Trabalhar não cansa, não dói, não machuca, não estressa, não provoca mau humor, não irrita, não mata… O que cansa, machuca, estressa, provoca mau humor, irrita e mata é a má vontade do trabalhador. Estamos entrando na era digital, onde a grande maioria dos empregos será substituída por máquinas, e ainda encontramos pela rua trabalhadores reclamando da jornada de trabalho de oito horas, reivindicando coisas absurdas, comprando atestados médicos, se encostando nas tetas do governo para agarrar a estabilidade, pechinchando mais férias e fazendo greve. O profissional que em pleno século 21 se preocupa com este tipo de coisa é um gigolô social que será extinto neste novo milênio.

Vamos nos preocupar única e exclusivamente com os estudos e com o preparo para enfrentar esta corrida catastrófica que matará sem dó grande parte da nossa população de fome. As crises ainda não começaram. Tudo vai piorar se não mudarmos nosso jeito de pensar. Não dá tempo para se atualizar e trabalhar ao mesmo tempo? A falta de tempo é uma desculpa dos vagabundos que vão ficar com os guardanapos sujos do bolo do terceiro milênio. E os direitos dos empregados? Emprego é coisa do tempo dos dinossauros. Vamos nos preocupar com o trabalho, onde cada um é dono do seu próprio nariz, da sua própria empresa. E quanto à “empresa-mãe”? Está falindo e se denominará empresa-madrasta. Acabou a mordomia? Não! Quem correr atrás do conhecimento, se atualizar sempre, reciclar suas idéias e trabalhar muito (oito horas por dia é muito pouco) vai ocupar um belo e requintado lugar no terceiro milênio. Infelizmente, com vista panorâmica para os pobres de espírito, que se acomodaram e vão estar mendigando o pão nosso de cada dia.

A única saída para a grande guerra da fome é trabalhar muito, trabalhar estudando, trabalhar bem, trabalhar cada dia mais, trabalhar sem reclamar e dar graças a Deus que tem um trabalho! Chega de adjetivarmos o trabalho, pois este será o verdadeiro oxigênio do terceiro milênio, sem ele ninguém sobreviverá. Vão acabar as aposentadorias, as indenizações e a abundância de benefícios que as pessoas sonham em adquirir. Vamos trabalhar até o dia de nossa morte! Viveremos pouco? Jamais! Viveremos muito, pois seremos úteis a vida inteira. E quem não gosta de trabalhar que compre logo o seu caixão. O trabalho é milagroso, mas não cura a preguiça, a má vontade, a acomodação, o mau humor e a mediocridade dos pseudo-trabalhadores. Vamos viver só para trabalhar? Não! Trabalhando dez horas por dia e dormindo oito, sobram seis horas para a nossa higiene mental. E tem os finais de semana e os 30 dias de férias para nos livrarmos da gripe do terceiro milênio: o estresse.

Gustavo Siqueira Alves

Retirado do Jornal de Santa Catarina de 16/07/1999.