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	<title>Saúde &#8211; RONAUD.com</title>
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	<description>Textos e Mensagens para Reflexão</description>
	<lastBuildDate>Fri, 20 Feb 2026 17:57:06 +0000</lastBuildDate>
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		<title>O declínio populacional realmente será ruim?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ronaud Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Feb 2026 17:55:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Pensamentos]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde Mental]]></category>
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					<description><![CDATA[Economistas alegam que o declínio da população mundial nas próximas décadas pode comprometer o desempenho econômico dos países. Mas será que a redução da população é ruim mesmo?]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<blockquote class="twitter-tweet">
<p dir="ltr" lang="en">Sydney <a href="https://t.co/Mf7JwtrIvw">pic.twitter.com/Mf7JwtrIvw</a></p>
<p>— (@thinxspic) <a href="https://twitter.com/thinxspic/status/2024828070683918640?ref_src=twsrc%5Etfw">February 20, 2026</a></p></blockquote>
<p><script async src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script></p>
<p>Veja o rápido videozinho acima.</p>
<p>Há muitas cenas dessas diariamente em redes como Tumblr, Instagram e outras.</p>
<p>Todas mostram belas paisagens, e muita tranquilidade no ar. Na cena acima, uma bela praia, uma rua asfaltada larga, carros estacionados civilizadamente, umas poucas pessoas caminhando.</p>
<p>Há espaço, bastante espaço em volta.</p>
<p>Dá vontade de estar lá, não dá?</p>
<p>O Brasil também tem belas paisagens, mas uma rua dessa numa praia brasileira estaria cheia de carros, trânsito, pessoas, filas, ambulantes, poluição visual.</p>
<p>Nem dá vontade de ir. Moro perto de algumas praias catarinenses e entre Natal e Carnaval passo os dias trancado em casa.</p>
<p>Não se estaciona, não se caminha pacificamente, não há tranquilidade.</p>
<p>Um lugar onde lembro ter me deparado com cenários assim foi o Uruguai. População pequena. O trânsito flui, mesmo em Montevideo, as pessoas estão distanciadas, sentimos nosso espaço vital preservado. Lembro que na década de 90, quando a população era de 150 milhões (hoje são 210 MILHÕES) na Praia Brava em Itajaí, a praia também &#8220;lotava&#8221; no verão, mas era de uma forma saudável.</p>
<p>Eu estou convicto que para além das questões ideológicas, um dos grandes problemas do mundo e do Brasil, em específico devido à nossa desorganização peculiar, é que há muitas pessoas no mundo, que se vêem obrigadas a se amontoar nos centros urbanos. Essas mesmas pessoas, em momentos de férias, vão se amontoar nas praias, nas cachoeiras, nos poucos parques que temos.</p>
<p>Embora economistas estejam preocupados, a redução das populações no mundo será uma bênção para as gerações futuras que chegarem aqui, vencendo o declínio das taxas de natalidade.</p>
<p>Viver totalmente isolado é ruim, mas viver cercado de gente o tempo todo também é ruim, eu diria pior.</p>
<p>Há uma ironia que diz que <em>o inferno não é um lugar quente, é um lugar cheio de gente</em>.</p>
<p>E acho que o volume populacional atual do Brasil e do mundo superou o povoamento saudável.</p>
<p>Eu moro no litoral catarinense, que já foi bom pra se morar. Ainda é bom, mas somos cada vez mais reféns do trânsito e do excesso de gente onde quer que vamos. Hoje me pego sonhando eventualmente em me mandar pro Uruguai ou, até mais provavelmente, para alguma cidadezinha da Serra Catarinense.</p>
<p>Só não vou porque estou enraizado no litoral com alguns imóveis.</p>
<p>Mas já convicto em mudar algumas coisas até meus 50 anos.</p>
<p>Que já estão logo ali.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Alienação e Saúde Mental</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ronaud Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Feb 2026 23:35:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Alienação]]></category>
		<category><![CDATA[Angústia]]></category>
		<category><![CDATA[Ansiedade]]></category>
		<category><![CDATA[Depressão]]></category>
		<category><![CDATA[Paz de espírito]]></category>
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					<description><![CDATA[Porque devemos adotar a alienação como fator de auto-preservação e saúde mental?]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Alienação até uns 20 anos atrás era sinal de desinteresse e irresponsabilidade para com as <em>coisas importantes</em>, hoje é questão de saúde mental.</p>
<p>As redes sociais trazem a todo instante fatos e realidades que não nos pertencem, tal sejam problemas sociais e tragédias que não são nossas e pelas quais nada podemos fazer, ou experiências e objetos de desejo que estão além do nosso poder aquisitivo.</p>
<p>Não ter conhecimento dessas coisas e viver só com a realidade do nosso <em>mundinho</em> é um ato de auto-amor.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>&#8220;&#8230;o que sai da boca, isso é o que o contamina&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ronaud Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 23 Jul 2022 21:00:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Nutrição]]></category>
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					<description><![CDATA[Trigo faz mal, açúcar faz mal, carboidrato faz mal, sal faz mal, carne faz mal, leite faz mal, álcool faz mal&#8230; Se formos levar a sério tudo o que &#8220;ex-pecialistas&#8221; dizem, deveríamos viver só na base de água e luz. O que faz mal é o consumo exagerado de tudo isso. Saber apreciar moderadamente tudo [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Trigo faz mal, açúcar faz mal, carboidrato faz mal, sal faz mal, carne faz mal, leite faz mal, álcool faz mal&#8230;</p>
<p>Se formos levar a sério tudo o que &#8220;ex-pecialistas&#8221; dizem, deveríamos viver só na base de água e luz.</p>
<p>O que <em>faz mal</em> é o consumo exagerado de tudo isso.</p>
<p>Saber apreciar moderadamente tudo que a vida oferece de bom não tem nada de mal, só faz bem.</p>
<blockquote><p>Não é o que entra pela boca que contamina o homem; mas o que sai da boca, isso é o que o contamina. <a href="https://www.ronaud.com/biblia/mateus/15/11/">Mateus 15: 11</a></p></blockquote>
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		<title>Como foi a Gripe Espanhola no Brasil?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ronaud Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 20 Dec 2020 03:27:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
