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Design gráfico é uma boa profissão?
Enviado em 2010-02-19 01:03:38
Ou porque não é legal trabalhar como designer gráfico
Sim, eu sei que praticamente toda profissão inevitavelmente vai acabar numa
rotininha entediante. Nos primeiros anos tudo é novidade e vamos trabalhando, aprendendo e crescendo empolgados e estimulados pela mudança de vida. Contudo, o tempo passa...
E então você vai aprendendo que Daniel Goleman estava certo. No caso do design, não basta ser competente na arte visual, sem que se tenha competência na arte de ter paciência com as pessoas, no caso, clientes. E então você vai percebendo que passa boa parte do tempo mais focado em atividades técnicas, burocráticas e de relacionamento do que exercendo o seu talento criativo propriamente dito.
Desde criança gostei de desenhar e de
mexer e entender o funcionamento das coisas. Consequentemente o inevitável aconteceu: Me convenci de que eu poderia ser arquiteto, ou desenhista, ou, como aconteceu,
designer. E escolhi a faculdade de design, e
até que gostei. O mundo do design, o qual conheci na universidade, é inegavelmente fantástico e sedutor. Mas a primeira impressão é a que... engana!
A ilusão primeira
Um conceito que confundimos na universidade é associar, sabe-se lá como, que só por
trabalhar com design, consequentemente poderemos
consumir design. Isso até é possível. Os designers mais destacados de fato consomem o "bom" design. Mas, dada a renda geralmente precária dos designers no mercado de trabalho, esse pensamento consiste num equívoco. É muito provável que mesmo atuando a anos na profissão, você vai continuar comprando seus móveis nas
casas Bahia ou lojas semelhantes, parcelando tudo em 12 vezes.
A ilusão segunda
A partir de certo ponto, durante o curso de
desenho industrial, que depois tornou-se
design industrial (
design é mais
phyno), fui percebendo que aquilo era tudo muito
faz de conta. Muita criação de
produtinho sem base na realidade e na possibilidade efetiva de produção, quanto mais, de aceitação no mercado. Nós bolávamos umas
ideiazinhas diferentes, e o tal produto
teria isso,
teria aquilo, funcionará
assim, e assado, e pronto! Todo mundo se achando a cada dia mais próximo do Phillip Starck.
Ai ai... Sem contar os rapazes aficcionados por carros, desenhando modelos "conceituais" mais e mais futuristas.
Dava dó!
Brincar de design
Nunca acreditei no que eu via. Era irreal. Numa ocasião, durante uma aula em que aprendíamos a lidar com gesso, um dos colegas de aula exclamou: "Se meu pai sabe que paga mensalidade cara de faculdade pra isso!". Pois é! Em outra circunstância, mais no início do curso, o próprio coordenador do curso falou a certa altura de uma aula, que um conhecido havia lhe questionado, ou afirmado, que o mercado local não absorveria tamanha quantidade de futuros designers. E que ele respondeu: "Sim, mas com base no conhecimento adquirido no curso, serão empresários "com design", comerciantes "com design", se for um dono de restaurante, será um dono de restaurante com um bom conhecimento sobre design e que saberá usar dessa visão para agregar valor ao seu negócio.
Algo sempre se aproveita
Eu realmente entendi o ponto de vista dele. E o coordenador estava certo. De fato serão um grupo de pessoas com a "cultura" do design impregnada na mente. Uma cultura material que é sim, interessante e pode ajudá-lo profissionalmente, como um grande diferencial, nas outras áreas em que por ventura vier a atuar. E essa cultura é o que de mais valioso trago comigo até hoje. É particularmente enriquecedor você saber identificar um estilo arquitetônico ou artístico, ou saber diferenciar o que é uma cadeira Barcelona de uma Wassily, enfim...
Quando quem contrata não sabe o que está contratando
Entretanto, apesar de a formação ser sim, deficiente. De o mercado, de forma geral, ainda hoje não saber ao certo para que serve um profissional de design (e estar perdendo dinheiro com isso), enfim, apesar desses fortes motivos, os quais, ainda assim, não servem de empecilho para quem acredita no seu talento e é esforçado o suficiente para correr atrás de suas realizações como designer,
o que mais me desencoraja é o viés preponderantemente artístico com o qual as pessoas de forma geral entendem o design. O problema não é não saber como usar o design na sua empresa ou como o designer poderá ajudá-la a ampliar seus lucros. Isso até fazemos questão de elucidar. O problema é achar que
pode meter o bedelho no trabalho de um designer sem conhecer a natureza real do trabalho que está contratando.
Deus me defenda
Publicado em www.ronaud.com/formacao-profissional/design-grafico-e-uma-boa-profissao/