afirmação de difícil confirmação. Lembro que em 1994 o preço da gasolina era de R$ 0,47, ou seja, praticamente 50 centavos, e o salário mínimo era de R$ 120,00. Em 2022, já em fins de pandemia e justamente após os percalços inflacionários causados pela pandemia, a gasolina aqui na minha região estava pouco mais de R$ 5,00 e o Salário mínimo, R$ 1245,00.
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Praticamente a mesma proporção. Sei que a gasolina isoladamente não é um bom comparativo, mas me dá uma ideia geral que em 30 anos, o Real basicamente perdeu um zero, ou seja, tem hoje 10% do valor que tinha em 1995. Uma nota de 100 reais hoje vale o mesmo que 10 reais em 1995 (por isso hoje 100 reais enchem apenas uma cestinha, enquanto em 1995 encha um carrinho. Uma nota de 10 reais hoje vale o mesmo que 1 real em 1995, e 1 real hoje vale 10 centavos de 1995. Perder um zero é ruim, mas ainda é melhor do que os sucessivos cortes de 3 zeros que ocorriam nas épocas de Cruzeiro e Cruzado.
Mesmo assim, da minha parte, e parte de mera crença, sou mais propenso a crer que diminuiu do que tenha aumentado, mas por outras razões.
Pois nessa discussão, ignora-se um fato plenamente comprovável:
O fato de que hoje consumimos como "item essencial" pelo menos uma dezena de produtos e serviços que sequer existiam em 1994, quando o Plano Real foi lançado, o que certamente diminuiu nosso poder de compra, caso a hipótese da renda média das pessoas ter continuado a mesma de lá pra cá pudesse ser comprovada.
Abaixo trago um exemplo desses itens. Foi o que me veio à cabeça. Certamente há muitos outros:
- Internet
- Modens e roteadores para internet
- Computadores, Notebooks e seus muitos acessórios
- Celulares e acessórios
- Manutenções dos computadores, notebooks e celulares
- Plano de Operadora de Celular
- TVs LCDs gigantes e caríssimas de pouca durabilidade
- Dois ou mais streamings
- Ifood
- Pizza
- Estacionamento
- Pedágio
- Ração para Pets (e o próprio termo "pet")
- Acessórios para Pets
- Cuidados veterinários para Pets
- Decoração de Aniversários e outros Eventos
Quando eu era criança, na década de 80, meu pai, que era a única fonte de renda da casa, jamais gastou qualquer Cruzado ou Cruzeiro da época com estas coisas, porque elas simplesmente não existiam.
Esta mensagem não se pretende conclusiva, e sim, um ponto para reflexão sobre o poder de compra do brasileiro.
A mim, diz que se hoje as coisas estão mais difíceis, ao menos em parte é porque não conseguimos comprar certos itens que são mais acessórios do que essenciais.
Ronaud Pereira
Publicado em www.ronaud.com/sem-categoria/o-poder-de-compra-do-brasileiro-diminuiu/