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					<description><![CDATA[O texto abaixo é parte do prólogo do livro Metrópole à Beira-mar, de Ruy Castro. O prólogo inteiro está disponível neste pdf no site da Companhia das Letras. É uma breve história da Gripe Espanhola no Brasil. Iniciei a leitura deste livro há uma semana e o relato da chegada da Gripe Espanhola ao Brasil [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_26003" style="width: 310px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.ronaud.com/wp-content/uploads/2020/12/gripe-espanhola-brasil.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-26003" class="size-medium wp-image-26003" src="https://www.ronaud.com/wp-content/uploads/2020/12/gripe-espanhola-brasil-300x169.jpg" alt="Gripe Espanhola no Rio de Janeiro" width="300" height="169" srcset="https://www.ronaud.com/wp-content/uploads/2020/12/gripe-espanhola-brasil-300x169.jpg 300w, https://www.ronaud.com/wp-content/uploads/2020/12/gripe-espanhola-brasil-1024x576.jpg 1024w, https://www.ronaud.com/wp-content/uploads/2020/12/gripe-espanhola-brasil-768x432.jpg 768w, https://www.ronaud.com/wp-content/uploads/2020/12/gripe-espanhola-brasil.jpg 1280w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><p id="caption-attachment-26003" class="wp-caption-text">Gripe Espanhola no Rio de Janeiro</p></div>
<p>O texto abaixo é parte do prólogo do livro Metrópole à Beira-mar, de Ruy Castro. O prólogo inteiro está disponível neste <a href="https://www.companhiadasletras.com.br/trechos/14359.pdf">pdf no site da Companhia das Letras</a>. É uma breve história da Gripe Espanhola no Brasil.</p>
<p>Iniciei a leitura deste livro há uma semana e o relato da chegada da Gripe Espanhola ao Brasil e o modo como ela sucedeu por aqui me espantou, pela similaridade com o que estamos vivemos atualmente em relação à pandemia do Corona-vírus, incluindo aí a 2ª onda pela qual estamos passando.</p>
<p>O fato deste livro ter sido publicado em 2019 torna o relato tão inquestionável quanto oportuno.</p>
<blockquote><p>[&#8230;]</p>
<p>Em meados de 1918, o governo brasileiro finalmente tomou as primeiras providências (em relação à 1ª Guerra). Enviou para o front francês, como estagiários, 28 jovens oficiais chefiados por um general chamado, com involuntário humor, Napoleão. Despachou também uma missão médica para implantar um “Hospital Brasileiro” perto de Paris, formada por 86 médicos, entre civis e militares, aos quais se juntaram seis que já atuavam na França. E, sob orientação da esquadra inglesa, mandou dois cruzadores, quatro destróieres, um rebocador e um navio de apoio para colaborar na patrulha do triângulo Dakar-Cabo Verde-Gibraltar, no Atlântico Sul. Ao chegarem às proximidades da costa africana, os navios foram alvo de torpedos de um submarino alemão que não chegaram a atingi-los. Dias depois, a frota brasileira bombardeou um cardume de toninhas julgando ser o submarino. Em fins de agosto, a frota fundeou em Dakar e, então, deu-se a tragédia — sua tripulação se expôs a um novo inimigo surgido nos últimos meses do conflito: uma estranha gripe. Dos cerca de 1200 homens nos seis navios, mil caíram doentes e 156 morreram em questão de dias.</p>
<p>Ainda não se sabia, mas era uma epidemia que, em poucos meses de 1918, atingiria um quinto da população mundial e mataria o que hoje se estima entre 20 milhões e 50 milhões de pessoas. Chamaram-na de Gripe Espanhola. Nunca houve igual na história e não poderia ter acontecido em pior momento.</p>
<p>Passados quase quatro anos de combate, o mundo já estava farto da guerra, exaurido de recursos e sem saber por que continuava lutando. Em todas as frentes, soldados desertavam aos milhares — russos, franceses, italianos, turcos, búlgaros, tchecos, austríacos. Os próprios generais alemães sonhavam com uma impossível “paz sem derrota”. E, mesmo entre os vitoriosos da Europa, o futuro que os esperava eram cidades devastadas, mortos a enterrar e um endividamento com que nunca haviam contado. Os próprios símbolos da guerra tinham se tornado intoleráveis. Em Londres, ninguém mais aguentava ouvir “It’s a Long, Long Way to Tipperary”, a marcha de Jack Judge e Harry Williams que animara os ingleses a lutar. Em Paris, o mesmo a respeito da vibrante “La Madelon”, de Camille Robert e Louis Bousquet. O cessar-fogo, quando viesse, não seria recebido com exultação, mas com alívio.</p>
<p>E, então, com a guerra ainda nos estertores, a gripe se instalou. Nunca se soube ao certo o que a provocou — a ciência já suspeitava da existência de algo novo, chamado “vírus”, mas seus microscópios não tinham como alcançá-los. Só se sabe que a Espanhola não veio da Espanha. Deram-lhe esse nome porque, ao contrário dos outros países europeus, que a contraíram quase ao mesmo tempo, a Espanha, neutra na guerra, não escondeu seus primeiros casos — o mundo logo ficou sabendo que um terço da população de Madri adoecera, inclusive o rei Alphonso XIII. Na verdade, a epidemia parece ter saído dos Estados Unidos, mais exatamente dos estados de Kansas e Nova York, e sido levada para a Europa pelos soldados americanos, embarcados naquele abril de 1918. Como atingia primeiro as zonas litorâneas, presume-se que foi transmitida por marinheiros em viagem, contaminando as tropas em terra e espalhando-se pelas populações civis. Logo chegaria à Índia, ao Sudeste da Ásia, à China, ao Japão e às Américas Central e do Sul. E antes fosse apenas uma gripe.</p>
<p>Começava por uma aguda dor de cabeça, seguida de calafrios que nenhum cobertor conseguia aplacar. Em seguida vinham as dores em todos os ossos do corpo, a diarreia e a letargia. Devido à oxigenação insuficiente, o rosto ficava roxo ou azulado e os pés, escuros — era a cianose. Sucediam-se sufocações e espasmos de sangue ao tossir — eram os pulmões, cheios de um líquido avermelhado. Em três dias, sobrevinha a morte por parada respiratória. Seus alvos favoritos eram as crianças com menos de cinco anos, os adultos de vinte a quarenta e acima de setenta. De abril a julho, houvera um primeiro surto, comparativamente brando, que se limitou à Europa e, de repente, desaparecera. <strong>Mas, em setembro, a praga voltou com força total e se disseminou pelo globo, já com o nome de Espanhola.</strong></p>
<p>Na França, duas de suas primeiras vítimas foram o dramaturgo Edmond Rostand, autor de Cyrano de Bergerac, e o poeta Guillaume Apollinaire. Na Áustria, Sophie, filha de Sigmund Freud, e o mestre da Secessão, o pintor Egon Schiele. Na Alemanha, o economista Max Weber. Em Portugal, as crianças Francisco e Jacinta, do famoso “milagre de Fátima”. Nos Estados Unidos, Rose Cleveland, que tinha sido primeira-dama do país; Henry Ragas, pianista da Original Dixieland Jass Band, que, apenas um ano antes, gravara o primeiro disco de jazz da história; e os irmãos John e Horace Dodge, tubarões da indústria automobilística americana. A Espanhola não respeitava talentos, títulos nem contas bancárias.</p>
<p>O Brasil de 1918 não estava preparado para recebê-la. Ninguém estava. Ela chegou ao Rio no dia 16 de setembro, quando atracou no porto o correio britânico Demerara, vindo de Lisboa, mas com uma escala fatal em Dakar. A bordo havia duzentos tripulantes em vários estágios da doença e outros só aparentemente saudáveis. A gripe desceu do navio nos pés dos marujos que se espalharam pela praça Mauá, rapazes que invadiram as gafieiras e beijaram na boca as mulheres que lhes abriram os braços. Em dias, os primeiros sintomas se fizeram sentir. As pessoas começaram a passar mal, a cair doentes e a morrer em questão de horas.</p>
<p>O alerta demorou a ser dado. Numa cultura em que o quinino era visto, até pelos médicos, como um santo remédio, o povo depositou suas esperanças em destronca-peitos, purgantes e preparados à base de alfazema, limão, coco, cebola, vinho do Porto, sal de azedas, cachaça e fumo de rolo — o que, naturalmente, não diminuiu o índice de mortalidade. Uma instituição fornecia canja de galinha contra a gripe. Um laboratório saiu-se com um remédio homeopático, Grippina, “fórmula do dr. Alberto Seabra”. A própria Bayer passou a oferecer a aspirina Fenacetina, anunciada como “tiro e queda contra a influenza”, e prometendo “bem-estar com a rapidez de um raio”.</p>
