Eu odeio a classe média.

Há cerca de um ano atrás, a “filosofa” Marilena Chaui pronunciou estas palavras, num arroubo de classismo, tomada pelo fervor de sua crença marxista:

Em ciência social, sempre que alguém generaliza, incorrerá em erro. Não dá pra falar em comportamento humano, individual ou coletivo, e querer se sair com regras precisas e certeiras. O rico que pensa que todo pobre é pobre porque é vadio, erra. O pobre que acredita que todo rico é bandido, erra.

Segundo a fala da referida filosofa, todo e qualquer membro da classe média é fascista, ignorante e violento. Incluindo aí eu e você que está lendo esse texto.

Nossa empolgada filosofa também erra.

A Esquerda e sua natural falta de noção sobre negócios

Muitos esquerdistas se orgulham de se basearem na “realidade” como fundamento de suas críticas à burguesia, nome antigo para o que hoje se denomina classe média. Mas quando querem afirmar suas crenças pré-concebidas, adotam para si toda uma realidade imaginada, desprovida de fundamento. Dane-se, pois, a realidade.

Ora, tenho uma dificuldade extrema com essa visão de que todo pobre é santo, toda a classe média é ignorante, e todo rico é bandido. A realidade simplesmente não é assim. A maioria dos ricos são basicamente tão bons quanto a maioria dos pobres; são pessoas ambiciosas e de boa vontade que batalham por suas visões, gerando oportunidades. Há pobres tão sem-vergonhas quanto ricos.

Eu acredito que grande parte dos esquerdistas nunca foram patrões, nunca conduziram um negócio e nunca empreenderam uma solução para um problema, seja na forma de produto, seja na forma de serviço. E quando citam trechos de livros para embasarem suas opiniões, são de autores que também nunca conduziram um negócio. Porque senão também não teriam tempo para escrever livros contra o capitalismo. A realidade dos altos escalões corporativos é uma realidade que simplesmente desconhecem, porque o ódio que sentem pelo capitalismo é tanto, que não permite que cheguem tão longe. Então quando se referenciam a ela, é sempre pelo lado mais negativo possível que sua imaginação pode conceber. Se eu não posso participar, então não presta.

Eu já fui patrão! por um ano e meio apenas. Já fui patrão por um ano e meio senti na pele como é difícil conduzir e manter um empreendimento que gera oportunidades de emprego. Não aguentei, e justamente por isso, admiro a garra dos empresários que se aventuram e chegam ao êxito nessa tarefa, porque conduzir uma empresa e fazer a coisa “virar” dinheiro é uma BUCHA. Você engole sapo de fornecedor, de cliente, de funcionário. Ali, durante aquele ano e meio, entendi que se a recompensa não for boa, MUITO BOA, simplesmente não vale a pena se manter à frente do empreendimento. Por isso acredito que todo empresário merece ficar muito rico sim, porque são pessoas de ação, corajosas, visionárias e ambiciosas. E pra aguentar o ônus de conduzir uma empresa, o bônus tem que ser GRANDE, muito grande.

Caso contrário, simplesmente não vale a pena tanto esforço. Melhor ser… empregado.

Esquerdistas partem da premissa de que qualquer operário poderia ocupar tranquilamente o lugar de um patrão. Mas não, o sujeito, pra estar na ponta tem que ser guerreiro, forte, inteligente, esperto, resistente; em suma, tem que ter algo cujo conceito é desconhecido por esquerdistas:

COMPETÊNCIA.

Na minha opinião, todo empresário, grande ou pequeno, merece, no mínimo, respeito, pelas oportunidades de emprego que gera, e pela renda que vai colaborar com a manutenção dos governos, na forma de impostos. Claro que tem os empresários carrascos, tem os bandidos, os corruptos, mas eles existem em qualquer meio, ou todos os pobres são santos?

Quanto aos pobres, nenhum deles tem uma arma apontada na cabeça obrigando-o a ir trabalhar para enriquecer alguém. Ele vai porque o estômago manda ir, a fome, as necessidades, dele e dos filhos. E eu penso, que bom né, que alguma alma forte está lá com seu empreendimento gerando empregos e oportunidade de renda pra essa gente toda etc. O pobre que não queira ser empregado para enriquecer patrão, que empreenda seu próprio negócio, se estiver disposto e tiver COMPETÊNCIA para tal. Qualquer barraquinha de pipoca ou cachorro-quente rende mais que o salário médio do mercado.

***

Voltando à filosofa, o que mais me dói os ouvidos ao ouvi-la falar, é sua aparente falta de noção completa da cadeia econômica na qual está inserida.

Odeia aqueles que pagam o salário dela

Odeia aqueles que pagam o salário dela

Quem mais paga imposto nesse país, queiram os esquerdistas ou não, é a classe média. Pobre não tem dinheiro pra pagar imposto, os ricos têm lá sua malandragem, é claro, e pagam proporcionalmente muito pouco em relação à classe média, embora seja, ainda assim, um montante nominalmente mais alto que a média.

Ora, se a maior fatia de impostos vem da classe média, então é essa mesma classe média “ignorante, violenta e fascista” que sustenta o governo, e financia o salário de TODOS OS SERVIDORES PÚBLICOS.

Isso me leva a crer que a filosofa, assim como todo o rebanho que a aplaudiu durante sua fala, bem que poderia expandir um pouco sua visão de mundo e compreender que seus rendimentos são pagos, em grande parte, pela classe que ela esculacha.

Gratidão é sempre uma postura muito bonita, e ela ajuda a perceber que nada nesse mundo é completamente desnecessário. Tudo que existe, incluindo aí a classe média, ajuda a construir o mundo que conhecemos, para o bem, e para o mal.

Se não quiser ver a questão sob o viés da gratidão, que se veja, ao menos, sob o viés da ponderação.

Veja mais

Se quiser se aprofundar no assunto, segue abaixo outras análises sobre essa visão radical de alguns segmentos sem-noção da Esquerda brasileira:

Marilena Chaui e o grito primordial: Eu ODEIO a classe média!

O vídeo revela por que Marilena Chauí, a musa do PT, odeia a classe média