Texto de Regina Moura, publicado em seu perfil.

Acho justo

Acho justo

Hoje, conversando com pessoas por aí e lendo alguns posts aqui, fiquei assustada de um jeito especial, mais sério. De repente, me senti num manicômio, como se eu tivesse voltado a um dos hospitais em que estagiei, onde os pacientes psiquiátricos eram super dopados. Letargia, apatia, indiferença… principalmente na conversa tête-à-tête, a sensação era a de que eu falava uma língua desconhecida e que as pessoas simplesmente não conseguiam reagir. A única palavra conhecida e que provocava alguma reação era CUNHA. Consensualmente, entende-se este nome como muito mau.

AFASIA. Mas quando eu falava dos crimes do PT vinha o silêncio, o olhar meio perdido, típico dos dopados. O máximo que conseguiam era emitir algumas frases como: “bolsa-família é bom”, “ditadura é ruim”. E, com isso, deixavam claro todo o preconceito: ora, se estava criticando o petê, eu só podia ser alguém das trevas! Quando eu disse que era a favor do bolsa-família e contra a ditadura, o silêncio foi quase atordoante. Afasia e tela azul entraram em confronto.

Gente que sofreu lavagem cerebral nos cursos de humanas sofre sequelas irreversíveis. Elas topam as teorias conspiratórias mais absurdas, passam vexames, dão tudo o que têm, empobrecem sem se queixar, aceitam a humilhação e a violência em silêncio. Estão mortas. Mas elas ainda se queixam do Brasil como se o nosso problema fossem os políticos (nenhum presta) e os partidos (nenhum presta). Elas nunca vão conseguir ver que o problema são elas. Mortos-vivos não ajudam, não mudam, não reagem, não se questionam, não dizem “opa, será que eu estou errado?”. Não fazem nada, só seguem no automatismo, dizendo as mesmas coisas de 30 anos atrás. Eles estão mortos.