<p>As notícias viajavam a pé e não se percebeu de imediato que era uma epidemia. No começo, o carioca ainda brincou, atribuindo a doença a uma arma secreta dos alemães, embutida nas salsichas. Mas, quando se descobriu que o número de mortes no Rio estava chegando a centenas por dia, viu-se que não havia motivo para rir. Outras cidades litorâneas brasileiras seriam muito atingidas, como Recife, Salvador e Santos, mas nenhuma com a intensidade do Rio.</p>
<p>A morte em massa começou a gerar consequências que ninguém podia controlar. Sem leitos suficientes nos hospitais da cidade, os doentes eram amontoados no chão das enfermarias e nos corredores. Muitos morriam antes de ser atendidos. Os hospitais foram fechados às visitas e, nos enterros, só se permitia a presença dos mais próximos. Mas logo deixaria de haver espaço para condolências. Em pouco tempo, os velhos rituais — velório, cortejo e sepultamento — ficaram impraticáveis. As casas funerárias passaram a não dar conta. Viam-se carros transportando caixões com tábuas mal pregadas, indicando que tinham sido feitos às pressas. Então, começou a faltar madeira para os caixões e gente para fabricá-los. As pessoas morriam e seus corpos ficavam nas portas das casas, esperando pelos caminhões e carroças que deveriam levá-los. Os motoristas e carroceiros os recolhiam na calçada e os atiravam nas caçambas como se fossem sacos de areia. Às vezes, descobria-se que alguém dado como morto ainda respirava — era liquidado ali mesmo, a golpes de pá, antes de o veículo sair, mas houve casos de enterrados vivos. Nos necrotérios, os corpos jaziam empilhados por dias sobre as mesas de mármore ou no chão. Os recolhidos na rua, sem identificação, eram despejados em valas comuns ou incendiados. Os coveiros também começaram a morrer. O Exército e a Cruz Vermelha os substituíram como voluntários e, por toda a cidade, armaram-se hospitais emergenciais e postos de atendimento. Deixou de haver remédios.</p>
<p>Através dos jornais, que continuaram a circular mesmo que reduzidos a poucas páginas, a população era aconselhada a evitar os trens, bondes e ônibus — que andasse a pé, se pudesse. Rogava-se que ninguém tossisse, espirrasse, cuspisse ou se assoasse em público — inútil, porque, já então, a cidade era uma tosse em uníssono. As aglomerações foram desestimuladas e, com isso, a vida desapareceu: fábricas, lojas, escolas, teatros, cinemas, concertos, restaurantes, bares, tribunais, clubes, associações, até bordéis, tudo fechou. A avenida Rio Branco, a rua do Ouvidor, a praça Tiradentes, pareciam cidades-fantasma. O movimento do porto parou — os navios que chegavam ficavam algumas horas no cais e iam embora, por falta de gente para descarregá-los. Curiosamente, as igrejas pareciam imunes ao perigo. Nelas, rezava-se pelos parentes mortos e também ao padroeiro, são Sebastião, para “levar a gripe embora” — assim como, na invasão francesa de 1711, apelara-se (em vão) para o santo contra o corsário Duguay-Trouin, que tomara a cidade.</p>
<p>Da rua, no começo, ainda se viam pelas janelas os mortos em câmara-ardente. Mas logo as casas passaram a manter as portas e janelas fechadas. Temiam-se as emanações que vinham de fora, embora o inimigo já estivesse lá dentro. Outra visão impressionante era a das famílias vestidas de preto pela morte de seus parentes — foi o apogeu da Casa das Fazendas Pretas, loja no centro da cidade que garantia “lutos elegantes e completos em doze horas” — tingimento, confecção etc. Mas o luto, na Espanhola, também logo perdeu o sentido, inclusive entre as funcionárias da Fazendas Pretas, e qualquer cor passou a representá-lo.</p>
<p>Os doentes eram tantos que muitas atividades básicas sofreram por não haver quem as desempenhasse: vender comida, transportar produtos, aplicar injeção. Sem as telefonistas para lhes dar linha, os telefones ficaram mudos. E veio a inflação: um ovo passou a custar o preço de uma galinha; um pão, o de uma cesta inteira. Quando a falta de leite, carne e ovos ficou geral, começaram os saques aos açougues e armazéns — as pessoas, desesperadas e tossindo, depenavam os estabelecimentos. A polícia passou a garantir que, em cada bairro, uma farmácia e uma padaria se mantivessem abertas. Era o máximo que se podia querer.</p>
<p>Pedro Nava, futuro médico e escritor, tinha então quinze anos e morava com seus pais na Tijuca. Num de seus livros, ele descreveria uma cena impressionante que vira na rua: a da criança esfomeada chupando os peitos da mãe morta e já em decomposição. Nava falaria ainda de quando, à falta de coveiros, os presidiários foram soltos e intimados a ajudar. Alguns, antes dos sepultamentos, cortavam os dedos ou orelhas de defuntos para se apossar de anéis e brincos esquecidos, e — o horror, o horror! — curravam os cadáveres femininos mais frescos. Mas Nava contaria também a bonita história de José Luiz Cordeiro, o Jamanta, enteado do dramaturgo Arthur Azevedo e funcionário da delegacia da rua da Relação, na Lapa. Por algum motivo, Jamanta sabia dirigir bondes e, quando começaram a faltar condutores, pediu que lhe confiassem um bonde-bagageiro acoplado a dois “taiobas”, que eram os bondes de carga. E saiu com eles pela cidade, do Centro aos bairros das zonas Norte e Sul, recolhendo os mortos que as famílias lhe quisessem entregar, com ou sem caixão. Quando já tinha uma quantidade apreciável, ia despejando-os no Caju ou no São João Batista. Era um bonde-fantasma — macabro, mas poético.</p>
<p>A Espanhola não distinguia classes sociais. Levou gente entre os pobres, os remediados e até de famílias importantes, como os Nabuco, os Penido e os Mello Franco. Dois dos irmãos Lage, Jorge e Antonio, que dominavam a navegação marítima no Brasil com seus “itas”, morreram. O casal Eugenia e Alvaro Moreyra também perdeu dois filhos. O estadista Afranio de Mello Franco perdeu sua mulher, Silvia, e um filho, Cesario. O craque Belfort Duarte, jogador do América e símbolo da disciplina no futebol, igualmente caiu — fora o inventor do “chute à Belfort”, um pé chutando o ar e o outro, a bola (o futuro sem-pulo). A cafetina Alice Cavalo de Pau, imperatriz dos bordéis da Lapa, idem, se foi. O próprio poeta Olavo Bilac contraiu o mal, de forma benigna, mas isso contribuiu para sua grave condição cardíaca, da qual ele morreria em dezembro. Segundo o médico Miguel Couto, 600 mil habitantes foram contagiados — mais de metade da população. Foi um milagre que só uma fração tenha morrido.</p>
<p>De repente, em fins de outubro — 15 mil mortes depois —, a Espanhola pareceu amainar. Os infectados se recuperavam, os doentes pararam de morrer. Aos poucos, as portas das casas começaram a se abrir. A cidade voltava à vida. Os caixeiros reapareceram atrás dos balcões. O comércio retomou seu movimento e o dinheiro, inútil diante da morte, recuperou seu antigo valor. Os teatros reabriram e tinham agora filas nas portas. Os navios voltaram a parar no Rio. Das janelas, ouviam-se tímidos sons de pianos. Algumas moças saíram às ruas. Assim como surgira, a gripe fora embora. Não por alguma poção ou magia, mas porque as pessoas haviam ficado imunes.</p>
