O poder de elucidação dos números

Veja bem

Veja bem

A Veja não é assim tão poderosa quanto parece. Não sou leitor da revista, faz uns 8 anos que sequer folheio uma Veja, e não estou defendendo-a. Estou apenas sugerindo uma visão mais global da coisa. Veja (sem trocadilho) o raciocínio do Marcel Dias, do blog BQEG:

“Tenho 34 anos e nunca fui ameaçado pela polícia ou qualquer outra entidade/pessoa me forçando a ler a Veja. O Brasil tem 200 milhões de habitantes e a revista tem 1 milhão de tiragem (0,5%). Mesmo numa casa com 5 pessoas seriam 5 milhões de pessoas lendo, o equivalente a 2,5% de toda a população. É um número muito baixo de alienados pra justificar a inércia em que a gente se encontra(va).”

Traduzindo: O que é UM milhão de pessoas em relação a DUZENTOS milhões de pessoas?

A questão é a de tomar cuidado ao se buscar culpados ou responsáveis. O mesmo vale para as emissoras de TV. Segundo eu entendi em pesquisa rápida, apenas 49% da população acima de 14 anos dos brasileiros assistem TV regularmente. Metade! Isso dá 75 milhões de brasileiros. E a Globo, também considerada uma vilã, fica só com uma parte desses 49%.

É sim um número expressivo, mas sobram outros 75 milhões de brasileiros acima de 14 anos alheios ao que tá acontecendo.

A mídia é sim poderosa, mas não é onipresente. E acho que uma prova inequívoca do poder de influência limitado da Veja em específico, é que apesar de alguns de seus jornalistas continuarem avaliando os protestos em São Paulo de forma negativa, os mesmos protestos só fazem crescer. O que é magnífico.

Acho que a responsabilidade pelo que o Brasil se tornou é de todos nós e do nosso alheamento (ou alienação) ao que era importante. Dar atenção à política dá trabalho, exige tempo e empenho. Era mais divertido se distrair com novelas, bbbs, futebol, facebook e baladas.

A notícia boa é que parece que isso está mudando.