O mundo me obriga a beber

Boa parte das pessoas, em alguns momentos da vida, não vê sentido algum na vida, muito menos propósito em qualquer tarefa que se possa fazer durante seu tempo vivo.

O autor Bukowsky é um clássico deste niilismo existencial. Embora ele tenha feito desta visão pessimista da vida seu maior trunfo, e conseguiu algum reconhecimento justamente por isso, o fato é que suas passagens são angustiantes, atordoadas, sofridas. Tipo estas:

“Levo a morte em meu bolso esquerdo. Às vezes, tiro-a do bolso e falo com ela: “Oi, gata, como vai? Quando virá me buscar? Vou estar pronto.”

“Todo mundo estava fodido. Não havia vencedores. Só vencedores aparentes. Todos nós corríamos atrás de nada. Dia após dia. Sobreviver parecia ser a única necessidade.”

Tudo verdadeiro. Mas acho que esse niilismo também não ajuda em nada, ficar cara a cara com a verdade dia após dia vai nos dilacerando aos poucos, sem que com isso encontremos alguma saída.

Jesus afirmou que a verdade liberta. Não sei…

A verdade não é a saída, a saída está na mentira, no faz de conta, no conto-de-fadas.

Hoje acredito que o grande segredo da vida é se distrair dela.

Já falei disso aqui tantas vezes.

Viver é repetir-se.