<p>E, com a Espanhola, foi-se também a Guerra. No dia 11 de novembro, dentro de um vagão-restaurante à margem do rio Oise, afluente do Sena, os aliados e a Alemanha assinaram o Armistício. A notícia chegou até nós pelo cabo submarino. O importante é que o Brasil, modestamente, estava entre os vitoriosos. Não tendo a quem vender café durante o conflito,  diversificara seu setor agrícola. E, como não tinha de quem comprar manufaturas, começara a produzi-las aqui mesmo, com o que, em poucos anos, saltou de um país de enxadas e pés descalços para uma incipiente sociedade de máquinas e macacões. Subitamente, fabricávamos turbinas, elevadores, vagões ferroviários, tamancos, vasos sanitários, marmelada em lata, balanças, gravatas e cavaquinhos. Para um país em que, até então, quase tudo vinha da Inglaterra, de Portugal ou da França, aquilo era uma revolução. Chaminés surgiram no horizonte e nasceu um embrião de classe operária, formada, em boa parte, por imigrantes recém-chegados. E, de uma nova massa de funcionários públicos, brotou uma classe média.</p>
<p>Poucas semanas antes, estávamos a milímetros da morte. Agora já eram as vésperas de 1919. Quem sobreviveu não perderia por nada aquele Carnaval.</p>
<p>[&#8230;]</p></blockquote>
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		<title>Assim eram as Tardes de Verão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ronaud Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 16 Dec 2020 04:29:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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					<description><![CDATA[Há muitos anos atrás precisei ir na Celesc, a empresa fornecedora de energia elétrica de Santa Catarina, para resolver algum problema burocrático qualquer. Muito ironicamente, naquele dia, por aquelas horas, houve queda no fornecimento, e o escritório da Companhia de Energia Elétrica do Estado estava&#8230; SEM energia elétrica! Era uma tarde de verão, o clima estava [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_25991" style="width: 296px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.ronaud.com/wp-content/uploads/2020/12/verao-calor-antigamente.jpg"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-25991" class="size-medium wp-image-25991" src="https://www.ronaud.com/wp-content/uploads/2020/12/verao-calor-antigamente-286x300.jpg" alt="A dama e seus leques" width="286" height="300" srcset="https://www.ronaud.com/wp-content/uploads/2020/12/verao-calor-antigamente-286x300.jpg 286w, https://www.ronaud.com/wp-content/uploads/2020/12/verao-calor-antigamente.jpg 564w" sizes="(max-width: 286px) 100vw, 286px" /></a><p id="caption-attachment-25991" class="wp-caption-text">A dama e seus leques</p></div>
<p>Há muitos anos atrás precisei ir na Celesc, a empresa fornecedora de energia elétrica de Santa Catarina, para resolver algum problema burocrático qualquer.</p>
<p>Muito ironicamente, naquele dia, por aquelas horas, houve queda no fornecimento, e o escritório da Companhia de Energia Elétrica do Estado estava&#8230; <em>SEM</em> energia elétrica!</p>
<p>Era uma tarde de verão, o clima estava abafado.</p>
<p>Era aquela tarde típica de fevereiro, em que ventiladores, se houvesse ali energia que lhes impulsionasse, ventilariam o próprio ar quente.</p>
<p>Uma funcionária saiu de seu lugar e abriu todas as janelas. As longas e brancas cortinas, no entanto, permaneciam caídas.</p>
<p>Nenhum vento.</p>
<p>Muito esparsamente um lufar de uma brisa morna e cansada movimentava as cortinas, inflando-as sem vontade.</p>
<p>Nós, os clientes aguardando atendimento, derretíamos em suor e esmorecíamos sob o cansaço que só o calor consegue impingir sem que tenhamos dado um passo sequer.</p>
<div id="attachment_26017" style="width: 199px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.ronaud.com/wp-content/uploads/2020/12/mulher-com-sombrinha.jpg"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-26017" class="size-medium wp-image-26017" src="https://www.ronaud.com/wp-content/uploads/2020/12/mulher-com-sombrinha-189x300.jpg" alt="O sol envelhece e torna a vida indigna" width="189" height="300" srcset="https://www.ronaud.com/wp-content/uploads/2020/12/mulher-com-sombrinha-189x300.jpg 189w, https://www.ronaud.com/wp-content/uploads/2020/12/mulher-com-sombrinha.jpg 442w" sizes="(max-width: 189px) 100vw, 189px" /></a><p id="caption-attachment-26017" class="wp-caption-text">O sol envelhece e torna a vida indigna</p></div>
<p>A energia elétrica nos afastou da natureza ao ponto em que nos desabituamos a certas condições mais extremas. A raça humana enfrenta verões escaldantes há milênios, porém basta menos de um século com as facilidades elétricas, para <em>desistirmos da vida</em> quando elas falham.</p>
<p>Aqui onde moro, as quedas de energia são frequentes, e às vezes, prolongadas; quase sempre a noite. E é nessas horas de escuridão total que vizinhos que nunca se olham enfim se reúnem na rua, conversando, rindo, se apoiando, sentindo-se quase amigos. Exatamente, veja só, como nossos ancestrais fizeram por milênios, passando as noites em volta das fogueiras.</p>
<p>Ali, na sala da Celesc, depois de juntar todas as suas forças, o vento entrou numa rajada quente pela sala com as portas e janelas escancaradas, e movimentou vagarosamente uma porta entreaberta daquele interior.</p>
<p>O ranger vagaroso da porta me levou até alguma tarde qualquer de algum verão da minha infância, na casa do meu avô, na <em>infernal</em> cidade de Joinville.</p>
<p>Joinville, assim como as escaldantes cidades do Rio de Janeiro e Porto Alegre, também se espreme entre uma baía &#8211; a baía da Babitonga &#8211; e a cadeia de montanhas da Serra Dona Francisca, que por ali segura todo o calor.</p>
<div id="attachment_26029" style="width: 310px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.ronaud.com/wp-content/uploads/2020/12/veneziana-janela-antiga.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-26029" class="size-medium wp-image-26029" src="https://www.ronaud.com/wp-content/uploads/2020/12/veneziana-janela-antiga-300x244.jpg" alt="Tecnologia antiga contra o calor" width="300" height="244" srcset="https://www.ronaud.com/wp-content/uploads/2020/12/veneziana-janela-antiga-300x244.jpg 300w, https://www.ronaud.com/wp-content/uploads/2020/12/veneziana-janela-antiga-1024x831.jpg 1024w, https://www.ronaud.com/wp-content/uploads/2020/12/veneziana-janela-antiga-768x623.jpg 768w, https://www.ronaud.com/wp-content/uploads/2020/12/veneziana-janela-antiga.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><p id="caption-attachment-26029" class="wp-caption-text">Tecnologia antiga contra o calor</p></div>
<p>Lembro de alguns dias de verão passados na casa dos meus avós, casa antiga, de madeira, sem ar-condicionado &#8211; que era artigo de luxo na década de 80 &#8211; com as portas e janelas escancaradas, de dia e de noite, suplicantes por um gentil refresco de um vento qualquer.</p>
<p>Em alguns momentos, os ventos se animavam e convidavam as cortinas para dançar, enquanto as portas, apáticas, murmuravam seus infortúnios rangendo pra lá e pra cá, conforme as brisas mornas e indecisas iam e vinham.</p>
