Dizem que o capitalismo é um problema. Mesmo apesar dos países mais desenvolvidos serem justamente os mais capitalistas.

No Brasil, especificamente, esta mensagem está tão naturalizada depois de 40 anos de domínio da visão marxista na imprensa, escolas, universidades e classe artística, que as pessoas só repetem a mesma ladainha e não são capazes de enxergar o óbvio:

O problema do Brasil é FALTA de capitalismo. Falta de ciência, tecnologia e INDÚSTRIA.

Aqui as pessoas não têm dinheiro.

Aqui, o dinheiro vem do governo (depois de expropriar de 30 a 40% do dinheiro do povo na forma de impostos – e nunca é o suficiente, pois o governo continua se endividando mais e mais, mas aí é assunto para outro post).

Para você entender como no Brasil temos um capitalismo capenga cujo grande motor é o governo com seus gastos sempre maiores (que geram dívidas, que geram mais impressão de dinheiro, que gera inflação, que diminui o poder aquisitivo do povo, o que torna as pessoas mais pobres), basta você fazer um breve exercício imaginativo.

Pega qualquer grande empresa mundial contemporânea, tipo google, facebook, microsoft. Imagina que ela fosse brasileira (uma empresa assim jamais surgirá por aqui, mas, bem, estamos imaginando)

Esta empresa, seria estatal, criada pelo governo na base da canetada. Provavelmente se chamaria de qualquer coisa terminada com BRAS. Googlebras, Facebras, Microbras. Talvez se chamasse Embragoogle, Embrabook ou Embrasoft.

O logo tipo, claro, usando as incríveis e originais cores verde e amarelo.

Tipo isto:

Rede Social Pública, Gratuita e de Qualidade

Muito provavelmente seria uma empresa burocratizada (para criar um perfil, teria que apresentar RG, CPF, Certidão de Nascimento ou de Casamente, Certidões negativas de débito e pagar algumas taxas).

Teria três vezes mais funcionários do que o necessário, todos registrados na CLT, com seus dereitos assegurados (sic), e produzindo um terço do que seriam capazes de produzir. A cada feriadão, os serviços dessa empresa seriam suspensos. Quer acompanhar a vida alheia no Facebras? Só na segunda-feira, amigo, pensa o quê?

Com alguma sorte e a união de uma boa equipe, alguma dessas empresas até alcançariam destaque, tipo a Embraer ou o programa de Etanol da Petrobrás. Até que eventualmente algum governante começasse a usar de sua autoridade para lotear essa empresa com cargos políticos, e usar os lucros dela para financiar CERTOS PARTIDOS.

Essa empresa começará a dar prejuízo, se endividar, seus diretores seriam presos e o governo aumentaria impostos para cobrir o rombo da Facebras, afinal ela precisa continuar, pois neste “Brasil fictício” que estamos imaginando, todos teriam direito ao acesso a redes sociais públicas, gratuitas e de qualidade.

Até mesmo porque a Facebras deteria o monopólio sobre o serviço de rede social no Brasil, tipo um correio da vida, que mesmo detendo o monopólio sobre o envio de correspondências por aqui, é capaz de apresentar prejuízo.

Com este triste final, encerro nosso exercício imaginativo.

Ele serve para demonstrar que o fato de grandes empresas de tecnologia jamais surgirem por aqui, desde a época das grandes invenções, não é por acaso. Não temos ambiente propício para pesquisa, desenvolvimento e investimento em novos projetos. O brasileiro médio anda muito preocupado com sua própria sobrevivência, vai inventar novos produtos como?

Fluxo aéreo em 24hs no mundo

E se inventa, como fez Santos Dumont há um século, ao inventar um avião com propulsão própria, não consegue tocar a coisa adiante. Até hoje o brasileiro mantém essa birrinha infantil sobre quem inventou o avião primeiro, Santos Dumont ou os irmãos Wright. Orgulho bobo e ressentido. Onde se situam as principais fábricas de aviões e companhias aéreas hoje? Por aqui ou nos EUA e Europa? Pois então…

E isso acontece até hoje, a criatividade brasileira é reconhecida, mas a possibilidade de empreender sobre esta criatividade é pífia. Quem sabe logo o governo decida criar (na base da canetada, sempre) uma comissão brasileira de fomento e desenvolvimento ao empreendedorismo – a COBRAFODEEM e finalmente poderemos respirar aliviados. Agora vai! Que lindo, projetos e oportunidades “para todos”.

Vai não, trouxa. Aprende: Não é governo, nem canetada que resolve os problemas da sociedade. É a própria sociedade que resolve seus problemas, desde que o governo não fique no meio do caminho.

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