Vênus é VÊNUS mesmo! (Sandro Botticelli – O Nascimento de Vênus)

Um segmento muito pouco tratado em Astrologia, especialmente nos canais do Youtube de astrólogos que compartilham conhecimentos astrológicos – alguns canais muito bons, a propósito –  é o que entendo por Astrologia Arquetípica.

Evidentemente, uma vez que a astrologia é intrinsecamente fundamentada sobre arquétipos relacionados a características humanas, então toda astrologia é arquetípica. Porém os arquétipos normalmente citados são ao mesmo tempo abstratos e simplistas: Sol é consciência, Lua é emoção, Mercúrio é comunicação…

A astrologia arquetípica que trago aqui é mais objetiva e plenamente verificável. É uma visão simples, até, embora se desdobre de forma abstrata para uma correspondência entre nossas camadas (ou personagens) interiores e os personagens (camadas?) exteriores da nossa vida. Seria algo como uma “Astrologia Social”, ou “Astrologia Relacional”. Continue e você entenderá:

Nesta visão, o Sol no nosso mapa não fala somente da nossa consciência, mas fala especialmente sobre como interagimos com a figura do nosso Pai.

A Lua, não trata somente do nosso lado emocional, instintivo e reativo, mas fala também sobre como interagimos com a figura da nossa Mãe.

Mercúrio não trata somente do nosso intelecto, mas também da nossa relação com irmãos.

Para um homem, Marte representa seu próprio lado Homem, masculino, sexual, e como ele interage com outros homens. Exemplo rápido: Tenho Marte em Sagitário e todos os meus amigos homens vieram de longe e manifestam amplo interesse filosófico pela vida. Para uma mulher, Marte mostra o tipo de homens pelos quais ela se sentirá atraída.

Para uma mulher, Vênus trata de seu lado Mulher, feminino, afetivo e como ela interage com outras mulheres. Para um homem, Vênus em seu mapa mostra o tipo de mulher que lhe despertará profundo interesse.

Saturno trata num mapa astral de figuras de autoridade na vida da pessoa: Autoridades instituídas, Agentes governamentais, Patrões, Chefes etc.

E Júpiter, por fim, demonstra figuras de caráter professoral: Professores, Padres, Filósofos, Gurus espirituais, Juízes, Viajantes etc.

Correspondência

E sob esta visão, aqui surge algo que tem se mostrado para mim, fantástico e de difícil explicação: O modo como estes personagens externos da nossa vida têm uma ligação abstrata porém absolutamente correspondente, com nossas diferentes camadas internas já muito bem tratadas pela Astrologia Esotérica convencional, resumida a seguir de forma super simplificada:

Sol é nosso Pai, mas também nossa consciência e Ego;

Lua é nossa Mãe, mas também nossa emoção e reação instintiva em busca de segurança;

Mercúrio é nossos irmãos, mas também nosso intelecto e comunicação (e cabe aqui observar a importância da convivência com irmãos (ou pelo menos outras crianças) na infância para nosso desenvolvimento mental);

Marte é o homem e sua relação com outros homens, mas também sua força e energia pra enfrentar a vida.

Vênus é a mulher e sua relação com outras mulheres, mas também seu afeto, sentimentos, gostos e valores.

Júpiter é figuras de poder positivo, mas também nossas qualidades mais desenvolvidas e expandidas.

Saturno é figuras de poder restritivo, e também nossos aspectos sub-desenvolvidos e limitações.

Analise o mapa de pessoas próximas ou seu próprio mapa com este enfoque arquetípico. Veja como sua relação com os personagens da sua vida se sucede com base na situação de cada planeta no mapa.

Observe como Hermes Trimegisto estava correto não só ao afirmar que o que está embaixo é igual ao que está em cima, mas também estava correto ao afirmar que o que está fora é igual ao que está dentro.

E os planetas exteriores?

Depois que eu comecei a estudar astrologia mais a fundo e participar de grupos sobre o assunto, foi que me dei conta que tem muitos astrólogos que optam por estudar Astrologia Clássica – ou Helênica. E nesta astrologia, eles nem consideram os três planetas exteriores – Urano, Netuno, Plutão e nem outros dois pontos que para mim são super importantes num mapa que são Kiron e Lilith.

Estes 5 pontos astrológicos para mim são definidores num mapa, especialmente quando estão em conjunção com algum dos 7 planetas pessoais.

Evidentemente, falar de como cada um deles pode atuar numa interpretação Arquetípica daria um texto enorme, por isso, para fins de explanação, resumirei a ação deles num mapa através de palavras-chave.

Estes 5 pontos não atuam, no meu entendimento, na Astrologia Arquetípica como arquétipos de personagens específicas, outrossim, atuam atribuindo qualidades específicas aos Arquétipos representados pelos 7 planetas pessoais, quais são:

Urano – Mudanças Súbitas, Não-convencional, Surpresas, Acidentes, Eletricidade, Eletrônica, Inovação, Astrologia.

Netuno – Inspiração, Transcendência espiritual ou religiosa, Enganos, Ilusão, Confusão, Líquidos, Química, Drogas.

Plutão – Intensidade, Poder, Rupturas drásticas, Traumas, Transformações, Morte física, Mecânica, Metais, Siderurgia.

Kiron – Ferimentos emocionais e a sugestão / possibilidade de curar-se ajudando os outros a curarem-se do mesmo mal.

Lilith – O que está oculto, sombrio, mal-resolvido.

A partir de então, é só ir montando o quebra-cabeça, dando especial atenção para conjunções – eu realmente ainda não encontrei clareza no entendimento de questões que envolvem estes 5 pontos aqui comentados e os outros aspectos astrológicos, os quais me parecem “funcionar” de forma mais verificável entre os planetas pessoais.

Exemplos:

Vênus conj Lilith = Algo relacionado a uma mulher oculta (relacionamento proibido etc).

Marte conj Plutão – Homem muito poderoso (podendo envolver mortes etc)

Urano conj Sol – Um Pai que agia na sociedade de forma não convencional. Interesse por Eletrônica e Astrologia (oi?)

Netuno conj Ascendente – Uma forte abertura mediúnica.

Enfim, só com essas informações já dá pra “brincar” bastante no próprio mapa astral ou de conhecidos. Lembrando que isso é um resumo do resumo e estudo é pré-requisito para melhorar nossas interpretações astrológicas.