<p>Eu não suporto calor, dias quentes, o próprio verão; com exceção talvez de suas noites, as noites de verão, certamente porque nesse período as temperaturas ficam agradáveis; as brisas noturnas refrescam e compartilham um tipo de alegria que dá impressão &#8211; em pleno verão &#8211; <em>que vale a pena viver</em>. Se <em>a noite é uma criança</em>, então essa noite é de verão, porque, reconheço, as noites de inverno nos afundam em desolação.</p>
<p>Mas durante os dias, além de suar demais, o calor me atinge algum ponto vital, que em dias quentes eu não consigo <em>nem pensar direito</em>; ar-condicionado para mim é item vital, de primeira necessidade, em casa e no carro.</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/i_WONtJ3GVQ?start=74" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen" data-mce-fragment="1"></iframe></p>
<p>Depois de ler o livro <em>O Grande Gatsby</em>, e re-assistir ao filme por várias vezes, notei que a estória se desenrola num verão; que para uma cidade fria como Nova York (e toda a Europa), o verão tem uma conotação ainda mais positiva do que nos trópicos, embora propicie algumas tragédias, como Fitzgerald nos ilustra em sua triste estória.</p>
<p>Vendo e revendo esta cena acima em que Nick reencontra Daisy em uma tarde de verão de 1922, em sua sala repleta de cortinas esvoaçantes em janelas altas e abertas para receber todo o vento possível, passei a observar com frequência como eram os verões anteriores à era dos ares-condicionados. Como no episódio da Celesc &#8211; o qual não sei por que ficou em minha memória, talvez porque aquele cenário de irremediável calor me relembrou justamente minhas tardes de infância na casa de meu avô, em que, apesar de criança, já notava os prenúncios da minha constante dificuldade com temperaturas altas.</p>
<div id="attachment_26015" style="width: 310px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.ronaud.com/wp-content/uploads/2020/12/casarao-antigo-rio-de-janeiro.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-26015" class="size-medium wp-image-26015" src="https://www.ronaud.com/wp-content/uploads/2020/12/casarao-antigo-rio-de-janeiro-300x225.jpg" alt="Pé-direito alto e Saídas de ar sobre as portas dos casarões antigos" width="300" height="225" srcset="https://www.ronaud.com/wp-content/uploads/2020/12/casarao-antigo-rio-de-janeiro-300x225.jpg 300w, https://www.ronaud.com/wp-content/uploads/2020/12/casarao-antigo-rio-de-janeiro-1024x768.jpg 1024w, https://www.ronaud.com/wp-content/uploads/2020/12/casarao-antigo-rio-de-janeiro-768x576.jpg 768w, https://www.ronaud.com/wp-content/uploads/2020/12/casarao-antigo-rio-de-janeiro-1536x1152.jpg 1536w, https://www.ronaud.com/wp-content/uploads/2020/12/casarao-antigo-rio-de-janeiro.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><p id="caption-attachment-26015" class="wp-caption-text">Pé-direito alto, Saídas de ar sobre as portas e Toldos</p></div>
<p>Algo, no entanto, me atrai no calor, seja na cena do filme, seja nas minhas memórias. É a letargia, o ritmo lento de uma tarde de verão. Naquelas épocas não nos restava nada a não ser suportar a atmosfera escaldante daquelas tardes, com janelas abertas, ventiladores soprando ar quente, e antes ainda, com leques e uma arquitetura autenticamente brasileira, especialmente designada para o nosso clima, com pé-direito, portas e janelas altos, às vezes com aberturas na parte superior permanentemente abertas protegidas por grades, para o ar quente do interior ir saindo espontaneamente, além dos toldos e venezianas utilizados para bloquear o sol dos edifícios, e das sombrinhas para proteger a pele das moças.</p>
<div id="attachment_26016" style="width: 310px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.ronaud.com/wp-content/uploads/2020/12/pe-direito-e-portas-altas-casarao-rio-de-janeiro.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-26016" class="size-medium wp-image-26016" src="https://www.ronaud.com/wp-content/uploads/2020/12/pe-direito-e-portas-altas-casarao-rio-de-janeiro-300x200.jpg" alt="Pé-direito alto e Saídas de ar sobre as portas dos casarões antigos" width="300" height="200" srcset="https://www.ronaud.com/wp-content/uploads/2020/12/pe-direito-e-portas-altas-casarao-rio-de-janeiro-300x200.jpg 300w, https://www.ronaud.com/wp-content/uploads/2020/12/pe-direito-e-portas-altas-casarao-rio-de-janeiro.jpg 448w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><p id="caption-attachment-26016" class="wp-caption-text">Pé-direito alto e Saídas de ar sobre as portas dos casarões antigos</p></div>
<p>A eletricidade, o ar-condicionado, as comunicações instantâneas, aliados a uma arquitetura moderna que se desadaptou às leis naturais do calor, nos isolaram em cubículos, nos mantendo permanentemente ligados, ansiosos.</p>
<p>Não por acaso as férias costumam acontecer, desde sempre, nos verões. <strong>Verão é feito pra descansar; para sermos menos formigas, e mais cigarras</strong>.</p>
<p>O cansaço emocional decorrente desta pandemia &#8211; virótica e histérica &#8211; soma-se ao já natural desgaste costumeiro com o qual chegamos em todo fim de ano. Para nossa sanidade mental, especialmente neste verão que se avizinha, além de eventualmente desligarmos o celular, talvez devêssemos também desligar o ar-condicionado e sair &#8211; pra varanda, pra sacada, para o parque, para a praia &#8211; e sucumbirmos deliberadamente ao relaxante torpor das tardes tórridas que teremos pela frente.</p>
<p>&nbsp;</p>
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<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Microconto: Coca-Cola Zero</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ronaud Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Nov 2020 02:44:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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					<description><![CDATA[Coca-cola Zero &#8211; Microconto Demorou-se por minutos diante do freezer do mercadinho da esquina, analisando o teor de açúcares nos rótulos dos refrigerantes. Queria o guaraná Kuat. Vinha optando por esta bebida depois que percebeu sua quantia de carboidratos menor que dos outros refrigerantes. Não encontrou. Decidiu pela Coca-Cola Zero Açúcar. Já no caixa, a [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_25910" style="width: 295px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.ronaud.com/wp-content/uploads/2020/11/cronica-coca-cola-zero.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-25910" class="size-full wp-image-25910" src="https://www.ronaud.com/wp-content/uploads/2020/11/cronica-coca-cola-zero.jpg" alt="Diabetes ou Câncer" width="285" height="177" /></a><p id="caption-attachment-25910" class="wp-caption-text">Diabetes ou Câncer</p></div>
<h3>Coca-cola Zero &#8211; Microconto</h3>
<p>Demorou-se por minutos diante do <em>freezer</em> do <em>mercadinho da esquina</em>, analisando o teor de açúcares nos rótulos dos refrigerantes.</p>
<p>Queria o guaraná <em>Kuat</em>. Vinha optando por esta bebida depois que percebeu sua quantia de carboidratos menor que dos outros refrigerantes. Não encontrou.</p>
<p>Decidiu pela <em>Coca-Cola Zero Açúcar.</em></p>
<p>Já no caixa, a menina alertou, para que o cliente não se confundisse:</p>
<p>&#8211; Essa é a Coca <em>sem açúcar</em>.</p>
<p>&#8211; Sim, é essa mesmo que eu quero! &#8211; Retrucou com aquela certeza rara de quem sabe o que quer. E continuou: &#8211; Outro dia bebi meia garrafa de <i>guaraná com whisky </i>durante a noite e acordei com <em>um quilo</em> a mais ao me pesar na balança que tenho no quarto. Nesse ritmo, hoje acordo com um quilo a mais, amanhã acordo com <em>diabete</em>.</p>
