OI?

OI?

Dias atrás, o presidente do Google sugeriu aos jovens que desliguem seus computadores e passem a enxergar o que há de humano à sua volta. Embora os adeptos de teorias conspiratórias tenham dito que isso é o tal do Marketing ao contrário, já que jovens tendem a fazer o contrário do que lhes é sugerido, ainda assim acredito que foram grandes palavras, as ditas por Schmidt.

Não sou lá muito dado a relações humanas, vou ser sincero. Minha timidez é forte, ainda, e aliada a uma visão relativamente intolerante no sentido de que assuntos triviais simplesmente não me despertam interesse, acabo sendo, sim, do tipo que se diz por aí “que não se mistura”. No entanto, no dia-a-dia, sempre acabo me deparando com alguém digno de respeito e atenção. Como é agradável lidar com gente fina, inteligente e educada. É nestes momentos que percebemos que, independente da forma que for, quando vivenciamos o aspecto mais humano de nossa vida, nos sentimos mais vivos, sentimos nossa “existência” validada.

A tecnologia atual sem dúvida é benéfica e é a base do progresso que vivemos atualmente. Sem ela nossa vida seria muito pior. No entanto acredito que não é salutar vivermos sob o que se poderia chamar de tecnolatria. A não ser para quem ganha a vida com tecnologia, esta não deve ser considerada um fim em si mesma. Toda máquina é sem graça, em si mesma, bem como são as drogas ou qualquer coisa que possamos usar de muletas para suportarmos a existência.

Sempre entendi que talento é uma coisa, e a ferramenta é outra. Ferramentas são só um meio para se chegar a um resultado que só o talento é capaz de alcançar. É o que me faz questionar ocasiões em que vejo alguém ostentando que tem um computador x com 1000x de memória ram e 500x de hd sendo que o utiliza apenas para acessar a internet. Ou quando vejo, especificamente no meu ramo de trabalho, pessoas querendo aprender “Dreamweaver”, quando na verdade este é apenas uma ferramenta que serve a quem aprendeu a “criar e desenvolver websites”, de preferência funcionais. E talento não é um aspecto preponderantemente humano? Alguma máquina tem “talento”? Ferramentas fazem algum trabalho interessante sozinhas? Toda essa tecnologia que nos rodeia na verdade deve servir para alguma coisa, algum resultado, e não para ostentar e mostrar que temos mais que nosso vizinho.

Ao mesmo tempo em que parece que tudo está mudando, não é difícil perceber que permanecemos os mesmos, junto às nossas emoções, valores e sentimentos humanos. E conosco permanecem o que só humanos podem vivenciar. Risadas, ternura, atenção, desafios, vitórias, sucessos e porque não, lágrimas e derrotas, que nos motivam a nos superarmos e seguirmos em frente. Me parece importantíssimo não perdermos esse foco. Nenhum computador jamais substituirá genuinamente a sensação de estar entre amigos, ou reunido em família, ou em contato com a natureza, ou qualquer coisa que lhe proporcione prazer de verdade.

Tendemos a achar que no passado as coisas eram mais simples e fáceis e creio que este é um dos piores equívocos que podemos cometer. Ao encarar os dias atuais com desconfiança, como se estivéssemos diante de uma tarefa além de nossas capacidades, não percebemos que além do fato real de que só temos este tempo para viver, com suas peculiaridades, devemos mesmo é encarar tudo que surge em nosso caminho com a forte crença (ou constatação?) que esta é a época das épocas. Neste ponto sou obrigado a cair no clichê – sempre válido – e dizer que o tempo “presente” não tem esse nome à toa. É definitivamente um presente que ganhamos da vida para dele usufruir ao máximo, fazendo nele tudo que estiver ao nosso alcance e que fizer parte de nossas aptidões naturais. E ao invés de alimentarmos este medo das novidades do futuro (as ferramentas), temos mais é de utilizá-las a nosso favor, como trampolim, multiplicando o alcance de nossas ações no mundo.

Se esconder atrás de máquinas não é diferente de quem se esconde no passado ou de quem se esconde na ânsia pelo futuro ou de quem se esconde no trabalho ou de quem……. Viu? Há inúmeras formas de nos escondermos da vida e da realidade, mas tenha certeza, nenhum deles nos colocará no caminho da felicidade.