Péssima sacada

Péssima sacada

Uma das invenções mais questionáveis da arquitetura foi a tal da Sacada.

A sacada é uma área aberta da habitação que suja com a ventania, molha com a chuva, torra com o sol e está frio no inverno. Tudo tão óbvio que me faz pensar por que, mesmo assim, as pessoas insistem em fazer sacadas em suas casas e edifícios.

Ela traz para perto do conforto doméstico um pouquinho do inóspito ambiente natural. Se fosse legal ficar ao relento, não teríamos inventado os abrigos.

Muitas vezes as sacadas têm uma vista maravilhosa para o caos da cidade, onde nunca acontece nada de específico, de modo que as pessoas de hoje – ansiosas como nunca – mal aguentam ficar ali por mais de 30 segundos sem voltarem pra dentro de casa assistir TV, pegar o celular ou tomar um café.

Ou, saindo para a sacada pegar um ar, dão de cara com 5 vizinhos fazendo o mesmo e, preferindo a privacidade, voltam pro seu casul… digo, apartamento.

Sem sacadas, mais beleza

Sem sacadas, mais beleza

A sacada é um espaço da habitação praticamente perdido, pelo pelo cujo metro quadrado pagou caro, o morador, quando não, foi o diferencial da compra do imóvel. Diferencial caro e inútil onde ele raramente pisa uma vez na semana.

As pessoas inteligentes fecham a sacada com vidraças e a incorporam ao apartamento como um ambiente interno, sem com isso, perder a vista, caso nela haja algo de atraente a ser visto.

Muitos edifícios contemporâneos, reparando o erro, já nem oferecem sacadas, provando que são um erro histórico arquitetônico; uma mera tentativa.

Além de que tais edifícios até ficam esteticamente mais atraentes.