Vai com Deus, querida Zilda

Vai com Deus, querida Zilda

Muito discute-se sobre a imprensa atual com seus desafios e responsabilidades. Não sou da imprensa, nem tenho qualquer ligação com jornalismo.

Mas no meu simples modo de ver as coisas, uma falha, ou grande injustiça que a imprensa comete é, por exemplo, dar tanta e tanta atenção para as mazelas do país, para a corrupção, e permitir que alguém como Zilda Arns só venha ao amplo conhecimento do público após sua morte.

Isso sim é injustiça.

Acho que essa “coisa” de que notícia boa não dá ibope, no caso específico de Zilda e seu nobre trabalho, foi longe demais. Os salafrários que invadem nossas casas através da televisão todos os dias não merecem tanto espaço e sua repetida desfaçatez diante do público não merece tanto destaque.

Já seres humanos tão raros, como Zilda, mereceriam sim, ser conhecidas, e reconhecidas, e ter seu trabalho divulgado até para inspirar outras pessoas a quem faltasse apenas a certeza de que sim, é possível fazer algo, alguém já está fazendo, para fazerem o mesmo trabalho.

E eu, como conterrâneo de Zilda Arns, me sinto envergonhado de não ter conhecido seu trabalho enquanto estava viva. Mas fiquei com uma certeza: Precisamos de mais “Zildas” nesse país. E ainda, precisamos reconhecer as “Zildas” que seguem por aí, anônimas, sejam mulheres, sejam homens, que seguem fazendo seu trabalho pelo bem, pela vida, sem qualquer conhecimento do público, muito menos, reconhecimento.

E fiquei com outra certeza: A de que a inversão de valores nesse país ultrapassou os extremos do compreensível.