Reproduzo abaixo trecho do livro Como fazer os Deuses trabalharem para você, de Caroline Casey.

É um livro sobre a relação entre o conhecimento astrológico e nosso aspecto psíquico, e, neste trecho, trata da solidão como uma circunstância necessária para nossa evolução espiritual.

“O sacrifício iniciático por definição é uma experiência solitária que nos leva à auto-reflexão. A solidão, atividade sacramental de Saturno é o portal para o reino mágico onde mora um poder maior que o nosso. Muitas vezes, quando estamos sozinhos, nos sentimos mais conectados com tudo. O tempo que passamos a sós permite que analisemos nossa vida, a fim de alinhar os deuses interiores com os exteriores do cosmos, para nos desembaraçarmos dos fantasmas das distrações tentadoras.

Sem reflexão, nós nos tornamos tão vulneráveis ao desequilíbrio como se fôssemos privados do sono. A resultante falta de clareza é o que inconscientemente nos predispõe a empregar outras pessoas para representar partes da nossa vida. Como Carl Jung disse, “A experiência mais elevada, mais decisiva é ficar a sós com nosso próprio self. Você tem de ficar sozinho para descobrir o que irá apoiá-lo quando você não puder mais se sustentar (em outras coisas ou pessoas). Somente essa experiência pode lhe dar uma base indestrutível”.

Melhor do que nos ajudar a rechaçar a solidão, Saturno nos estimula a abraçá-la. Vivemos numa cultura contrária à reflexão, em que muito do que passa por passatempo é meramente uma fuga do medo de ficar sozinho. Nós manufaturamos o “pandemônio”, que originalmente significava “fazer um monte de barulho”, a fim de afastar as partes aterradoras da nossa psique, os nossos demônios. Mas fugir não vai curar a nossa solidão. A solidão é a cura para a solidão; semelhante cura semelhante.

Saturno ensina que o sacrifício iniciático de passar pelo medo, precede o autocontrole. As tradições espirituais de muitas culturas requerem um tempo de árdua solidão como condição prévia para obter o autoconhecimento […]”

Sobre este último parágrafo, um exemplo bem evidente e conhecido é o período no qual Jesus passou vários dias no deserto, enfrentando seus demônios interiores.

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