Política, o mal necessário

Política, o mal necessário

Nâo sou político nem tenho aspiração alguma por algo na área. Mas sou um grande admirador da figura do político. Quem não aceita a realidade como ela é argumenta que a política é suja, que política e corrupção andam de mãos dadas, e outras coisas semelhantes. Mas o fato é que o político é uma das pessoas mais bem preparadas para lidar com o ser humano. O eminente político é o sujeito inteligente, astuto, articulado, objetivo, versado em várias áreas do conhecimento. Dizer que ele dá nó até em pingo dágua não é exagero, e se político eu fosse, tomaria uma afirmação dessas como um elogio.

po.lí.ti.ca

sf.
1 Arte e ciência da organização e administração de um Estado, uma sociedade, uma instituição etc.
2 O conjunto de fatos, processos, conceitos, instituições etc. que envolvem e regem a sociedade, o Estado e suas instituições, e o relacionamento entre eles.
3 O gerenciamento de uma dessas instituições ou do conjunto delas.
4 O conjunto de conceitos e a prática que orientam uma determinada forma, pré-escolhida, desse gerenciamento : O banco adotou uma nova política para empréstimos.
5 Fig. Habilidade para negociar e harmonizar interesses diferentes : Será preciso uma boa dose de política para conciliar as partes.
6 Habilidade de conduzir ou influenciar o governo pela organização partidária, opinião pública, conquista do eleitorado etc.
7 Atuação na disputa de cargos de governo ou nas relações partidárias.
8 Conjunto de princípios e opiniões de uma pessoa que constituem uma posição ideológica.
9 Fig. Esperteza, astúcia para obter alguma coisa : Conduziu o negócio com muita política.

[F.: Do lat. tard. politica, do gr. politiké (téchne).]

Dicionário Aulete Digital

Eu, mais uma vez pretensiosamente, acrescentaria às definições acima que a política é a arte de usar a mentira e a verdade sempre em favor próprio. É o que eu tenho visto ultimamente na reta final da corrida eleitoral em minha cidade. E que certamente se repete Brasil afora. Os fatos estão aí e cada candidato usa esses fatos de acordo com suas conveniências. É como a metáfora do copo com água até a metade. Uns diriam que está meio cheio, outros que está meio vazio, de acordo com a conveniência. E o povo no fim das contas sabe de muito pouco. E como sabe pouco, tende a acreditar em tudo que lhe colocado a frente sem ter lá muito tempo e muito menos hábito de questionar.

O que vejo é que o povo ainda tem a visão barata de que para ser levado a sério, qualquer um, incluindo aí os políticos, deve assumir uma postura supostamente íntegra. Ou seja, para ser levado a sério, você tem que ser, ou passar a imagem de ser bonzinho, certinho, daquele tipo de cidadão sempre feliz que não faria mal a uma mosca. Somos estimulados pela mídia romantizada a acreditarmos que o jeito certo é o jeito do final feliz, da vitória certa do herói, do conto de fadas perfeitinho. Mas a vida não é assim. Às vezes penso que toda escola deveria ter uma disciplina denominada CINISMO, na qual seria ensinada às crianças a verdadeira qualidade da vida humana, que não é necessariamente ruim, mas que também não é uma maravilha. Absurda essa idéia? E o fato de o povo passar a vida toda entendendo os fatos de forma distorcida, não é absurdo maior?

É na política e no jogo do poder onde os fatos se desenrolam na sua mais pura realidade. Mas essa realidade é ocultada a todo momento porque a sociedade espera que seus homens públicos sejam antes de mais nada os baluartes da moral e dos bons costumes. E como diz o ditado, o que os olhos não vêem, (e os ouvidos não escutam) o coração não sente. E assim segue a sociedade acreditando em Papai Noel. A partir de então, a cada grampo telefônico que cai em domínio da imprensa seguem-se as exclamações: Oh, que escândalo!

Evidentemente há situações em que grampos e escutas revelam de fato crimes abomináveis, mas em outros casos, revelam apenas a realidade das coisas. O político, como indivíduo pode ter e seguir lá seus ditames morais. Mas quando eu vejo nosso vice-presidente José de Alencar falar tão bem do presidente Lula no Canal Livre da Band, diante de expoentes do jornalismo brasileiro, concluo de duas uma: Ou ele foi absolutamente honesto e disse o que diria diante de Deus sem o menor pudor, ou foi absolutamente inteligente e sagaz. Ou seja, fazendo ele parte do governo, querendo imortalizar seu nome junto à História do país, diante de renomados jornalistas, num momento de audiência qualificada, criticaria o Lula em algum ponto? Não né!!!

Por interesses políticos, vale qualquer coisa. E quando digo interesses políticos, digo PODER. Isso me faz lembrar a cena do filme O Poderoso Chefão III, na qual Michel Corleone se confessa emocionado, ao Bispo. Logo mais, em conversa com sua irmã, ele diz: “…ele (o Bispo) pode ser útil para nós”. Quando o poder está em jogo, definitivamente não se dá ponto sem nó.

Política: Um mal necessário

Com toda a má reputação que a política, de uma forma geral, adquiriu nesse país, ainda assim, é um dos poucos senão o único caminho que podemos escolher e trilhar para MUDAR ALGUMA COISA DE FATO na sociedade. Poucas ações tem um impacto tão amplo quanto as ações motivadas por vontade política. É na política acima de tudo que está a transformação social efetiva. Isso vale tanto para os agentes políticos em si, do executivo e legislativo, que têm nas mãos o poder real, como para nós, cidadãos, que podemos através do voto, fazer valer nossa vontade.