A música Metal contra as nuvens, da Legião Urbana, banda que foi parte importante da trilha sonora dos anos 90 e, é claro, da minha adolescência, tem um verso que é dos mais marcantes de toda a música e que traduz um sentimento que todos um dia sentirão:

Tudo passa, tudo passará!

Futuro

Futuro

Quatro palavras que falam muito. Que reforçam a importância do desapego humano das coisas do mundo porque… tudo passa! O verso toca fundo naquele aspecto fundamental da vida, o da impermanência das coisas. O aspecto da indesejável impermanência. Este verso nos afronta com a realidade inevitável que nega um dos desejos mais profundos do ego humano: A eternidade! A impossível eternidade. A eternidade que existe sim, mas a qual somos impotentes para acompanhar. Ela segue através dos tempos, plácida e impassível. A ela tentamos nos agarrar. Em seus braços jogamos nossas obras, para que ela carregue junto a si por tempos nos quais não estaremos por aqui. A eternidade que só encontramos no mundo subjetivo da espiritualidade.

Pode ser até salutar refletir sobre a efemeridade das coisas e do mundo, porque tal reflexão nos põe em nosso devido lugar. O lugar de seres cuja postura mais indicada parece ser a de aproveitar ao máximo esta nossa breve existência.

Mas outro dia me ocorreu inverter a “direção” do verso. Assim como refletir sobre a brevidade de nosso mundo e de nossa vida, me pareceu também estimulante adotar a expressão “Tudo vem, tudo virá” como uma espécie de mantra positivo, o qual pode manter nossas portas mentais abertas a novas possibilidades e esperanças. O otimismo em esperar bons acontecimentos, a crença na boa ventura realmente nos tornam mais confiantes e nos fazem aproveitar melhor as oportunidades que surgem. Porque elas sempre surgem, mas é preciso estar preparado.

Tendemos a nos apegar a idéias apocalípticas que nunca se concretizam. A ânsia humana por encontrar ordem no caos é tanta, que bem no fundo, todos não vêem a hora de tudo isso acabar para não terem mais que arcar com a sobrevivência e suas consequências. As pessoas sempre dão um jeito de encontrar um motivo para o fim do mundo. Na virada do primeiro milênio todos ansiavam pelo fim do mundo. Não acabou. Na virada do segundo milênio, a mesmíssima coisa. Não acabou. Depois eram as previsões de Nostradamus. Nada! Agora todos falam das previsões do fim do calendário Maia. Você tem algum palpite? Acho que quem apostar na vinda faceira do ano 2013, vai se dar bem!

Texto de 5 de dezembro de 2009.