<p>E detalhou para ela, em tom de bate-papo, o quanto os carboidratos, em especial o açúcar, são os vilões do sobrepeso. A atendente ouvia com real interesse, uma vez que sua aparência denotava prováveis batalhas invencíveis contra a balança.</p>
<p>&#8211; Nossa, não sabia, vou passar a observar essas informações nos rótulos também. &#8211; Disse ela. E continuou em tom temeroso: &#8211; Mas você sabia que a Coca-zero tem <em>Aspartame</em>? Dizem que provoca <em>câncer</em>.</p>
<p>&#8211; Verdade, eu já sabia&#8230; Mas é assim, né moça, morrer todo mundo vai. &#8211; Hesitou, e emendou:</p>
<p>&#8211; A gente só escolhe <em>pelo quê</em> vai morrer.</p>
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		<title>100 Atitudes contra o Estresse</title>
		<link>https://www.ronaud.com/saude/atitudes-contra-o-stress-ou-no-stress/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Ronaud Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Mar 2019 11:40:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Estresse]]></category>
		<category><![CDATA[Mudança de vida]]></category>
		<category><![CDATA[Qualidade de vida]]></category>
		<category><![CDATA[Simplicidade]]></category>
		<category><![CDATA[Viver a Vida]]></category>
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					<description><![CDATA[Veja aqui cem dicas interessantes para deixar o estresse e a correria de lado e começar a aproveitar melhoro seu dia-a-dia. O cotidiano nos absorve tanto que acabamos por deixar de lado atitudes tão simples e tão válidas para enriquecermos nossa vida.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Encontrei essa <em>listinha</em> num arquivo guardado no computador. São ótimas dicas não só para se livrar do estresse como para dar <em>uma nova cara</em> para o nosso dia-a-dia, às vezes sem graça. Vai lá&#8230;</p>
<ol>
<li>Enxergue as flores</li>
<li>Acorde feliz</li>
<li>Adquira um aquário</li>
<li>Experimente outro caminho para o trabalho</li>
<li>Cantarole no chuveiro</li>
<li>Veja um filme comendo pipoca</li>
<li>Elogie alguém</li>
<li>Evite roupas apertadas</li>
<li>Cozinhe com os amigos</li>
<li>Saia mais cedo do trabalho</li>
<li>Respire lentamente</li>
<li>Olhe para as estrelas</li>
<li>Aprenda uma piada</li>
<li>Organize sua agenda</li>
<li>Passe o Carnaval em Veneza</li>
<li>Vá a um karaokê</li>
<li>Plante uma árvore</li>
<li>Melhore seu peso</li>
<li>Grite num jogo de futebol</li>
<li>Alimente pássaros</li>
<li>Seja carinhoso</li>
<li>Jante à luz de velas</li>
<li>Ande na chuva</li>
<li>Sonhe acordado</li>
<li>Vá a um piquenique</li>
<li>Tire fotos</li>
<li>Dance muito</li>
<li>Tome mais sorvete</li>
<li>Comemore seu aniversário</li>
<li>Tome um banho de espuma</li>
<li>Faça palavras cruzadas</li>
<li>Faça um aviãozinho de papel</li>
<li>Assista a uma novela</li>
<li>Não tente consertar os outros</li>
<li>Dê-se um presente</li>
<li>Planeje seu futuro</li>
<li>Ande nas areias da praia</li>
<li>Assista a um pôr-do-sol</li>
<li>Assobie</li>
<li>Tome um banho de cachoeira</li>
<li>Comemore uma vitória</li>
<li>Abrace um amigo</li>
<li>Leia um poema</li>
<li>Busque a excelência</li>
<li>Faça terapia</li>
<li>Ouça um conselho</li>
<li>Curta um bom vinho</li>
<li>Mande flores</li>
<li>Assuma um risco</li>
<li>Dê alguma ajuda</li>
<li>Arrume os armários</li>
<li>Cuide da sua aparência</li>
<li>Sorria</li>
<li>Cultive uma horta</li>
<li>Faça um tour pela sua cidade</li>
<li>Faça duplicata das chaves</li>
<li>Evite pessoas negativas</li>
<li>Cumprimente um desconhecido</li>
<li>Prepare um jantar exótico</li>
<li>Dê uma caminhada</li>
<li>Supere algum limite</li>
<li>Conserte algo que está quebrado</li>
<li>Coma mais salada</li>
<li>Ensine algo a alguém</li>
<li>Tome champanhe</li>
<li>Dispense a plástica</li>
<li>Faça a hora, não espere acontecer&#8230;</li>
<li>Ande descalço</li>
<li>Empine uma pipa</li>
<li>Viaje sempre que puder</li>
<li>Aprenda uma nova canção</li>
<li>Ponha um móbile no seu escritório</li>
<li>Vá ao cinema à tarde</li>
<li>Faça uma surpresa</li>
<li>Leia um livro</li>
<li>Ria de uma gafe sua</li>
<li>Estude um idioma</li>
<li>Corte o cabelo</li>
<li>Ouça um desabafo</li>
<li>Faça uma confidência</li>
<li>Não se apresse&#8230;</li>
<li>Tente a sorte</li>
<li>Assista a um balé</li>
<li>Acredite em você</li>
<li>Faça uma massagem</li>
<li>Evite a perfeição</li>
<li>Alongue seus limites</li>
<li>Analise um erro</li>
<li>Dê um vexame</li>
<li>Fale menos e ouça mais</li>
<li>Siga um impulso</li>
<li>Divida uma gargalhada</li>
<li>Converse com um adolescente</li>
<li>Diga &#8220;não sei&#8221; mais freqüentemente</li>
<li>Faça diferença</li>
<li>Descubra suas prioridades</li>
<li>Diga &#8220;não&#8221; mais vezes</li>
<li>Diga &#8220;obrigado&#8221;</li>
<li>Perdoe um amigo</li>
<li>* Namore&#8230;</li>
</ol>
<p>Autor desconhecido</p>
<p>Então, gostou?</p>
<p>Não basta gostar, o bom mesmo é praticar algumas dessas dicas contra o estresse.</p>
<p>Talvez um nome melhor para estas dicas seria: <strong>Dicas para se viver</strong>, afinal, não há nada acima listado que não possa ser considerado como <em>normal</em>.</p>
<p>No entanto, o cotidiano <em>nos absorve</em> tanto que acabamos por deixar de lado atitudes tão simples e tão válidas para enriquecermos nossa vida.</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Uma Noite de Hospital</title>
		<link>https://www.ronaud.com/saude/noite-de-hospital/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Ronaud Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 24 Nov 2018 21:55:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Vida]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Empatia]]></category>
		<category><![CDATA[Existência]]></category>
		<category><![CDATA[Misericórdia]]></category>
		<category><![CDATA[Sofrimento]]></category>
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					<description><![CDATA[Uma Noite de Hospital &#8211; Crônica Tenho passado umas noites com meu pai no hospital. Ele precisou de uma intervenção rápida, que já foi realizada, e agora aguardamos a alta. Para mim, um hospital é um dos ambientes mais emocionalmente insalubres que tem, perdendo somente para presídios. No catolicismo, e  também no espiritismo, há uma [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3>Uma Noite de Hospital &#8211; Crônica</h3>
<p>Tenho passado umas noites com meu pai no hospital. Ele precisou de uma intervenção rápida, que já foi realizada, e agora aguardamos a alta.</p>
<p>Para mim, um hospital é um dos ambientes mais emocionalmente insalubres que tem, perdendo somente para presídios.</p>
<p>No catolicismo, e  também no espiritismo, há uma ideia de <em>purgatório</em>. O purgatório é visto como um lugar sombrio, para onde vão as almas dos mortos que não optaram por uma existência mais amorosa, que ignoraram Deus a vida toda etc. No purgatório, as almas se arrastam num ambiente árido, estéril, murmurando suas angústias e gemendo suas dores. Segundo essa visão, são capazes de ficar por lá o equivalente a anos e anos terrenos, até que algum dia admitam sua impotência e clamem por socorro <em>aos céus</em>. Donde então <em>anjos de luz</em> surgem e resgatam essas almas sofridas para um lugar melhor, mais acolhedor e iluminado.</p>
