Diz que me disse

Diz que me disse

Relatos históricos jamais vão transmitir a verdade que fundamenta cada evento. Testemunhas são seres humanos, que só percebem parte do que viram, e cujas memórias só guardam parte do que foi percebido. Só quem vivenciou o evento sabe a verdade, quase sempre, só parte dela.

Se você colocar dez pessoas para presenciarem um fato, e depois pedir-lhes que descrevam o fato por escrito, você terá dez fatos diferentes. Essa noção que me é recente, tem me deixado de modo angustiantemente incrédulo em relação ao que se tem como História Oficial e também ao jornalismo contemporâneo.

E tem também aquela brincadeira infantil porém muito significativa do telefone-sem-fio. Um recado passado à primeira criança numa fila é cochichada por ela à segunda, e esta cochicha o recado à terceira e assim por diante. E então o recado vai se alterando de boca em ouvido até que no final da fila surge uma mensagem completamente desconexa com o recado inicial. Era divertido 🙂

Enfim… Imagine que a história da civilização seja uma loooonga brincadeira de telefone-sem-fio e então calcule a enorme disparidade que há entre os fatos históricos e suas descrições que a nós chegaram.

Egito, Grécia, Império Romano, Idade Média, História do Cristianismo, Século XX, História brasileira, etc, etc, etc. Sabe tudo que você aprendeu sobre História no colégio ou em suas leituras? Pois é, são apenas uma coletânea de testemunhos particulares ABSOLUTAMENTE tendenciosos e parciais.

A história é escrita pelo poder, a partir do poder, a serviço do poder. Romances servem para questioná-la.
Tomás Eloy Martinez – Escritor argentino

Já parou pra pensar em quantos e quantos equívocos e injustiças existem na História conhecida? Quantos impostores levaram a fama e quantos heróis permanecerão anônimos até o fim dos tempos?

Isso vale para todas as fontes de informação contemporâneas. Todo o entendimento que temos do mundo não passa de visões alheias e estreitas que assimilamos ao longo da vida.

De modo que tenho concluído desesperadamente 🙂 que poucos, muito poucos sabem de alguma coisa nesse mundo.

E esses poucos são os que vivem e experimentam os fatos e situações, não os que leem cinquenta livros por ano e três jornais por semana.

Texto de 5 de julho de 2012