De 23 de janeiro de 2000.

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Há momentos de pura reflexão
Refletidos em um estado de êxtase
Êxtase; o mundo em minhas mãos
Às minhas mãos, um erro de sintaxe

Suave sabedoria; onipresente como os ventos
“Quem” às chuvas tanto procuro,
na essência das músicas, das boates aos conventos
Sensação do divino; o azul mais profundo

Ciano céu, cenas do teatro das nuvens
Constante, em instantes perdidos
Pelas brisas se vão as penugens
Preciosos momentos choram vencidos

Fecho os olhos, abro-os e a frente…
A vastidão finda-se em mil luas
Espaços e dispersões da mente
O vazio cansa e traz-me pelas ruas

Não vale a dança das areias
Ou a ofensa esverdeada das ondas
Só um rosto moreno, minha jóia azul e rara
Só a satisfação por esperas tão longas

Confio; tudo, na vida, que existe
Existe porque funciona, ou faliria
A falência, só do erro que persiste
Assim a certeza, uma melodia lírica

A lembrança é luz dourada no coração
Com crenças, valores e ideais ao bem, legais
Trajetória iluminada, desolada imensidão
Dos erros e acertos até os saudosos finais

Uma mulher e os ares da flor em suas mãos
Neste tempo etéreo sem fim, só em sensações
Há a perfeição envolvida na rosa em seus cabelos
É hipnose sob estes acordes; encantos das canções

É a etapa maior, há um destino, ninguém sabe
Eu sei e vejo coisas que os outros duvidam ver
Atos dos anjos, talismãs, sagradas paisagens
e a santidade que meus olhos duvidam crer

Poesia, pura feitiçaria é o que vou sentir
Ao seu lado, e mesmo longe e desolado
Lapidado diamante é o meu olhar
É o meu coração, naquela presença iluminado

/ Ronaud Pereira /

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