<p>Nessas últimas noites me dei conta que os hospitais não passam de verdadeiros purgatórios aqui mesmo, na Terra.</p>
<p>Especialmente nos pronto-socorros, onde as pessoas chegam desesperadas. No pronto-socorro vi uma senhorinha com Alzheimer, outro jovem gravemente enfermo, um senhor de meia idade com início de AVC, outro com AVC já ocorrido, não conseguindo mais falar, outro jovem com perna quebrada porque caiu do telhado, outro com calcanhar quebrado por queda de moto, outro recém-descoberto um câncer no estômago, outra senhora com varizes estouradas, outro desgraçado que vomitou na enfermaria por 3 vezes, outro com tuberculose, outro que gemia alto longamente até conseguir expelir qualquer coisa do pulmão pela boca etc&#8230; etc&#8230;</p>
<p>e dezenas de outros <em>etcs</em> a cada maldita noite de hospital.</p>
<div id="attachment_23540" style="width: 310px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.ronaud.com/wp-content/uploads/2018/11/purgatorio.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-23540" class="wp-image-23540 size-medium" src="https://www.ronaud.com/wp-content/uploads/2018/11/purgatorio-300x221.jpg" alt="Pintura El Purgatorio. Iglesia Nuestra Señora de Altagracia (Caracas-Venezuela)" width="300" height="221" srcset="https://www.ronaud.com/wp-content/uploads/2018/11/purgatorio-300x221.jpg 300w, https://www.ronaud.com/wp-content/uploads/2018/11/purgatorio.jpg 575w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><p id="caption-attachment-23540" class="wp-caption-text">El Purgatorio. Iglesia Nuestra Señora de Altagracia (Caracas-Venezuela)</p></div>
<p>Já na terceira noite, no andar de cima, onde um senhorzinho cuja longa lista de males me escapa da memória, pernoitou com meu pai, vi este senhorzinho passar uma (de muitas noites) numa angústia infindável, entre uma ansiedade por ir embora, um clamor repetitivo por alguns nomes da família, e já no fim da madrugada, um repetir sem fim de um delírio onde suplicava, aprisionado em seus pesadelos: &#8220;abre essa porta, pelo amor de deus, abre essa porta, pelo amor de Deus&#8230; abre essa porta, PELO AMOR DE DEUS&#8221;.</p>
<p>Com exceção desse senhorzinho delirante, daquela trupe toda do pronto-socorro, não vi qualquer vestígio de busca por algo transcendental que lhes tirasse daquela angústia. Para não dizer que não ouvi o nome de Deus ser sequer brevemente suspirado, lembro da senhorinha com Alzheimer já lá pelas 3 e pouco da manhã, encontrar certa brecha em sua falta de memória, para, em meio a uma dificuldade desumana para respirar, clamar num sofrido suspiro:</p>
<p>&#8220;Ai Jesus&#8230;&#8221;</p>
<p>Pelo que não pude conter o riso, nesta experiência imersiva na irônica tragédia da desgraça humana.</p>
<h3>Missão &#8211; Enfermeiro</h3>
<p>Enfermeiros são seres iluminados, designados pelas divindades para, na maioria das vezes amenizar o sofrimento humano, muito embora em certas ocasiões a medicina atual mais se preocupe em prolongá-lo.</p>
<p>Enfermeiros são, na verdade pessoas dotadas de um sentimento fortemente humanitário, que fazem dos cuidados aos outros sua causa e seu propósito de vida. Propósito este consistindo do sacrifício de se conviver com refugos humanos: velhos, doentes, caducos, decadentes, decrépitos, às vezes, massas humanas arruinadas, mas ainda assim, humanas.</p>
<p>Não há explicação. Como é que, na juventude, com tantas profissões disponíveis, o sujeito num certo momento estala os dedos e decide:</p>
<p>&#8220;Já sei. Serei enfermeiro, irei cuidar de doentes e estropiados e conviver com que houver de pior em termos de sofrimento humano, diariamente.&#8221;</p>
<p>Se isso não for missão de Deus, não sei mais o que poderá ser.</p>
<h3>Sensibilidade</h3>
<p>Para nós, desabituados ao sofrimento humano, sensibilizados demais por uma mensagem midiática sentimental, em que até um vídeo de um cachorro remexendo seu amiguinho morto na rua nos faz chorar, as primeiras experiências envolvendo algum ente querido num hospital são pavorosas, emotivas e desgastantes. E nestas ocasiões não entendemos a frieza de alguns enfermeiros.</p>
<p>Entretanto quando você passa a conviver com este cenário diariamente, seu coração se endurece na justa medida de sua sanidade mental e emocional. Se o enfermeiro e outros profissionais da medicina se envolvem demais com os pacientes, acabarão morrendo primeiro que eles, porque o desgaste emocional pode não ser suportável.</p>
<p>Meu pai está já há 6 anos em situação de estar recorrendo aos serviços hospitalares. Na terceira noite em que passei com ele, já não estava <em>nem aí</em> para o <em>sofrimento humano</em>. <strong>Entendi que, por uma razão difícil de explicar, as coisas são assim mesmo.</strong> Todo ser animal vai morrer e antes de isso acontecer, provavelmente vai sofrer bastante. O sofrimento sempre existiu, existe e sempre vai existir, muito embora o avanço tecnológico ocorrido nos últimos 100 anos, especialmente o médico, permitiu grande redução desse sofrimento. O fato último é que o que o Universo quer de nós, nesta nossa inusitada e improvável existência, é EVOLUÇÃO, e nesta demanda, <a href="https://www.ronaud.com/espiritualidade/deus-e-as-duas-questoes-mais-basicas-sobre-ele/">ele nos será implacável e impiedoso</a>.</p>
<p>O sofrimento continua existindo e recomendarei sempre que me for possível que você aceite que é da natureza da existência animal e humana que o sofrimento exista e que, sensibilizar-se demais com isso poderá lhe causar <a href="https://www.jn.pt/media/interior/crianca-sobreviveu-ao-abutre-fotografo-sucumbiu-a-dor-1789058.html">muitos danos psicológicos e intelectuais</a>.</p>
<p>Assim como a pele caleja para suportar as pressões constantes do trabalho bruto, <em>um certo nível de calejamento em nosso coração também é salutar para vivermos em paz nesse mundo-cão</em>.</p>
<h3>Angústia existencial</h3>
<p>As angústias humanas podem ser físicas e também espirituais, você sabe. O que não costumamos atentar é para o fato de que quase sempre o sofrimento físico é consequência direta do desleixo espiritual da pessoa.</p>
<p>Há várias definições para espiritualidade. Uma delas é aquela bem prática, da qual gosto muito, que sugere <em>amar o próximo como a si mesmo</em>. Nesta sugestão, muitas vezes lembramos só de amar o próximo e esquecemos de amar a si mesmo. E amar a si mesmo é cuidar de si, cuidando da própria saúde física e do próprio equilíbrio psíquico.</p>
<p>No hospital você vê que boa parte das pessoas esquece dessa segunda parte. As pessoas não se amam, não se respeitam, se largam na vida de qualquer jeito, e depois o corpo cobra o preço, e não entendem o porquê.</p>
<p>Estas breves porém reflexivas noites no hospital me fizeram lembrar demais das bem-aventuranças de Cristo:</p>
<blockquote><p><span class="verse-no">3</span>  Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus;</p>
<p><span class="verse-no">4</span>  Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados;</p>
<p><span class="verse-no">5</span>  Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra;</p>
<p><span class="verse-no">6</span>  Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos;</p>
<p><span class="verse-no">7</span>  Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia;</p>
<p><span class="verse-no">8</span>  Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus;</p>
<p><span class="verse-no">9</span>  Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus;</p>
<p><span class="verse-no">10</span>  Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus;</p>
<p><span class="verse-no">11</span>  Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e mentindo, falarem todo mal contra vós por minha causa.</p>
<p><span class="verse-no">12</span>  Exultai e alegrai-<span class="clarityWord">vos,</span> porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que <span class="clarityWord">vieram</span> antes de vós.</p>
<p><span class="verse-no">13</span>  Vós sois o sal da terra; e se o sal se tornar insípido, com que se há de salgar? para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens.</p>
<p><span class="verse-no">14</span>  Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte,</p>
<p><span class="verse-no">15</span>  Nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa.</p>
<p><span class="verse-no">16</span>  Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que <span class="clarityWord">está</span> nos céus.</p>
<p><strong>Mateus 5:3–16</strong></p></blockquote>
<p>Jesus, seja lá quem tenha sido, seja lá quem tenha dito as palavras acima &#8211; e cabe aqui dizer que acredito piamente que foi Jesus Cristo, MESMO que as tenha dito &#8211; tinha uma empatia incomum para a época. O olhar que ele lançou sobre a angústia humana e traduziu nas tocantes palavras acima não era qualquer olhar. Era o olhar de um humanista, de um homem sensível à dor alheia, de um salvador.</p>
<p>Importante destacar, no trecho acima, da missão que ele nos dá de levar essa luz, esse entendimento, essa sabedoria, esse consolo, esse olhar de atenção ao outro e essa visão de salvação, para os ignorantes.</p>
<p>Porque, <strong>se há uma coisa que eu vi nesses dias, ou melhor dito, nessas noites de hospital, é que o povo é muito ignorante e é vítima direta e diária dessa ignorância</strong>.</p>
<p>Ignorância de si mesmo, das coisas da vida, e principalmente, das coisas do espírito.</p>
<p>E que é de bom tom que as trevas sejam iluminadas.</p>
<p>E que a candeia que ilumina as trevas, somos nós.</p>
<p>***</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Verdade mais que verdadeira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ronaud Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 31 Aug 2018 02:25:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bom senso]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Humor]]></category>
		<category><![CDATA[Ironia]]></category>
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					<description><![CDATA[Tenho esta imagem comigo há algum tempo. Foi minha mãe que compartilhou no grupo de WhatsApp da Família, o que me fez rir sozinho e me fez ter ainda mais orgulho de ser filho de uma pessoa tão pragmática. Porque, né? É isso mesmo. Ficamos afoitos a procura da regra ideal como se houvesse uma [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_23292" style="width: 447px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-23292" class="size-full wp-image-23292" src="https://www.ronaud.com/wp-content/uploads/2018/08/voce-sabia-que-voce-vai-morrer.jpg" alt="" width="437" height="402" srcset="https://www.ronaud.com/wp-content/uploads/2018/08/voce-sabia-que-voce-vai-morrer.jpg 437w, https://www.ronaud.com/wp-content/uploads/2018/08/voce-sabia-que-voce-vai-morrer-300x276.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 437px) 100vw, 437px" /><p id="caption-attachment-23292" class="wp-caption-text">Você sabia?</p></div>
<p>Tenho esta imagem comigo há algum tempo.</p>
<p>Foi minha mãe que compartilhou no grupo de WhatsApp da Família, o que me fez rir sozinho e me fez ter ainda mais orgulho de ser filho de uma pessoa tão pragmática.</p>
<p>Porque, né? É isso mesmo. Ficamos afoitos a procura da regra ideal como se houvesse uma regra ideal que nos dispensasse do fim que, no fim, é o que mais tememos.</p>
<p>A busca por hábitos saudáveis é sim louvável. Mas sem fanatismos, intransigências e regras muito rígidas que só servem para criar culpa e a sensação de que estamos errados de algum modo.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Morreu esmagado pela vida</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ronaud Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 May 2017 05:12:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Angústia]]></category>
		<category><![CDATA[Ansiedade]]></category>
		<category><![CDATA[Bebidas]]></category>
		<category><![CDATA[Crise existencial]]></category>
		<category><![CDATA[Equilíbrio]]></category>
		<category><![CDATA[Existência]]></category>
		<category><![CDATA[Fumar]]></category>
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					<description><![CDATA[Você certamente vai discordar, porque já tem a mente impregnada com as mensagens contemporâneas sobre o que é bom ou o que é ruim para a saúde. Mas nesses meus trinta e poucos anos de vida, compreendi nossa saúde mais ou menos assim: Se você bebe e/ou fuma, e morre, vão dizer que morreu porque bebia e [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Você certamente vai discordar, porque já tem a mente impregnada com as mensagens contemporâneas sobre o que é bom ou o que é ruim para a saúde.</p>
<p>Mas nesses meus trinta e poucos anos de vida, compreendi nossa saúde mais ou menos assim:</p>
<p>Se você bebe e/ou fuma, e morre, vão dizer que morreu porque bebia e fumava. Talvez estejam certos.</p>
<p>Mas se você não fuma e nem bebe, e morre, <strong>não terei dúvidas <em>eu</em></strong>, que morreu justamente porque não bebia, nem fumava.</p>
<p>A morte está muito mais ligada a como lidamos com o peso da existência, do que com os artifícios que usamos para suportá-lo.</p>
<p>E sobre esses artifícios, segue fundamental aquela observação de Paracelso, o alquimista:</p>
<blockquote><p>&#8220;Todas as substâncias são venenos; não existe uma que não seja veneno. A dose certa diferencia um veneno de um remédio.&#8221;</p></blockquote>
<p>Apenas duas coisas destroem nossa saúde: A <a href="https://www.ronaud.com/tag/ansiedade/">ansiedade</a> ou a <a href="https://www.ronaud.com/tag/angustia/">angústia</a>.</p>
<p>Se você bebe, ou fuma, ou come, ou viaja demais, para fugir dos efeitos dessas sensações, está certamente, quem sabe, até adiando sua morte. <a href="https://www.ronaud.com/vida/sofrimento-voce-cara-a-cara-com-voce/">Continue se distraindo</a>.</p>
<p>A nicotina, o álcool, o sal e o açúcar certamente comprometerão sua fisiologia, principalmente se consumidos de forma abusiva, e você até poderá, num surto de reequilíbrio, tentar enfrentar sua existência sem o uso dessas substâncias, mas talvez não terá o espírito de rocha necessário para enfrentar e suportar todas as demandas da vida.</p>
<p>Se não cuidar, estará trocando um peso por outro: o peso da vida aliviado por essas substâncias, pelo peso da culpa por estar consumindo substâncias &#8220;nocivas&#8221;.</p>
<p><a href="https://www.ronaud.com/espiritualidade/3-verdades-espirituais/">A condenação reside unicamente na nossa mente</a>.</p>
<p>A vida longa pertence a quem fica em paz, com o mundo e com o que se é.</p>
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